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Nova IA da DeepSeek reforça avanço da China em soberania digital

Publicado 27/04/2026 • 19:19 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Professor da PUC-SP diz que a DeepSeek mostra avanço da China em software e semicondutores.
  • Modelos chineses de código aberto permitem execução local e atraem governos e startups, segundo Cortiz.
  • Estratégia chinesa pressiona o modelo das Big Techs dos EUA e amplia a disputa por soberania tecnológica.

O novo modelo da DeepSeek reforça o avanço da China em inteligência artificial e sinaliza uma nova etapa da disputa por soberania digital, afirmou Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e especialista em tecnologia, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Cortiz disse que o lançamento vai além do desempenho do chatbot e representa uma mensagem geopolítica sobre a capacidade chinesa de operar com infraestrutura própria.

“O novo modelo da DeepSeek consolida a trajetória chinesa e mostra ao mundo que a China entrou de vez para o jogo. Mais do que o chatbot, a mensagem é que o sistema funciona com os próprios chips da Huawei, que hoje já suprem a necessidade que os chips da Nvidia exportados para a China atingiam, colocando-se como uma alternativa eficiente em semicondutores”, afirmou.

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Segundo o professor, a estratégia chinesa de apostar em modelos de código aberto tem atraído governos e startups em diferentes países. A possibilidade de baixar e executar os sistemas localmente, disse ele, reduz a dependência de plataformas controladas por empresas americanas.

“Diferente de empresas como OpenAI ou Google, que oferecem acesso via API que pode ser cortado por questões geopolíticas, os modelos chineses permitem o download e execução local. Muitos países estão adotando tecnologias como o DeepSeek, o Kimi ou o Qwen, da Alibaba, para garantir sua própria soberania tecnológica”, disse.

Cortiz afirmou que a disputa também passa pela cadeia de semicondutores. Segundo ele, o governo chinês passou a restringir a importação de versões inferiores de chips da Nvidia para estimular a adoção de componentes nacionais.

“O governo chinês entendeu que a indústria nacional já fornece chips com capacidade similar para a demanda interna de IA. Ao forçar as empresas locais a utilizarem semicondutores da Huawei, eles fortalecem todo o ecossistema e entram muito rápido na disputa que antes era dominada exclusivamente pelos Estados Unidos”, afirmou.

Na avaliação do professor, a eficiência de custos dos modelos chineses também aumenta o debate sobre o volume de investimentos em infraestrutura de IA nos Estados Unidos. Ele disse que soluções de menor custo e implementação flexível criam uma alternativa ao padrão dominante no Vale do Silício.

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“Existe uma discussão crescente sobre a eficiência do gasto tecnológico americano. O sucesso de modelos de baixo custo, como os da Alibaba, com quem estive reunido recentemente, mostra que a China está criando padrões que se diferenciam pela acessibilidade e pela flexibilidade de implementação em infraestruturas locais”, afirmou.

Para Cortiz, o avanço chinês muda a dinâmica da chamada “Guerra Fria Digital” e aponta para um ambiente tecnológico mais multipolar.

“Um relatório recente do Congresso dos Estados Unidos classificou essa preferência global por tecnologias chinesas como uma grande ameaça à soberania tecnológica americana. O que vemos agora não é apenas uma disputa entre duas potências, mas o surgimento de alternativas reais de infraestrutura e inteligência para o resto do mundo”, disse.

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