Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Empresas voltam a se alinhar ao Estado na era da IA, diz Álvaro Machado Dias
Publicado 28/04/2026 • 15:40 | Atualizado há 2 semanas
eBay rejeita proposta de aquisição de US$ 56 bilhões da GameStop
Traders tratam gigante tradicional de tecnologia como a próxima ‘meme stock’
Casa Branca diz que IA ainda não elimina empregos, apesar de demissões no setor de tecnologia
Rali de 160% da Alphabet em um ano reflete valor de controlar “grande parte da cadeia” da IA
China busca reduzir dependência do dólar ao ampliar uso global do yuan, diz professor da FGV
Publicado 28/04/2026 • 15:40 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A neutralidade política das grandes empresas está perdendo espaço e o alinhamento entre corporações e interesses de Estado voltou a ser a regra no capitalismo global. A avaliação é de Álvaro Machado Dias, neurocientista, professor da Unifesp e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao analisar o novo protagonismo político de companhias ligadas à inteligência artificial e defesa.
Segundo ele, a percepção de que o atual momento seria uma distorção histórica está equivocada. “Na verdade, a nossa intuição de que vivemos um período estranho está historicamente errada. A regra sempre foi o alinhamento geopolítico das grandes empresas”, afirmou, durante sua participação no Real Time, jornal do Times Brasil, nesta terça-feira (28)
Para sustentar a tese, Álvaro citou exemplos históricos de companhias que atuaram diretamente conectadas ao poder nacional, como Companhia das Índias Orientais, Standard Oil e Boeing. “O que houve foi uma exceção temporária no capitalismo moderno, e não o contrário”, explicou.
Leia também: China bloqueia aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta
Na visão do especialista, o intervalo entre 1995 e 2015 representou um momento singular após a queda do Muro de Berlim, quando a liderança americana parecia incontestável e reduzia pressões geopolíticas sobre o setor privado.
“Nesse período de ouro, a vitória americana era tão clara que as empresas podiam se dar ao luxo de serem agnósticas e neutras”, ressaltou.
Esse cenário, no entanto, mudou com a ascensão de novos polos de poder. “Agora, com a ascensão da China, a reorganização dos BRICS e a polarização interna nos Estados Unidos, voltamos ao paradigma clássico”, pontuou.
Segundo ele, a tendência é ainda mais evidente em setores estratégicos como defesa, dados e inteligência artificial.
Leia também: Ações da Intel disparam após sinalizar retomada e avanço na corrida da inteligência artificial
Álvaro argumentou que interpretar manifestos corporativos recentes apenas como ação de marketing é uma leitura superficial, especialmente no universo da inteligência artificial aplicada à segurança. “No mundo da Inteligência Artificial, as tecnologias são fortemente consequencialistas. Não estamos falando apenas de software comum”, frisou.
Ele destacou que essas ferramentas já participam de decisões críticas em ambientes militares e estratégicos. “Estamos falando de seleção de alvos para mísseis e decisões rápidas em campos de batalha onde vida e morte estão em jogo”, destacou.
Na prática, isso aproxima empresas de tecnologia dos interesses nacionais de defesa e soberania. “A hegemonia pela força depende desses alinhamentos. Portanto, não é puro marketing; existe base ideológica real”, observou.
Leia também: Meta assina acordo multibilionário com Amazon para usar chips em inteligência artificial
Ao projetar esse movimento para o mercado brasileiro, o neurocientista disse que companhias mais propensas a adotar posicionamentos públicos seriam ligadas a cadeias críticas de suprimentos tecnológicos. “As empresas mais propensas a isso seriam as ligadas à extração e refino de Nióbio ou Terras Raras”, afirmou.
Esses minerais são considerados estratégicos para baterias, semicondutores, defesa e transição energética, o que pode ampliar sua relevância geopolítica nos próximos anos.
Ainda assim, ele avalia que o discurso brasileiro seguiria caminho diferente do observado em potências rivais. “O idioma desse manifesto brasileiro seria o oposto do da Palantir: seria o da neutralidade estratégica”, explicou.
Para Álvaro, o tom provável de empresas nacionais seria pragmático, buscando preservar autonomia comercial e política diante da disputa entre Estados Unidos e China.
Leia também: Inteligência artificial avança no e-commerce e ajuda pequenos negócios a ganhar escala
“Nós, como Brasil, não devemos nos alinhar automaticamente nem aos chineses, nem aos americanos. Devemos manter nossa neutralidade para negociar nossos ativos conforme for mais conveniente para o país”, concluiu.
Na avaliação do especialista, a era da inteligência artificial está recolocando empresas no centro da disputa entre potências, encerrando a fase em que grandes corporações podiam operar distantes das tensões geopolíticas.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
BC multa Banco Topázio em R$ 16,2 milhões, veta operações com cripto e põe outras instituições no radar
2
Ex-jogador de vôlei e ex-ESPN está entre sócios da Naskar, fintech que sumiu com quase R$ 1 bilhão de clientes
3
Rombo contábil de R$ 5 bilhões na Aegea afeta Itaúsa e adia planos de IPO
4
Enjoei encerra operações da Elo7 após queda de receita e pressão de gigantes do e-commerce
5
Linha do tempo: como os sócios da Naskar abandonaram a sede e sumiram com o dinheiro de investidores