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Corrida da IA virou disputa por infraestrutura e soberania tecnológica
Publicado 10/06/2026 • 10:56 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 10/06/2026 • 10:56 | Atualizado há 1 hora
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A inteligência artificial deixou de ser apenas uma corrida entre empresas de tecnologia e passou a se tornar uma disputa entre países por infraestrutura estratégica, afirma Pedro Burgos, professor do Insper e especialista em IA. Segundo ele, a expansão da capacidade computacional se consolidou como um dos principais pilares da competição tecnológica global.
Nesse contexto, o anúncio da China de investir cerca de US$ 295 bilhões (R$ 1,53 trilhão) em data centers até 2028 reforça essa mudança de cenário. Para Burgos, porém, o valor financeiro não é o aspecto mais importante da iniciativa. “A cifra em si talvez seja menos relevante do que a proposta de usar cada vez mais componentes internos. A política da China agora é usar 80% de insumos internos, tanto em software quanto em hardware”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (10).
O especialista destaca que, embora o plano seja ambicioso, ele ainda fica abaixo dos investimentos anunciados pelas gigantes americanas de tecnologia. “Google, Amazon e Meta estão investindo aproximadamente US$ 700 bilhões (R$ 3,63 trilhões) em data centers só neste ano. O plano chinês vai até 2028”, comparou.
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Para ele, a estratégia de nacionalização da cadeia produtiva pode acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial chinesa de forma mais efetiva do que os recursos públicos destinados ao setor. “Isso pode acelerar bastante, até mais que o dinheiro estatal, o avanço chinês na corrida da IA”, ressaltou.
Burgos avalia que o mercado financeiro tem demonstrado cada vez menos preocupação com a possibilidade de os investimentos bilionários em inteligência artificial não gerarem retorno.
“A gente tem ouvido muito menos hoje a discussão sobre bolha ou não. Os mercados não estão apostando mais que esse investimento não vai se pagar”, afirmou. Como exemplo, ele cita as elevadas avaliações das empresas do setor, como a Anthropic, que pode alcançar valor próximo de US$ 1 trilhão (R$ 5,19 trilhões) em uma eventual abertura de capital.
Segundo o especialista, a crescente adoção dos modelos de IA continua impulsionando uma demanda intensa por capacidade computacional em diversas regiões do mundo.
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“Existe uma demanda muito grande por data centers e os players ocidentais mal estão dando conta de atender o mercado americano, europeu e brasileiro, quanto menos o chinês”, disse.
Na avaliação de Burgos, o fortalecimento da infraestrutura chinesa não deve provocar mudanças relevantes nas perspectivas das grandes empresas ocidentais ligadas à inteligência artificial.
Ele reconhece que existe preocupação sobre a perda de participação de mercado por parte da Nvidia, que possui forte presença no país asiático. “A Nvidia já vendeu US$ 30 bilhões para a China, mas a demanda crescente por capacidade computacional continua sustentando o mercado”, observou.
Para o professor, a chegada da chamada IA agêntica tende a ampliar ainda mais a necessidade de processamento e infraestrutura. “A demanda parece infinita no momento. Eu não acho que isso vai mexer tanto nos valores das empresas americanas porque o mercado continua crescendo muito”, afirmou.
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Ao analisar o papel do Brasil nesse cenário, Burgos acredita que o país pode ocupar um espaço relevante na cadeia global da inteligência artificial, especialmente na área de infraestrutura.
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Seguir no Google“O Brasil vai participar de qualquer jeito, do mesmo jeito que participou da internet”, afirmou. Segundo ele, o histórico brasileiro mostra maior capacidade de adaptação e aplicação de tecnologias do que de criação das plataformas centrais.
Na avaliação do especialista, uma oportunidade está na atração de investimentos para a instalação de data centers em regiões com energia abundante e renovável. “Os americanos estão tendo dificuldade de achar lugares que tenham permissões e energia para construir esses data centers. O Brasil tem ótima mão de obra para construção, energia abundante e poderia entrar nessa briga”, disse.
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Burgos observa ainda que a própria China pretende concentrar parte de seus novos centros de processamento em regiões mais afastadas dos grandes polos industriais, estratégia que poderia ser replicada em algumas áreas do território brasileiro.
“Uma forma de desenvolver regiões que têm energia abundante e renovável seria justamente atrair esse tipo de investimento, sempre com os cuidados ambientais necessários”, concluiu.
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