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Primeira Copa da inteligência artificial terá avatar de jogadores, promete VAR em segundos e menor delay
Publicado 10/06/2026 • 10:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 10/06/2026 • 10:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Divulgação: Lenovo
Tecnologia da Copa pode chegar ao Brasileirão em modelo de assinatura mensal, garante executivo da Lenovo
Hoje eu queria escrever sobre o novo modelo da Anthropic, o Fable, lançado nesta terça-feira (9), também queria dar uns pitacos sobre o WWDC e as novidades da Apple, mas uma conversa com Valério Mateus, gerente geral de Serviços e Soluções da Lenovo para a América Latina, me fez adiantar o assunto Copa do Mundo.
2026 será a primeira Copa da inteligência artificial. O leitor atento vai protestar dizendo que em 2022 a IA já existia, e tem razão, o ChatGPT foi lançado em 30 de novembro daquele ano, em plena fase de grupos do Catar, quando a seleção brasileira ainda alimentava esperanças. Mas alguém se lembra da Copa que viu quando tinha menos de um ano de idade? A IA que acompanhou o Catar era um recém-nascido no colo da OpenAI. A que chega ao torneio da América do Norte ainda não atingiu a maturidade, mas aprendeu a andar, a falar e, pelo visto, a traçar linha de impedimento.
Então vamos a algumas das ótimas novidades que prometem agradar aos espectadores.
Uma Copa do Mundo supertecnológica não é nenhuma novidade. O torneio é a vitrine para todos os torneios esportivos do mundo e sempre está a frente de seu tempo, com o que há de mais moderno em tecnologia e telecomunicações.
É um prato cheio para os patrocinadores oficiais. Em 2026, a chinesa Lenovo terá a chance de mostrar ao mundo seu potencial tecnológico, para ir além de ser uma marca de notebooks e tablets.
Quando a bola rolar no gramado do Azteca, na quinta-feira (11), 16h (Brasília) para a partida de abertura, cada um dos 16 estádios do torneio estará coberto por uma média de 150 câmeras, parte de um sistema de 2.400 espalhadas entre Estados Unidos, Canadá e México, todas conversando com um sensor embutido na bola, com salas de processamento montadas dentro do próprio estádio e com servidores instalados em Dallas, no Texas.
É essa parafernália que o Valério me explicou em detalhes, e que prometeu que vai melhorar a experiência do telespectador, a começar pela tecnologia que vai reduzir o maior inimigo de todo assinante de streaming.
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Esse inimigo é o delay, e todo torcedor que acompanha futebol pela internet conhece o suplício. O vizinho grita gol pela janela, o celular apita com a notificação e a bola ainda está saindo do meio de campo na sua tela. Parte desse atraso é culpa da própria internet, do 4G, do Wi-Fi sobrecarregado, e contra isso não há patrocinador que dê jeito. Mas uma fatia gorda do delay nascia antes, no caminho entre a câmera que capta o lance e o momento em que a imagem fica disponível para as plataformas transmitirem.

Foi essa fatia que a Lenovo atacou. A empresa montou em cada estádio uma estrutura local de processamento que capta a imagem, trata e entrega pronta para o streaming em milissegundos, praticamente no mesmo instante do sinal tradicional de TV. Antes o sinal ia para a nuvem, batia no servidor, voltava e era distribuiída. No sistema interno de distribuição do torneio, o IPTV que abastece mais de mil telas em fan zones e tribunas de imprensa, a latência total caiu para menos de cinco segundos.
🔍 Edge computing é o processamento feito localmente, perto de onde o dado nasce, em vez de mandar tudo para um data center distante. No estádio, isso elimina a viagem de ida e volta da imagem até a nuvem, que custava segundos preciosos.
Quem acompanhou o Mundial de Clubes do ano passado lembra da câmera presa ao árbitro, aquela visão em primeira pessoa do pênalti que rendeu engajamento e dor de cabeça em igual medida, porque o juiz corre, freia, gira, e a imagem balançava tanto que muitas vezes não dava para entender o lance.
