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Mercado de arte brasileiro ainda é jovem e está em evolução, diz diretora-geral da SP-Arte Rotas

Publicado 28/08/2026 • 21:17 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Quinta edição amplia presença de galerias de diferentes regiões brasileiras e avança na conexão com o mercado latino-americano.
  • Fernanda Feitosa afirma que evento busca aproximar uma nova geração da arte e estimular a formação de novos colecionadores.
  • Obras na SP-Arte Rotas têm tíquete médio inferior ao da feira de abril, mas há trabalhos avaliados acima de R$ 1 milhão.

A SP-Arte Rotas quer ampliar as fronteiras do mercado brasileiro de arte e, ao mesmo tempo, aproximar uma nova geração de potenciais compradores e colecionadores, segundo Fernanda Feitosa, diretora-geral da SP-Arte. Em sua quinta edição, a feira reúne 70 galerias e aposta na descentralização da produção artística, com trabalhos de diferentes regiões do Brasil e maior presença latino-americana.

Em entrevista nesta sexta-feira (28) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Fernanda explicou que uma das novidades desta edição é justamente expandir o mapa geográfico da arte para além do eixo tradicional formado por São Paulo e Rio de Janeiro. “Esse ano nós tivemos uma novidade, que é expandir um pouco esse mapa geográfico da arte brasileira para além dos centros”, destacou.

A proposta alcança Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas também ultrapassa as fronteiras brasileiras. “Esse ano a gente traz um pouquinho mais e vai para a América Latina. É conectar o Brasil com essa região à qual ele pertence. No final das contas, somos todos latinos”, observou.

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Argentina ganha espaço na edição

Entre as participações internacionais, a Argentina tem presença especial, com três galerias, enquanto a feira também recebe representantes da Colômbia e da Itália.

Do Brasil, Fernanda citou galerias de Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Alagoas, Goiás e Minas Gerais, além das tradicionais participantes de São Paulo e Rio de Janeiro.

A diretora considera essa diversidade parte de um mercado que ainda está em processo de amadurecimento. “O mercado brasileiro é um mercado jovem. Enquanto a Europa tem mais de 500 anos, o nosso mercado mesmo tem pouco mais de 60. Então, é um mercado que ainda está em evolução”, avaliou.

Esse processo abre espaço também para a chegada de novos compradores e potenciais colecionadores, público que a SP-Arte procura aproximar do universo artístico.

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Feira quer formar nova geração de colecionadores

Segundo Fernanda, um dos objetivos da SP-Arte e da SP-Arte Rotas é promover um rejuvenescimento do público interessado em arte, aproximando novas gerações não apenas de galerias e exposições, mas também da possibilidade de comprar sua primeira obra.

“É trazer essa nova geração de compradores mais para perto da arte, não só para consumir frequentando os museus, frequentando galerias, frequentando as bienais, mas também eventualmente vir a adquirir a sua primeira obra de arte”, explicou.

Para a diretora-geral, feiras desse tipo cumprem uma função que vai além da comercialização. “No fundo, eventos como a SP-Arte são de formação de público, é educação, é aproximação da arte ao grande público”, ressaltou.

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A presença de famílias, crianças e escolas também faz parte dessa estratégia. “É muito importante que a cultura entre no dia a dia das pessoas desde cedo”, acrescentou.

Rotas funciona como laboratório para o mercado

Fernanda também diferenciou a SP-Arte tradicional, realizada em abril, da SP-Arte Rotas. Enquanto a primeira funciona como uma espécie de consagração do mercado, a segunda abre maior espaço para pesquisa e experimentação.

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A SP-Arte de abril ocorre há 23 anos no Pavilhão da Bienal e, segundo a diretora, tem como referência grandes feiras internacionais. O evento reúne 100 galerias de arte e 70 de design, além de participantes estrangeiros.

“É um momento de consagração do mercado”, definiu Fernanda. Já a Rotas ocupa outro estágio: “É um estágio inicial, laboratório, pesquisa, novidade, experimentação, talvez diálogos.”

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Nesse formato, as galerias apresentam projetos curados, que podem ser dedicados a um único artista ou estabelecer relações entre diferentes nomes, gerações, temas e linguagens.

“É uma feira que conduz o olhar, talvez leve o visitante a uma narrativa de pequenas histórias contadas em cada um dos estandes”, explicou. Para Fernanda, o formato funciona como “uma feira com uma mediação, uma feira comentada”.

Arte reflete territórios e identidades

A experimentação também está relacionada à maneira como os artistas incorporam suas próprias experiências e territórios às obras apresentadas.

“Todos os artistas que estão na feira trabalham a partir de experiências, conexões que eles têm, inclusive com o próprio entorno”, apontou Fernanda.

Essa proximidade, segundo ela, facilita a identificação do visitante com os trabalhos. “A arte é um reflexo do comportamento da sociedade e da identidade de um país ou de vários países. Então, na verdade, o público acaba se vendo no que está sendo mostrado nos diferentes espaços”, afirmou.

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Obras chegam a superar R$ 1 milhão

A SP-Arte Rotas também apresenta uma porta de entrada financeira mais acessível em comparação à edição principal. Segundo Fernanda, o tíquete médio fica entre R$ 10 mil e R$ 70 mil, enquanto na SP-Arte tradicional pode chegar a aproximadamente R$ 250 mil.

Isso não significa, porém, que a Rotas esteja restrita a trabalhos nessa faixa. “Temos também na SP-Arte Rotas agora obras a partir de R$ 1 milhão”, revelou. Entre os exemplos, ela citou um painel de Carybé avaliado acima de R$ 1 milhão.

Questionada sobre compradores que procuram obras pensando em valorização futura, Fernanda recomendou cautela ao tratar arte apenas como ativo financeiro. “As obras que você vai comprar, em primeiro lugar, devem ser obras de que você goste, obras em que você se reflita”, ponderou.

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Para a diretora, uma obra pode eventualmente se transformar em investimento, mas identificar antecipadamente quais trabalhos terão valorização está longe de ser simples. “Ela pode até virar um investimento, mas é para os iniciados. Não é exatamente uma coisa tão simples. Se fosse simples e a gente tivesse uma bola de cristal, a gente ganhava milhões”, concluiu.

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