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Churrasco com origem: por que o brasileiro está cada vez mais atento à carne que coloca na grelha
Publicado 09/04/2026 • 20:09 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 09/04/2026 • 20:09 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Intermezzo/Gabriel Martins
A UE enviará ao Brasil uma lista de informações adicionais sobre questões sanitárias envolvendo a exportação de produtos de origem animal.
O ritual do churrasco continua sendo um dos maiores símbolos de celebração no Brasil, mas o que está mudando é o olhar sobre o que vai para a grelha. Hoje, mais do que sabor e maciez, cresce o interesse pela origem, rastreabilidade e impacto da carne consumida.
Os consumidores estão mais exigentes, e os números comprovam isso. Segundo o estudo Sustainability Sector Index (SSI) da Kantar, 87% dos brasileiros afirmam que gostariam de consumir de forma mais sustentável, embora apenas 35% consigam colocar isso em prática. Entre os principais entraves estão o preço (citado por mais de 60% dos entrevistados), a falta de informação e a desconfiança nas marcas.
Esse movimento não é exclusivo do Brasil. Um levantamento global da consultoria NielsenIQ aponta que 73% dos consumidores no mundo dizem que mudariam seus hábitos para reduzir o impacto ambiental, enquanto mais de 60% estão dispostos a pagar mais por produtos com origem comprovadamente sustentável nos Estados Unidos, Europa e Ásia.
No setor de carnes, esse comportamento se traduz em uma busca crescente por transparência. De acordo com dados da Embrapa, a rastreabilidade e a certificação vêm ganhando espaço no país, impulsionadas tanto pelo mercado interno quanto pelas exigências internacionais. Hoje, o Brasil exporta carne bovina para mais de 150 países, muitos deles com protocolos rigorosos.
O avanço das carnes certificadas é um movimento concreto. Só em 2025, as exportações de carne Angus certificada cresceram 260%, enquanto o segmento Wagyu avançou cerca de 30% no Brasil. Esses produtos têm alcançado até 50% de valorização em relação à carne convencional.
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Siga o Times | CNBCAlém disso, pesquisas da CNI indicam que cerca de 70% dos brasileiros já consideram fatores ambientais e éticos, incluindo o bem-estar animal. É nesse contexto que as certificações deixam de ser um diferencial e passam a ser um pré-requisito.
Para Caio Penido, proprietário da marca SouBeef, a validação por terceira parte reduz a assimetria de informação. “Em uma cadeia produtiva longa e complexa, não basta afirmar qualidade. É preciso comprovar”, afirma. Essas auditorias avaliam critérios como segurança alimentar, governança e impacto ambiental.
Essa lógica se reflete nos restaurantes. Para Marcelo Maia, gerente de marketing do Pobre Juan, trabalhar com carnes certificadas garante consistência em escala. “Conseguimos ter total controle sobre a origem, o conceito do farm to fork, além de padronizar o marmoreio. O resultado se traduz diretamente em sabor.”
Cada setor possui sua gama de certificações. Iniciativas como o Instituto Onça-Pintada premiam propriedades que protegem a espécie e conservam a vegetação nativa. A SouBeef, validada pelo instituto, mantém mais de 40% da área conservada na Fazenda Água Viva.
A marca também recebeu a certificação da QIMA, tradicional em sustentabilidade e orgânicos, que realiza auditorias independentes. No setor da pecuária, programas como a Carne Angus Certificada e o Angus Sustentabilidade avaliam a genética e práticas de produção. Outro destaque é a Carne Wagyu Certificada, que assegura a rastreabilidade desde o nascimento com testes de DNA. O gado Angus, por exemplo, chega a ter um valor 25% maior no mercado internacional. “O consumidor tem o direito de saber exatamente o que está comprando”, explica Sylvio Lazzarini, da Intermezzo Carnes.
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