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Tech Check: Agentes de IA podem crescer 25 vezes até 2030 e mudar consumo e trabalho
Publicado 27/08/2026 • 22:22 | Atualizado há 5 dias
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Publicado 27/08/2026 • 22:22 | Atualizado há 5 dias
KEY POINTS
Os agentes de inteligência artificial devem provocar uma mudança mais profunda do que a simples adoção de novas ferramentas digitais, ao permitir que sistemas continuem executando tarefas mesmo depois de receberem uma instrução inicial, segundo Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação. A perspectiva acompanha um mercado que pode avançar mais de 25 vezes até 2030, impulsionado pela possibilidade de delegar desde compras até atividades profissionais inteiras à tecnologia.
Em entrevista ao programa Tech Check, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Arthur Igreja afirmou que a principal diferença está na autonomia dos agentes. “Ferramenta é algo que a pessoa usa e, depois que ela deixa de operar aquilo, a ferramenta não faz mais nada. O agente de IA continua trabalhando apesar do uso da pessoa”, explicou.
O avanço esperado para esse mercado é expressivo. Segundo dados apresentados durante o programa, com base no estudo Soluções Agênticas 2026, da Blip, o segmento global pode passar de US$ 7,9 bilhões (R$ 40,84 bilhões) em 2025 para US$ 196 bilhões (R$ 1,01 trilhão) em 2030, uma expansão superior a 25 vezes e equivalente a uma taxa média anual de aproximadamente 70%.
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Arthur Igreja aponta o varejo como um dos setores que devem sentir mais rapidamente os efeitos dessa transformação. A diferença está na passagem de sistemas que apenas ajudam o consumidor a escolher para tecnologias capazes de executar a compra em seu nome.
“Até então, as pessoas faziam toda a jornada de compra, mesmo que online, mas a pessoa ia clicando, escolhendo produto, adicionando no carrinho, fazendo a compra”, afirmou. Com os agentes, segundo o especialista, essa jornada começa a mudar.
Arthur Igreja citou como exemplo uma integração que permite ao consumidor pesquisar determinado produto com inteligência artificial e, depois de escolher, solicitar ao próprio sistema que finalize a operação. “A partir do momento que ela fala: ‘OK, gostei’, ela fala o seguinte: ‘Agente de IA, termine a compra’. Então ali já tem o meio de pagamento, os dados da pessoa e ela simplesmente precisa pedir para fazer a compra”, explicou.
É o que o especialista chama de varejo agêntico. A lógica, porém, pode alcançar inúmeras outras atividades. “Imagina poder fazer isso com qualquer tipo de tarefa. Execute esse pedaço de um projeto, prepare uma apresentação. Então é por aí que nós começamos a ter uma ideia, um gostinho do que são os agentes de IA”, destacou.
Além do varejo, Arthur Igreja vê impacto crescente no mercado de investimentos, com usuários recorrendo à inteligência artificial para obter orientações e executar ordens. “Qualquer atividade que demanda tempo e tem essa jornada de muitas etapas vai ser um verdadeiro prato cheio para os agentes de IA”, avaliou.
Para explicar por que espera uma adoção tão rápida, Arthur Igreja compara o atual movimento com as transformações provocadas pelos smartphones. Aplicativos democratizaram serviços que anteriormente eram associados a uma parcela restrita da população, como ter um motorista à disposição ou escolher imóveis para temporadas em outros países.
“A era dos agentes de IA traz esses superconcierges, mordomos, assistentes. As pessoas agora passam não só a ter o acesso, mas passam a ter uma equipe a seu dispor”, afirmou.
Essa utilidade, segundo o especialista, ajuda a explicar as projeções de crescimento. “A vida fica muito mais fácil e muito mais prática. Então o crescimento se dá por essa utilidade. A pessoa perde muito menos tempo e passa a contar com uma verdadeira equipe para ajudar em tarefas de trabalho, tarefas de lazer, tarefas cotidianas”, acrescentou.
Na prática, um consumidor poderá delegar atividades rotineiras sem necessariamente participar de todas as etapas. Arthur Igreja exemplifica com uma compra de supermercado: o usuário poderia mostrar ao agente o conteúdo de sua geladeira e simplesmente solicitar que resolva a reposição dos produtos.
