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TIMES | CNBC LAWINFRA: Data centers pressionam rede elétrica e exigem mais previsibilidade, diz Sérgio Leverdi
Publicado 27/08/2026 • 17:16 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 27/08/2026 • 17:16 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O avanço dos data centers no Brasil expõe um descompasso entre a velocidade de construção desses empreendimentos e o tempo necessário para ampliar a infraestrutura elétrica que os atende, afirmou Sérgio Leverdi, CEO e fundador da LAWINFRA.
No TIMES | CNBC LAWINFRA, quadro do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC dedicado aos principais debates sobre infraestrutura, investimentos e segurança jurídica, Leverdi afirmou que o país reúne condições para ganhar espaço na corrida global por data centers, mas precisa acelerar decisões regulatórias e aumentar a previsibilidade para investidores.
“Um data center demora dois anos para ser construído. Já uma rede de transmissão que vai levar a energia para esse data center demora de cinco a sete anos”, afirmou.
Segundo ele, uma alternativa seria permitir que os próprios empreendedores construíssem parte da infraestrutura de transmissão necessária para seus projetos.
“Talvez uma boa proposta seria permitir que os empreendedores do data center fizessem a sua própria linha de transmissão”, disse.
Leia também: Climate Week 2026: segurança jurídica é ‘infraestrutura invisível’ para atrair investimentos
Leverdi citou dados do Ministério de Minas e Energia segundo os quais projetos de data centers apresentaram, em junho, solicitações equivalentes a 38 GW de acesso à rede.
“Esse número de 38 GW é muito expressivo. Representa, por exemplo, duas vezes e meia a capacidade instalada de Itaipu”, afirmou.
Após a aplicação de critérios de acesso ao sistema de transmissão, o volume de pedidos considerados firmes caiu para aproximadamente 8 GW, segundo o executivo.
Para Leverdi, ainda assim a demanda evidencia a pressão que a expansão da infraestrutura digital pode exercer sobre o sistema elétrico brasileiro.
O executivo afirmou que o crescimento da inteligência artificial precisa ser analisado também a partir da infraestrutura física que sustenta a tecnologia.
“A inteligência artificial é muito menos imaterial do que se imagina”, disse.
“Ela ocupa um terreno, ela tem um CEP e uma conta de luz.”
Leverdi lembrou que data centers exigem fornecimento constante de eletricidade e estruturas de refrigeração, além de consumo de água em determinadas configurações.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia citados por ele, os data centers consumiram o equivalente a 485 TWh de eletricidade em 2025, e esse volume pode chegar a 980 TWh em 2030.
“Isso é o consumo de toda a energia elétrica do Japão”, afirmou.
Na avaliação de Leverdi, a disponibilidade de eletricidade passa, portanto, a funcionar como um limite concreto para a expansão da inteligência artificial.
Para o CEO da LAWINFRA, o Brasil tem condições favoráveis para disputar novos projetos.
Ele citou dados da Empresa de Pesquisa Energética segundo os quais 86% da geração elétrica brasileira em 2025 veio de fontes renováveis, com eólica e solar respondendo por cerca de um terço desse volume.
“A infraestrutura digital está procurando um lugar onde a sustentabilidade reina, como é o caso do Brasil”, afirmou.
Segundo Leverdi, o país combina três atributos importantes: energia renovável, custo competitivo e disponibilidade territorial.
“Hoje a infraestrutura não quer atrapalhar a sustentabilidade, ela quer remunerar a sustentabilidade. E por isso o Brasil tem um grande diferencial”, disse.
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Siga o Times | CNBCLeverdi comparou as condições brasileiras às de outros mercados que também buscam atrair data centers.
Nos Estados Unidos, segundo ele, o acesso à rede elétrica já enfrenta restrições em algumas regiões, além de custos de energia mais elevados e discussões sobre o consumo de água.
No Oriente Médio, o executivo destacou a disponibilidade de energia e potencial solar, mas apontou limitações relacionadas à água. Já a Índia possui disponibilidade de mão de obra, mas uma matriz elétrica com maior participação térmica, segundo sua avaliação.
“Nenhum desses países reúne os três atributos como o Brasil. Estamos falando de energia renovável a um bom custo e capacidade territorial”, afirmou.
Apesar das vantagens, Leverdi afirmou que o país precisa oferecer maior estabilidade regulatória.
Ele citou o Redata, programa de incentivos a data centers que, segundo ele, perdeu validade, como exemplo da dificuldade criada quando regras são adotadas e depois deixam de vigorar.
“Quando você tem uma regra e ela deixa de existir, depois ela volta, nós estamos falando de falta de confiança, previsibilidade”, afirmou.
Para o executivo, incentivos tributários são relevantes, mas a estabilidade das regras tem peso igualmente importante nas decisões de investimento.
Leverdi disse que, nos próximos meses, investidores devem acompanhar três frentes: uma eventual retomada do Redata, os próximos leilões relacionados à capacidade de energia e mudanças nas regras de licenciamento ambiental.
“Precisamos de previsibilidade e precisamos de celeridade na análise dessa infraestrutura digital”, afirmou.
Leia também: TIMES | CNBC LAWINFRA: Previsibilidade contratual é maior gargalo da infraestrutura, diz Sérgio Leverdi
Questionado sobre o risco de consumidores residenciais arcarem com parte dos custos da expansão da infraestrutura necessária aos data centers, Leverdi disse que o efeito dependerá do modelo regulatório.
“Depende do modelo regulatório”, afirmou.
Segundo ele, existe espaço para definir regras que distribuam esses custos de maneira diferente antes que o mercado cresça ainda mais.
Leverdi avaliou que, mesmo sem competir em todas as etapas da indústria global de inteligência artificial, o Brasil pode ocupar uma posição relevante ao atrair a infraestrutura necessária para processamento e armazenamento de dados.
“Nós temos capacidade de acelerar nessa corrida. O Brasil tem todos esses atributos”, afirmou.
Para ele, o avanço dependerá da coordenação entre setor elétrico, reguladores, empresas e demais agentes envolvidos.
“Se nós conseguirmos coordenar esse ambiente da energia elétrica, agência, reguladores e setor produtivo, eu creio que nós vamos passar à frente desses países e vamos surpreender”, disse.
O executivo ressaltou que a instalação de data centers envolve uma cadeia ampla, que vai além da tecnologia.
“Data center mexe com meio jurídico, telecomunicação, sistema fundiário, sistema de saneamento. Um data center no Brasil gera muitos empregos, traz divisas e, claro, nós queremos colaborar com isso”, afirmou.
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