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Everest ensina empresas a planejar e decidir sob pressão, diz alpinista e empresário

Publicado 03/09/2026 • 14:38 | Atualizado há 12 minutos

KEY POINTS

  • Planejamento, disciplina e capacidade de adaptar a estratégia são, segundo Rosier Alexandre, lições do montanhismo aplicáveis aos negócios.
  • O alpinista afirma ter investido mais de R$ 3 milhões para concluir o projeto Sete Cumes, após repetir expedições em algumas montanhas.
  • Para Rosier, saber recuar, rever prazos e tomar decisões sob pressão é essencial tanto em grandes expedições quanto na gestão de empresas.

Planejamento, disciplina e capacidade de mudar a estratégia sem abandonar o objetivo são alguns dos aprendizados do montanhismo que podem ser aplicados à gestão de empresas, afirmou Rosier Alexandre, empresário, alpinista e palestrante, em entrevista ao Times CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Primeiro nordestino a chegar ao cume do Everest e quinto brasileiro a completar o projeto Sete Cumes, que reúne as montanhas mais altas de cada continente, Rosier afirma que construiu o projeto gradualmente, começando pelas expedições que exigiam menor investimento e menor dificuldade técnica.

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“Com um pouco de paciência e muito planejamento, a gente chega onde quiser”, afirmou.

Projeto começou pelas montanhas mais acessíveis

Rosier contou que organizou o projeto Sete Cumes de forma progressiva, priorizando inicialmente montanhas mais próximas do Brasil, de menor custo e menor dificuldade.

A sequência começou pelo Aconcágua, na Argentina. Depois vieram o Kilimanjaro, na África; o Elbrus, na Rússia; o Carstensz, na Oceania; o Vinson, na Antártida; o Denali, na América do Norte; e, por fim, o Everest.

Segundo ele, a estratégia permitiu acumular experiência e visibilidade antes das etapas mais caras e difíceis.

“Você começa pequeno e vai crescendo com o tempo”, disse, ao comparar a trajetória nas montanhas com a construção de um negócio.

Empresas passaram a apoiar o projeto

No início, o alpinista afirmou ter encontrado resistência ao buscar empresas interessadas em apoiar suas expedições.

Potenciais parceiros, segundo ele, duvidavam que um cearense acostumado ao calor conseguiria enfrentar temperaturas extremas em montanhas de gelo.

A percepção começou a mudar à medida que ele avançava no projeto.

Rosier explicou que algumas empresas passaram então a dividir os custos das expedições em troca de palestras para suas equipes sobre planejamento e execução.

“Não é porque eu saí da pobreza. […] O fato de estar planejando, executando coisas muito grandes foi atraindo atenção de parceiros”, afirmou.

Ele ressalta que não considera essas empresas patrocinadoras, mas apoiadoras que compartilharam parte dos custos.

Mais de R$ 3 milhões investidos

O empresário afirmou ter investido mais de R$ 3 milhões para concluir o projeto Sete Cumes.

Segundo Rosier, a realização completa do circuito pode custar aproximadamente R$ 1 milhão, mas as tentativas adicionais elevaram significativamente as despesas.

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Ele precisou fazer três expedições ao Everest, cada uma com custo de cerca de US$ 100 mil, segundo relatou na entrevista. Também repetiu as tentativas em outras montanhas.

Apesar do valor, afirmou que o objetivo nunca foi obter retorno financeiro direto.

“Eu nunca fiz esse projeto pensando no lucro financeiro, mas no lucro emocional”, disse.

Recuar não significa abandonar o objetivo

Uma das principais lições trazidas para o mundo corporativo, segundo o alpinista, é a necessidade de distinguir a mudança de estratégia da desistência.

Rosier contou que precisou interromper expedições e voltar posteriormente às mesmas montanhas diante de dificuldades técnicas ou condições desfavoráveis.

“Ter juízo e sabedoria para negociar os prazos, negociar a estratégia, isso é fundamental no mundo dos negócios”, afirmou.

Para ele, as empresas enfrentam situações semelhantes quando mudanças externas tornam inviável manter o planejamento original.

“Muitas vezes, tem que dar um passo atrás. Isso não quer dizer desistir”, disse.

Gestão de risco aproxima montanha e empresas

Rosier compara fatores imprevisíveis de uma expedição, como avalanches, tempestades e mudanças climáticas, a eventos externos que atingem empresas sem estarem sob seu controle.

Na avaliação dele, nesses momentos, o gestor deve concentrar esforços nas alternativas disponíveis, em vez de insistir em um plano que deixou de funcionar.

A diferença, segundo o empresário, está no tamanho da consequência de um erro.

“No mundo dos negócios, quando você não planeja bem, você quebra. Você ainda tem oportunidade de começar um novo negócio. Na montanha, se você não tiver um planejamento perfeito e cometer um erro, você só comete uma vez”, afirmou.

Tomada de decisão sob pressão

Outro aprendizado das expedições, aplicável ao ambiente empresarial, é a necessidade de tomar decisões rapidamente.

Rosier afirmou que a velocidade das mudanças tecnológicas aumentou a pressão sobre gestores e empresas.

“A montanha nos ensina a tomar decisões sob pressão”, afirmou.

Para ele, a experiência das expedições mostra que planejamento também exige capacidade de rever prazos e estratégias diante de mudanças, sem perder de vista o objetivo final.

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