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A mudança também exigirá adaptação das companhias. Para Arthur Igreja, uma das primeiras perguntas que as empresas precisam fazer é se seus sistemas tecnológicos conseguem conversar diretamente com agentes de IA.
“As empresas precisam pensar em dois pontos. Primeiro, os conectores de tecnologia. O que eu quero dizer com isso? Se os sistemas dela são capazes de conversar com esses agentes. E isso não é futuro, é presente”, ressaltou.
O segundo movimento envolve analisar a própria jornada do consumidor para identificar quais etapas podem ser delegadas. Na avaliação do especialista, existe uma diferença entre compras associadas a experiência e emoção e aquelas realizadas apenas para solucionar uma necessidade.
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“Se uma pessoa está indo comprar um item que é autoindulgência ou um presente, aquilo é muito bacana. Talvez ela continue fazendo isso ao vivo. Agora, um item que simplesmente é solução de problema, ela vai querer na hora delegar isso para o seu agente”, explicou.
Arthur Igreja acredita que o acesso aos agentes deve se tornar amplamente disseminado até o fim da década, em movimento semelhante ao ocorrido com a internet, mas potencialmente mais democratizado.
Para o especialista, a diferença fundamental está justamente na capacidade de continuar trabalhando depois que o usuário deixa de interagir diretamente com o sistema. Uma pessoa poderá entregar uma sequência de tarefas para que o agente execute durante dias ou semanas.
“Em 2030 nós temos qual cenário? Praticamente 100% da população com internet, com smartphones, com conexão de qualidade e o ferramental e agora os agentes de IA”, projetou.
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Arthur Igreja reconhece que fatores econômicos ou a falta de familiaridade com a tecnologia podem afastar parte da população, mas acredita que, entre aqueles que tiverem condições e interesse em utilizar os sistemas, “esse grupo vai ser a imensa maioria”.
Quanto maior a autonomia, porém, maiores serão também os riscos. Arthur Igreja coloca a identidade digital entre os principais problemas que precisarão ser solucionados, porque os agentes começarão a realizar operações em nome de pessoas e empresas.
“Esses agentes de IA vão passar a falar no nosso nome”, alertou. O desafio será comprovar que determinado sistema recebeu autorização legítima para executar uma operação.
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Segundo o especialista, o mercado já começa a desenvolver mecanismos semelhantes a uma biometria ou procuração digital para agentes, permitindo verificar se determinado sistema efetivamente está autorizado a representar uma pessoa.
“Imagine só que tem um agente de IA que, de repente, está batendo na porta de uma outra empresa falando: ‘Eu sou o agente da Cris Pelágio e estou aqui para concretizar essa operação’. Mas, na verdade, não foi autorizado”, exemplificou.
Outro fenômeno destacado por Arthur Igreja é a possibilidade de um agente terceirizar tarefas. Segundo ele, já existem casos em que sistemas recebem uma missão e subcontratam outros agentes ou até pessoas para executar determinadas etapas.
“Um agente de IA recebeu uma tarefa e, pasmem, ele subcontratou outros agentes de IA ou até mesmo outros seres humanos”, afirmou.
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O especialista citou uma plataforma que permite contratar pessoas para atividades físicas que uma inteligência artificial não consegue executar, como buscar um documento em um cartório. Para Arthur Igreja, exemplos desse tipo mostram que a discussão deixou de pertencer exclusivamente ao campo das projeções.
“Tudo que eu estou falando aqui não é futuro, é presente”, enfatizou.
A expansão desse modelo pode abrir questões que ainda não possuem respostas claras, inclusive sobre relações de trabalho e responsabilidade jurídica. “Será que isso configura alguma relação empregatícia? Como é que a Justiça vai entender esse tipo de coisa?”, questionou.
Para Arthur Igreja, é justamente essa combinação de utilidade e novos riscos que deverá acompanhar a disseminação dos agentes. “Mais uma vez, tecnologia trazendo, para variar, desafios e possibilidades inéditas”, concluiu.
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