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Tech Check: IA pressiona ensino superior a rever aulas, avaliações e formação para o mercado de trabalho, diz CEO do Inteli
Publicado 03/09/2026 • 22:10 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 03/09/2026 • 22:10 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
A inteligência artificial está obrigando as instituições de ensino superior a repensar métodos de ensino, avaliações e a preparação dos estudantes para o mercado de trabalho, afirmou Maíra Habimorad, CEO do Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança).
Em entrevista ao programa Tech Check, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Maíra destacou que os estudantes já incorporaram a IA à rotina, enquanto as instituições avançam em ritmos diferentes na adaptação à tecnologia.
“Pela parte dos alunos, já estão usando, gente, não adianta a gente negar a realidade”, afirmou. “Tem algumas [instituições] que já entenderam a importância, principalmente de revisar métodos de ensino e processos de avaliação à luz dessa nova realidade, mas ainda tem algumas instituições que estão fingindo que a IA não existe e essas são as que mais me preocupam.”
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Para Maíra, a resistência à inteligência artificial está relacionada, entre outros fatores, às dificuldades das universidades para determinar como avaliar se os estudantes estão efetivamente aprendendo em um ambiente no qual ferramentas de IA conseguem produzir respostas e realizar diferentes tipos de tarefas.
A executiva considera, porém, que ignorar a tecnologia pode ampliar a distância entre a formação universitária e as exigências profissionais.
“No ensino superior, a gente tem que entendê-lo não como a continuidade do ensino médio, mas como o que vem antes do mundo do trabalho. E o mundo do trabalho já é, e cada vez mais será, repleto de inteligência artificial”, explicou.
Nesse cenário, Maíra defendeu que preparar os estudantes para utilizar essas ferramentas corretamente deve fazer parte da própria responsabilidade das instituições.
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“Na minha opinião, é uma irresponsabilidade no ensino superior não ensinar os estudantes a usarem da forma certa”, afirmou.
A CEO do Inteli aponta três frentes fundamentais para acelerar a incorporação da inteligência artificial ao ensino superior. A primeira é uma decisão institucional sobre como a tecnologia será utilizada. A segunda envolve disponibilizar ferramentas e infraestrutura adequadas e seguras.
A terceira, considerada por ela a mais importante, é preparar toda a comunidade acadêmica. É necessário “letrar, educar o corpo docente, o corpo diretivo e os próprios alunos na forma de utilização”, destacou.
Um dos maiores desafios está justamente nas avaliações. Atividades tradicionais podem perder eficácia quando basta ao estudante copiar uma pergunta, inseri-la em uma ferramenta de inteligência artificial e reproduzir a resposta.
“Toda vez que você dá uma tarefa para casa, o aluno consegue copiar aquela pergunta, colar na inteligência artificial e copiar a resposta, é um problema”, afirmou.
Por isso, segundo Maíra, as instituições precisarão desenvolver atividades mais complexas, nas quais a tecnologia seja utilizada como apoio, sem substituir o raciocínio do estudante.
“A primeira coisa é criar formas de ensinar e de avaliar que não permitam ou dificultem muito que o aluno transfira o processo de pensamento para a IA”, explicou. A ferramenta, acrescentou, deve funcionar como “um assistente”.
A inteligência artificial também pode transformar o próprio modelo de negócio das instituições de ensino, com uma redistribuição das funções desempenhadas por professores e tecnologia.
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Siga o Times | CNBCApesar da quantidade crescente de ferramentas capazes de fornecer informações e auxiliar nos estudos, Maíra rejeita a ideia de que todos possam simplesmente aprender sozinhos.
“As pessoas precisam de orientação, as pessoas precisam muitas vezes de encorajamento para aprender, coisa que instituições de ensino fazem muito bem com seus professores”, afirmou.
A transformação, portanto, não significa reduzir a importância dos docentes, mas concentrar seus esforços nas características em que o trabalho humano continua sendo essencial.
“É direcionar os esforços para formar professores cada vez mais humanos, mais acolhedores, com didática melhor, e deixar para a tecnologia fazer aquilo que ela faz melhor”, disse.
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Outra mudança defendida pela executiva está na aproximação entre universidades e mercado de trabalho. Segundo Maíra, ainda existe resistência à ideia de que preparar um estudante para uma carreira profissional faça parte da missão do ensino superior.
“Parte-se do princípio que formar um cidadão com pensamento crítico exclui a ideia de formar alguém preparado para o mercado de trabalho. E nunca foi tão importante formar um profissional com pensamento crítico”, afirmou.
Para ela, as instituições precisam compreender melhor as necessidades de cada carreira e, a partir disso, promover mudanças nos currículos e nas formas de ensino.
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Maíra citou como exemplo a experiência do Inteli com o ensino baseado em projetos, no qual estudantes trabalham em grupos e desenvolvem atividades com empresas reais.
“O feedback que a gente tem tido de mercado é muito positivo do quão prontos eles chegam para a realidade que vão enfrentar”, destacou.
Entre as principais tendências para os próximos anos, Maíra aponta a personalização do aprendizado como uma das aplicações mais promissoras da inteligência artificial.
Ela relatou um experimento desenvolvido com participação de um estudante do Inteli no qual uma ferramenta acompanha o aluno durante os estudos, identifica a maneira como ele aprende e passa a interagir por meio de perguntas e respostas.
“Entende o jeito daquele aluno aprender e aí trabalha com ele com perguntas e respostas como se fosse um tutor, um professor particular, vamos chamar assim, para ajudar o aluno a estudar”, explicou.
Além da personalização, a CEO aponta a tutoria por inteligência artificial e a possibilidade de ampliar a escala das iniciativas de ensino e aprendizagem como tendências que devem ganhar espaço.
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A tecnologia, segundo Maíra, oferece justamente uma possibilidade difícil de alcançar apenas com recursos humanos: adaptar conteúdo e métodos às necessidades de cada estudante em grande escala.
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