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Tecnologia & Inovação

Roche e Nvidia inauguram ‘fábrica de IA’ para acelerar desenvolvimento de medicamentos e diagnósticos

Publicado 19/03/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Roche opera maior infraestrutura de inteligência artificial em nuvem híbrida do setor farmacêutico, com mais de 3.500 GPUs Blackwell da NVIDIA instaladas nos EUA e na Europa
  • Plataforma Lab-in-the-Loop conecta experimentos biológicos e químicos a modelos de IA para testar hipóteses em escala e acelerar descobertas científicas
  • Roche investiu mais de R$ 590 milhões em pesquisa clínica no Brasil em 2025, com mais de 100 estudos em andamento e 2.890 pacientes em 216 centros de pesquisa
Inteligência Artificial

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Inteligência Artificial

A big pharma suíça Roche anunciou a expansão de sua infraestrutura global de inteligência artificial com o lançamento de uma fábrica de IA de larga escala, desenvolvida em parceria com a Nvidia. Com a adição de 2.176 GPUs Blackwell instaladas localmente nos Estados Unidos e na Europa, a farmacêutica passa a operar um parque computacional de mais de 3.500 GPUs, a maior pegada de computação gráfica já anunciada por uma empresa do setor farmacêutico.

A iniciativa marca a próxima fase de uma colaboração entre as duas empresas iniciada em 2023 e tem como objetivo acelerar o desenvolvimento de medicamentos e soluções de diagnóstico por meio de dados de alta qualidade e modelos de IA de última geração.

Leia também: Nvidia e Eli Lilly investirão US$ 1 bi ao longo de cinco anos em laboratório conjunto de IA

Ciência conectada a supercomputadores

No coração da estrutura está o sistema Lab-in-the-Loop, plataforma que conecta experimentos biológicos e químicos diretamente aos modelos de inteligência artificial da Roche. A integração permite que cientistas testem hipóteses em escala e realizem descobertas antes consideradas impossíveis dentro dos prazos tradicionais de pesquisa.

“Na área da saúde, o tempo é a variável mais crítica; cada dia economizado significa que um medicamento ou diagnóstico chega mais cedo ao paciente”, afirmou Wafaa Mamilli, diretora digital e de tecnologia da Roche.

A plataforma Nvidia BioNeMo aprimora o sistema Lab-in-the-Loop, enquanto gêmeos digitais, réplicas virtuais de linhas de produção alimentadas por bibliotecas Nvidia Omniverse, permitem que engenheiros otimizem processos de fabricação. Na área de diagnósticos, o software Nvidia Parabricks extrai informações de grandes conjuntos de dados, e tecnologias de patologia digital escaneiam imagens em busca de padrões sutis de doenças.

Inteligência artificial do laboratório à linha de produção

Aviv Regev, vice-presidente executiva e chefe de pesquisa e desenvolvimento da Genentech, braço de pesquisa da Roche, destacou que a nova infraestrutura permite construir modelos preditivos mais sofisticados. “Nossos cientistas podem encurtar ainda mais o caminho entre o conhecimento biológico e o medicamento que salva vidas”, disse.

A fábrica de inteligência artificial integra toda a cadeia de valor da empresa, da descoberta ao desenvolvimento, fabricação e comercialização. Para garantir segurança nas aplicações médicas, a Roche utiliza o Nvidia NeMo Guardrails, ferramenta que assegura respostas confiáveis em sistemas de IA conversacional de uso clínico.

Brasil recebe R$ 590 milhões em pesquisa clínica

O investimento global em inteligência artificial se conecta diretamente ao Brasil. Em 2025, a Roche aportou mais de R$ 590 milhões em pesquisa clínica no país, somando mais de R$ 1,7 bilhão nos últimos três anos. Atualmente, são mais de 100 estudos clínicos em andamento, com mais de 40 moléculas investigadas e participação de 2.890 pacientes distribuídos por 216 centros de pesquisa em todas as regiões do país.

No campo da capacitação, a Roche Farma Brasil encerrou 2025 com 100% dos funcionários treinados para o uso de inteligência artificial, por meio do programa interno EverydayAI. A iniciativa de seis semanas combinou aulas digitais e presenciais, abordando fundamentos, uso ético da tecnologia e aplicações práticas. Ao final, 89% dos participantes seguiram usando IA em suas atividades diárias.

🔍 GPU significa “Graphics Processing Unit”, ou unidade de processamento gráfico. Criadas originalmente para renderizar imagens em videogames, essas unidades se tornaram indispensáveis para a inteligência artificial por uma razão simples: conseguem executar milhares de cálculos matemáticos ao mesmo tempo. As CPUs, os processadores tradicionais presentes em computadores e servidores, trabalham em sequência, resolvendo uma tarefa de cada vez com alta precisão. As GPUs fazem o oposto: processam enormes volumes de dados em paralelo, com velocidade muito superior. Para treinar modelos de IA, que exigem bilhões de operações simultâneas, essa diferença é decisiva. A NVIDIA, maior fabricante mundial de GPUs, se tornou uma das empresas mais valiosas do mundo justamente por dominar esse mercado. Seus chips Blackwell, usados na fábrica de IA da Roche, representam a geração mais avançada dessa tecnologia disponível hoje.

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