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Saúde mental ajuda clubes a proteger desempenho e imagem de atletas

Publicado 02/09/2026 • 14:37 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Saúde mental deve ser integrada à preparação esportiva para proteger desempenho, imagem e reputação dos atletas, segundo Cristiano Costa.
  • Redes sociais ampliam a pressão sobre jogadores e aumentam o risco de crises de comportamento e imagem para clubes.
  • O acompanhamento psicológico deve começar ainda nas categorias de base e considerar a trajetória individual de cada atleta.

A saúde mental dos atletas deve ser tratada pelos clubes de forma integrada à preparação esportiva, não apenas para lidar com pressão e rendimento, mas também para proteger ativos, imagem e reputação, afirmou o psicólogo clínico Cristiano Costa em entrevista ao Times CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Costa, o acompanhamento precisa considerar a trajetória pessoal, os valores e as mudanças vividas pelos atletas ao longo da carreira, e não se limitar às emoções relacionadas a treinos e partidas.

“Quando falamos de gerenciamento de carreira de um atleta, estamos falando do gerenciamento ou da condução da vida de uma pessoa”, afirmou.

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Saúde mental vai além da performance

Para Costa, a psicologia esportiva desempenha um papel importante na preparação para a pressão dos jogos, da torcida e de situações de adversidade, mas o acompanhamento não deve se limitar ao desempenho em campo.

O psicólogo defende uma abordagem mais ampla, que considere a personalidade, a biografia e os valores do atleta.

Segundo ele, experiências de vida e mudanças ao longo da carreira podem influenciar tanto o desempenho esportivo quanto a forma como o jogador conduz sua própria trajetória.

Imagem e reputação também entram na gestão

O crescimento das redes sociais ampliou essa necessidade, na avaliação de Costa.

“As redes sociais hoje exercem uma pressão contínua sobre esse desempenho, sobre essa imagem, sobre o reconhecimento, o afeto, o amor popular que esse atleta tem ou não tem”, disse.

Para ele, o atleta passou a enfrentar não apenas uma cobrança por resultados esportivos, mas também uma “performance de comportamento” fora das competições.

Esse cenário amplia os riscos de episódios extracampo afetarem a imagem do jogador e do próprio clube.

Costa afirmou considerar “inacreditável” que, mesmo diante de crises de imagem e de reputação envolvendo atletas, parte dos clubes ainda não tenha incorporado, de forma mais ampla, a saúde mental à gestão esportiva.

“Fazer a gestão integrada dessa saúde, desse desempenho, dessa performance é totalmente decisivo para a proteção desses ativos”, afirmou.

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Trabalho deve começar nas categorias de base

Os jovens atletas exigem atenção especial, segundo Costa. Ele destacou que muitos jogadores são formados em contextos sociais marcados por dificuldades e chegam, ainda muito novos, a ambientes de alta cobrança.

“Não é porque essa pessoa é um grande talento, um craque, que aqueles outros aspectos da personalidade dele vão estar, por assim dizer, bem compostos”, afirmou.

Para o psicólogo, esse acompanhamento deve começar pelas categorias de base e avançar paralelamente à preparação esportiva.

Ele acrescentou que esses jovens precisam ser escutados e acolhidos ao longo do processo de formação.

Cada clube exige abordagem própria

O trabalho também não deve seguir um modelo único, segundo Costa.

Ele afirmou que cada clube funciona como um universo próprio, com cultura, valores, torcida e objetivos específicos, enquanto cada atleta traz uma trajetória pessoal diferente.

Por isso, o acompanhamento deve considerar tanto a individualidade do jogador quanto o ambiente em que ele está inserido.

A construção de uma relação de confiança entre clubes e atletas também faz parte desse processo, acrescentou.

Clubes ainda precisam avançar

Apesar da evolução do debate sobre saúde mental no esporte, Costa avalia que ainda há muito a ser feito nos clubes brasileiros.

Entre os obstáculos, ele citou a falta de conscientização, o preconceito e a dificuldade em perceber o acompanhamento psicológico como um investimento.

Para o psicólogo, a saúde mental precisa ser tratada de forma mais ampla e integrada aos demais mecanismos de preparação dos atletas.

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