CNBC
Mark Zuckerberg

CNBCMeta sai na frente da OpenAI em dispositivos de IA, mas aposta de Zuckerberg ainda é incerta

Tecnologia & Inovação

Tech Check: Computação quântica já exige reação das empresas, alerta cofundador da Sociedade Brasileira de Inovação

Publicado 24/09/2026 • 21:06 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Stefano Levorato avalia que cibersegurança será um dos primeiros mercados afetados pelo avanço da computação quântica.
  • Empresas precisam reforçar a proteção de dados e preparar lideranças para identificar oportunidades trazidas pela nova tecnologia.
  • Ataques já buscam roubar informações criptografadas para armazená-las e tentar decifrá-las quando a tecnologia estiver disponível.

A computação quântica já exige mudanças na estratégia de segurança das empresas, mesmo antes de a tecnologia alcançar uso em larga escala, segundo Stefano Levorato, cofundador da Sociedade Brasileira de Inovação e diretor nacional da Global Innovation Institute no Brasil. Em entrevista nesta quinta-feira (24) ao programa Tech Check, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele avaliou que a tecnologia deve provocar uma nova onda de transformação nos negócios, depois do avanço da inteligência artificial.

“A computação quântica vai fazer uma nova onda computacional. A gente vai ter acesso a novos tipos de informações e vai revolucionar todos os mercados”, disse Levorato.

Segundo o executivo, embora os efeitos devam alcançar diferentes atividades econômicas, a cibersegurança está entre as primeiras áreas diretamente expostas. O motivo é a capacidade esperada dos computadores quânticos de executar determinados cálculos que podem comprometer sistemas atuais de criptografia.

Leia também: Teck Check: IA já virou obrigação, mas diferencial está nos dados e na estratégia, diz CEO da HSM

“Hoje, todos os mercados, todos os negócios são baseados e estruturados em tecnologia. Todos os nossos dados, patentes, segredos, documentos e comunicação estão estruturados em sistemas que são criptografados”, explicou.

Para Levorato, o desenvolvimento da computação quântica exigirá uma evolução paralela dos mecanismos utilizados para proteger essas informações. “Uma vez que a gente entrar na era da computação quântica, a criptografia vai ter que evoluir junto”, ressaltou.

O risco do chamado ‘dia quântico’

Um dos principais pontos de atenção para as empresas é o momento em que computadores quânticos atingirem capacidade suficiente para romper determinados sistemas de criptografia atualmente utilizados. Levorato se referiu a esse marco como o “dia quântico”.

Leia também: Tech Check: Tecnologia reduz espera por atendimento em hospital público do Rio

“O interessante é que, na computação quântica, a gente tem o chamado dia quântico, que é o dia em que a computação quântica será capaz de ler e entender os nossos sistemas de criptografia”, afirmou.

Na avaliação do especialista, esperar pela maturidade comercial da tecnologia para começar a agir pode deixar empresas expostas. Por isso, a preparação deve ocorrer antes, envolvendo proteção das informações e planejamento estratégico. “Até que isso aconteça, a gente tem que se preparar, preparar os negócios e preparar a estrutura para quando esse dia chegar”, acrescentou.

‘Roube agora e decifre depois’

Levorato destacou ainda uma estratégia de ataques conhecida pela expressão em inglês “steal now, decrypt later” – roube agora e decifre depois. Nesse tipo de ação, criminosos obtêm dados atualmente protegidos por criptografia e os armazenam na expectativa de conseguir acessá-los no futuro com tecnologias mais avançadas.

Leia também: Tech Check: Wearables podem ampliar prevenção e identificar sinais precoces de doenças, diz diretor da Samsung no Brasil

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

“Estão tendo diversos ataques hackers em instituições, governos e assim por diante, em que eles estão roubando dados agora e armazenando para que esses dados possam ser decifrados assim que esses hackers tiverem acesso à computação”, explicou.

Segundo Levorato, esse cenário torna necessária uma revisão antecipada das políticas de segurança. Mesmo que informações roubadas permaneçam inacessíveis atualmente por estarem criptografadas, o avanço da capacidade computacional pode alterar essa condição no futuro.

“Hoje ninguém consegue acessar esses dados por uma questão da limitação da computação. Só que isso é uma coisa que está acontecendo já agora”, destacou.

Preparação vai além das equipes de tecnologia

Para Levorato, a adaptação das empresas não deve ficar restrita aos profissionais de tecnologia. Além de reforçar a segurança de TI e a proteção dos dados, as companhias precisam preparar suas lideranças para compreender como a computação quântica poderá alterar seus mercados.

Leia também: Tech Check: IA pressiona ensino superior a rever aulas, avaliações e formação para o mercado de trabalho, diz CEO do Inteli

“Ela tem que entender como o time dela está preparado para entender o que vai ser a computação quântica dentro do mercado. E ali eu não estou falando de um treinamento técnico de engenheiros e desenvolvedores. Estou falando da liderança”, explicou.

O objetivo, segundo ele, é permitir que os executivos identifiquem antecipadamente riscos, novos modelos de negócio e oportunidades que podem surgir com a tecnologia.

“A importância agora é, primeiro, uma questão de segurança dos dados; e, segundo, entender quais são os desafios e as oportunidades que as empresas e os mercados vão ter quando a gente entrar nessa nova era”, avaliou.

Leia também: Tech Check: Agentes de IA podem crescer 25 vezes até 2030 e mudar consumo e trabalho

Computador quântico não deve chegar à casa do consumidor

Para as pessoas físicas, Levorato considera improvável que a computação quântica siga um modelo no qual cada consumidor tenha um equipamento próprio. A tendência, segundo ele, é que o processamento seja oferecido por grandes estruturas computacionais acessadas remotamente, de maneira semelhante ao funcionamento atual de serviços baseados em servidores.

“Você não vai usar um computador quântico, você não vai ter um celular quântico, mas muito provavelmente a gente vai ter acesso a esses dados”, disse.

Nesse cenário, a recomendação é compreender quais informações precisam permanecer protegidas por longos períodos e manter atenção aos sistemas utilizados para armazená-las. “Os sistemas de segurança são fundamentais para você preservar os seus dados e também para mapear quais vão ser as oportunidades que vão aparecer ali na frente”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Tecnologia & Inovação