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Empresas voltam a se alinhar ao Estado na era da IA, diz Álvaro Machado Dias
Publicado 28/04/2026 • 15:40 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 28/04/2026 • 15:40 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
A neutralidade política das grandes empresas está perdendo espaço e o alinhamento entre corporações e interesses de Estado voltou a ser a regra no capitalismo global. A avaliação é de Álvaro Machado Dias, neurocientista, professor da Unifesp e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao analisar o novo protagonismo político de companhias ligadas à inteligência artificial e defesa.
Segundo ele, a percepção de que o atual momento seria uma distorção histórica está equivocada. “Na verdade, a nossa intuição de que vivemos um período estranho está historicamente errada. A regra sempre foi o alinhamento geopolítico das grandes empresas”, afirmou, durante sua participação no Real Time, jornal do Times Brasil, nesta terça-feira (28)
Para sustentar a tese, Álvaro citou exemplos históricos de companhias que atuaram diretamente conectadas ao poder nacional, como Companhia das Índias Orientais, Standard Oil e Boeing. “O que houve foi uma exceção temporária no capitalismo moderno, e não o contrário”, explicou.
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Na visão do especialista, o intervalo entre 1995 e 2015 representou um momento singular após a queda do Muro de Berlim, quando a liderança americana parecia incontestável e reduzia pressões geopolíticas sobre o setor privado.
“Nesse período de ouro, a vitória americana era tão clara que as empresas podiam se dar ao luxo de serem agnósticas e neutras”, ressaltou.
Esse cenário, no entanto, mudou com a ascensão de novos polos de poder. “Agora, com a ascensão da China, a reorganização dos BRICS e a polarização interna nos Estados Unidos, voltamos ao paradigma clássico”, pontuou.
Segundo ele, a tendência é ainda mais evidente em setores estratégicos como defesa, dados e inteligência artificial.
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Álvaro argumentou que interpretar manifestos corporativos recentes apenas como ação de marketing é uma leitura superficial, especialmente no universo da inteligência artificial aplicada à segurança. “No mundo da Inteligência Artificial, as tecnologias são fortemente consequencialistas. Não estamos falando apenas de software comum”, frisou.
Ele destacou que essas ferramentas já participam de decisões críticas em ambientes militares e estratégicos. “Estamos falando de seleção de alvos para mísseis e decisões rápidas em campos de batalha onde vida e morte estão em jogo”, destacou.
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Siga o Times | CNBCNa prática, isso aproxima empresas de tecnologia dos interesses nacionais de defesa e soberania. “A hegemonia pela força depende desses alinhamentos. Portanto, não é puro marketing; existe base ideológica real”, observou.
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Ao projetar esse movimento para o mercado brasileiro, o neurocientista disse que companhias mais propensas a adotar posicionamentos públicos seriam ligadas a cadeias críticas de suprimentos tecnológicos. “As empresas mais propensas a isso seriam as ligadas à extração e refino de Nióbio ou Terras Raras”, afirmou.
Esses minerais são considerados estratégicos para baterias, semicondutores, defesa e transição energética, o que pode ampliar sua relevância geopolítica nos próximos anos.
Ainda assim, ele avalia que o discurso brasileiro seguiria caminho diferente do observado em potências rivais. “O idioma desse manifesto brasileiro seria o oposto do da Palantir: seria o da neutralidade estratégica”, explicou.
Para Álvaro, o tom provável de empresas nacionais seria pragmático, buscando preservar autonomia comercial e política diante da disputa entre Estados Unidos e China.
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“Nós, como Brasil, não devemos nos alinhar automaticamente nem aos chineses, nem aos americanos. Devemos manter nossa neutralidade para negociar nossos ativos conforme for mais conveniente para o país”, concluiu.
Na avaliação do especialista, a era da inteligência artificial está recolocando empresas no centro da disputa entre potências, encerrando a fase em que grandes corporações podiam operar distantes das tensões geopolíticas.
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