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Em meio à “epidemia de má gestão”, Palmeiras e Flamengo se tornam referências no futebol brasileiro
Publicado 14/08/2026 • 16:40 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/08/2026 • 16:40 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O futebol brasileiro atravessa uma crise financeira que já afeta diretamente a operação dos clubes, com atrasos salariais, elevado endividamento e aumento do número de equipes que recorrem à recuperação judicial.
Para Manoel Thiago, do Canal do Manel, a transformação de um clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) não resolve automaticamente os problemas financeiros e precisa estar acompanhada de uma gestão profissional.
Segundo Thiago, a mudança do modelo associativo para uma SAF não elimina os passivos acumulados anteriormente. A recuperação judicial tem sido utilizada por diferentes clubes como instrumento para reorganizar essas dívidas e estabelecer novos prazos para o pagamento aos credores.
“SAF é um tipo específico de sociedade anônima. Você mudar o seu modelo de uma associação para uma sociedade anônima não faz com que as dívidas evaporem da noite para o dia”.
O Botafogo é um dos exemplos, o clube possui cerca de R$ 2,5 bilhões em dívidas, dos quais aproximadamente R$ 1,2 bilhão foi incluído no processo de recuperação judicial. A estratégia permite reorganizar os pagamentos e ampliar os prazos para os credores.
Em determinadas classes, o deságio aplicado aos créditos também pode ser elevado. Thiago citou casos de até 90% no Botafogo e 92% em uma classe específica do Vasco da Gama.
“O passivo fica ali. Tem a promessa de pagamento, tem o acordo, mas a dívida continua ali”.
O caso do Flamengo demonstra que a recuperação financeira também pode ocorrer sem a adoção de uma SAF ou de um processo de recuperação judicial. Durante a gestão de Eduardo Bandeira de Mello, o clube adotou uma estratégia baseada no controle das despesas e no crescimento das receitas.
A reorganização passou por medidas para reduzir gastos com o futebol e ampliar fontes de receita, como bilheteria, direitos de televisão, merchandising e produtos licenciados. Na avaliação de Thiago, a combinação entre aumento de receitas e controle dos custos permitiu ao clube gerar caixa para reduzir o endividamento.
O Palmeiras também foi citado como exemplo de reorganização financeira, com a gestão de Paulo Nobre e, posteriormente, de Leila Pereira. Apesar desses casos, Thiago avalia que o modelo SAF tende a ganhar espaço no futebol brasileiro por permitir a entrada de investidores nacionais e estrangeiros.
“Não há uma fórmula mágica. Acho que cada clube vai encontrar sua própria realidade”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCA principal questão não está apenas na estrutura jurídica escolhida, mas na qualidade da administração. A criação de uma SAF, segundo ele, não significa necessariamente que o clube tenha passado por um processo de profissionalização.
“O fato de clubes se transformarem em SAF não tem sido uma correlação direta com profissionalização da gestão. Esse é o verdadeiro problema”.
O impacto dessa falta de organização aparece também nos salários dos jogadores. Thiago classificou o cenário como uma “epidemia de má gestão” e relacionou os atrasos salariais aos problemas financeiros acumulados pelos clubes.
De acordo com uma pesquisa apresentada pelo entrevistado, 20 dos 40 clubes das Séries A e B teriam algum tipo de atraso salarial, sendo nove da primeira divisão e 11 da segunda.
Para Thiago, a situação mostra que os problemas financeiros não estão restritos a clubes de menor porte. Ele citou o Corinthians como um dos casos que exigem uma profunda reorganização administrativa.
O clube paulista, possui capacidade de geração de receitas, torcida em grande escala e uma arena com elevada demanda, mas precisa transformar esse potencial em uma estrutura financeira sustentável.
“Como que o Corinthians vai resolver isso? Vai ter força internamente, politicamente, para poder trazer um ambiente como Bandeira de Mello fez no Flamengo, como Paulo Nobre fez no Palmeiras, de profissionalizar sua gestão?”, questionou.
Thiago também destacou a situação dos clubes paulistas em relação ao transfer ban. Segundo ele, Santos, Corinthians e São Paulo enfrentavam restrições relacionadas ao registro de novos jogadores, cenário que considera incompatível com o peso econômico do futebol paulista.
A tendência de longo prazo é de crescimento do número de SAFs no país, principalmente pela possibilidade de atração de capital estrangeiro.
O modelo, entretanto, precisará ser acompanhado por estruturas de governança, controle financeiro e gestão profissional para produzir resultados sustentáveis. Independentemente de o clube adotar o modelo associativo ou SAF, a capacidade de equilibrar receitas, despesas e passivos será determinante para a sustentabilidade das equipes.
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