"Não existe estabilizador físico que caiba na orelha de um homem em movimento, então a solução veio por software", apontou Mateus. Um algoritmo de inteligência artificial estabiliza a imagem depois da captação, rodando nos servidores dentro do estádio, com a promessa de 50% menos distorção de movimento. Se o processamento dependesse de uma nuvem distante, o replay do pênalti chegaria dez segundos atrasado, e replay atrasado em futebol é notícia velha.
A Lenovo também fornece o hardware e a infraestrutura que sustentam a Hawk-Eye, parceira de tecnologia da FIFA para o VAR, e é aí que a soma de sensores e o edge computing (processamento local) promete atacar o maior anticlímax do futebol moderno, aqueles três, quatro, cinco minutos de jogo parado enquanto o árbitro de vídeo desenha linhas estádio inteiro especula.
O sensor dentro da bola registra o instante exato do passe, as câmeras rastreiam a posição de cada jogador e, pela primeira vez na história das Copas, a marcação semiautomatizada de impedimento chega direto ao ponto de escuta do árbitro em campo. O lance duvidoso passa a ser analisado dentro do próprio estádio, em segundos, sem a viagem do sinal até um data center distante e de volta.
A FIFA escaneou digitalmente todos os jogadores das 48 seleções, em alta resolução, com as proporções exatas de perna, braço, cotovelo e, garante a Lenovo, até o tamanho da chuteira. Quando o VAR traça a linha do impedimento, o sistema troca o jogador de carne e osso pelo seu gêmeo digital e mostra o lance sob qualquer ângulo, da visão do bandeirinha à do próprio atacante, para que o torcedor entenda a decisão em vez de apenas aceitá-la. A animação ficará disponível para as transmissões e para quem estiver no estádio, que poderá pedir o replay da jogada num tablet, sem depender do telão.
Por trás dos avatares funciona o FIFA AI Pro, uma inteligência artificial generativa treinada durante 16 meses exclusivamente com o acervo de dados da FIFA, capaz de processar 2 mil métricas e responder perguntas de treinador, do tipo qual a principal jogada de ataque do adversário nas últimas partidas.
Seleções e equipes ricas sempre tiveram, nas palavras de Valério, um pequeno exército de analistas de dados a serviço do técnico. As pobres, não. Agora todas as 48 recebem a mesma ferramenta, antes, durante e depois de cada jogo. "O FIFA AI Pro nivela o jogo", resume o executivo.
Resta a pergunta que o leitor provavelmente já se fez, se tudo isso funciona na Copa, por que não no Brasileirão, na Libertadores, na Série B?
Fiz exatamente essa questão ao Valério, lembrando que num campeonato a estrutura precisaria estar em todos os estádios, porque não existe justiça esportiva em ter impedimento milimétrico numa arena e bandeirinha a olho nú na outra. A resposta foi que a implementação é perfeitamente viável. O investimento em câmeras e processamento, segundo ele, é pequeno perto do custo de uma arena completa, e a Lenovo participa de projetos de arenas multiuso na América Latina em que a fatia da tecnologia é das menores do orçamento.
Mais importante para a realidade brasileira, o pacote pode ser contratado como serviço, com mensalidade que casa com o fluxo de receita dos estádios e dispensa o cheque inicial gordo que costuma travar qualquer conversa com dirigente de futebol. E existe precedente de versão econômica, ligas europeias já rodam sistemas parecidos de impedimento semiautomatizado com outro sistema, utilizando iPhones, algumas filmando o gramado com pouco mais de uma dezena de aparelhos.
A tecnologia, portanto, está pronta, tem plano de assinatura e cabe no orçamento de um esporte que movimenta bilhões por temporada. O que ainda não se escaneou em alta resolução é a vontade dos cartolas de por isso pra jogo.
Leia as outras colunas de AI-451.
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