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Riscos ocultos da China surgem em meio ao boom de bilhões de dólares dos data centers de I.A nos EUA
Publicado 03/09/2026 • 10:01 | Atualizado há 15 minutos
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Publicado 03/09/2026 • 10:01 | Atualizado há 15 minutos
KEY POINTS
Foto: unsplash
A dependência dos EUA de equipamentos chineses para data centers de I.A aumenta riscos à segurança nacional, custos e cadeias de suprimentos.
A dependência dos Estados Unidos em relação à China para componentes essenciais usados no fornecimento de energia de data centers está sob crescente escrutínio enquanto Washington e Pequim disputam a liderança em inteligência artificial (I.A), aumentando o risco de custos mais altos e de uma piora na escassez das cadeias de suprimentos para a expansão da infraestrutura de I.A.
As grandes empresas de tecnologia dos EUA estão correndo para construir data centers de bilhões de dólares voltados para I.A, e empresas chinesas fornecem uma parcela significativa das peças necessárias para desenvolver essas instalações. Entre elas estão transformadores, equipamentos de manobra elétrica, baterias e tecnologias ópticas, segundo analistas ouvidos pela CNBC.
O presidente Donald Trump assinou na semana passada uma ordem executiva declarando emergência nacional diante da “ameaça estrangeira extraordinária” aos Estados Unidos envolvendo equipamentos de sistemas de energia elétrica de grande porte produzidos no exterior. A medida autorizou o Departamento de Energia a proibir ou impor condições a determinadas transações envolvendo alguns componentes utilizados na rede elétrica e em data centers.
As tensões entre EUA e China em torno da I.A aumentaram à medida que os modelos chineses de inteligência artificial se tornam mais avançados e sua adoção cresce em todo o mundo. Embora as empresas americanas produzam os chips e hardwares mais avançados usados em I.A, a influência chinesa sobre as tecnologias utilizadas para fornecer energia aos data centers é considerada uma vulnerabilidade estratégica para os EUA.
“O escrutínio sobre a presença da China na infraestrutura de energia dos data centers dos EUA aumentou nos últimos oito meses, aproximadamente. Isso representa uma mudança em relação ao foco anterior, que estava concentrado exclusivamente na infraestrutura computacional”, disse Laveena Iyer, analista sênior do The Economist Group, à CNBC.
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A infraestrutura de energia de um data center é fundamental para manter a instalação em funcionamento com o mínimo de interrupções. Ela inclui transformadores, que convertem a eletricidade de alta tensão da rede para níveis mais baixos necessários aos servidores e equipamentos de refrigeração. Os equipamentos de manobra elétrica são sistemas centralizados que contam com interruptores, fusíveis e disjuntores, enquanto as baterias são necessárias para o fornecimento de energia de backup.
“Há algumas áreas importantes nas quais a expansão da infraestrutura de I.A está cada vez mais dependente das importações chinesas”, disse Ben Boucher, analista sênior de cadeia de suprimentos da Wood Mackenzie, à CNBC. “As mais importantes incluem os transformadores de subestações, que normalmente ficam instalados nos próprios data centers para reduzir a tensão da transmissão.”
“A exposição no médio prazo está concentrada nos componentes de conexão à rede elétrica: transformadores, equipamentos de manobra e baterias”, disse Yury Dvorkin, professor associado da Universidade Johns Hopkins, à CNBC.
“A participação da China em determinadas categorias de transformadores e equipamentos de manobra está próxima de 30%, e o país responde por mais de 40% das importações de baterias dos EUA”, acrescentou. “Nossa análise também mostra uma exposição mais profunda a montante da cadeia: cobre, aço elétrico e materiais utilizados nos cátodos de baterias.”
A tecnologia óptica, que utiliza luz por meio de cabos de fibra óptica em vez de sinais elétricos transmitidos por fios de cobre para transportar grandes quantidades de dados, também é uma área dominada pela China.
Empresas como Zhongji Innolight e Eoptolink lideram a receita global de transceptores ópticos para data centers, enquanto as empresas chinesas, em conjunto, respondem por aproximadamente dois terços da oferta global em unidades, segundo a empresa de pesquisa Counterpoint.
Trump afirmou em abril que “transformadores, linhas de transmissão e condutores, subestações, disjuntores de alta tensão e eletrônicos de controle de energia” eram “essenciais para a defesa nacional”, como parte de uma determinação presidencial.
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Washington corre para reduzir a dependência de fornecedores chineses enquanto desenvolve rapidamente a infraestrutura necessária para abastecer a I.A.
“Desde meu primeiro mandato, a ameaça aos Estados Unidos relacionada ao fornecimento estrangeiro de equipamentos elétricos para sistemas de energia de grande porte se tornou ainda mais grave”, disse Trump em um comunicado relacionado à ordem executiva publicada na semana passada.
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Siga o Times | CNBC“O rápido crescimento da manufatura avançada, dos data centers, da inteligência artificial e da produção de defesa aumentou a dependência da nação de uma eletricidade abundante e confiável e ampliou as consequências de um ataque bem-sucedido ou de uma interrupção no fornecimento do sistema de energia de grande porte”, acrescentou.
A CNBC entrou em contato com a embaixada da República Popular da China no Reino Unido para comentar a ordem executiva de Trump e a participação do país no fornecimento de peças para a expansão dos data centers de IA.
A capacidade dos data centers nos EUA deve crescer de 62 GW em março de 2026 para 152 GW até 2030, impulsionada por cargas de trabalho de I.A de alta densidade, informou a S&P Global em junho.
“Trazer de volta ao país a fabricação de produtos essenciais para nossa segurança nacional e econômica tem sido uma prioridade máxima do presidente Trump, e o governo continua avançando com uma agenda robusta e ágil de cortes de impostos, tarifas e desregulamentação”, disse um porta-voz da Casa Branca à CNBC. “Trilhões de dólares em investimentos em setores estratégicos — do aço aos semicondutores e automóveis — comprovam que a estratégia do governo está dando resultado.”
A Hitachi Energy anunciou em setembro de 2025 que investiria US$ 1 bilhão para ampliar a produção de infraestrutura essencial para a rede elétrica nos EUA, incluindo US$ 457 milhões para uma nova fábrica de grandes transformadores de potência destinada a atender à demanda gerada pela expansão da IA. A Siemens Energy também afirmou, em fevereiro, que investiria US$ 1 bilhão na produção americana de equipamentos para redes elétricas e turbinas a gás voltados à infraestrutura de IA e à expansão de data centers.
Inversores de energia produzidos em países estrangeiros, que ajudam a conectar fontes de energia às instalações de IA, foram adicionados à Lista de Equipamentos Abrangidos (Covered List) da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) em julho. A lista reúne equipamentos e serviços que o governo americano considera representar um risco inaceitável à segurança nacional.
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O governo Trump também estaria, segundo relatos, preparando uma proibição às importações americanas de novos transceptores ópticos chineses, que permitem a transmissão de dados em alta velocidade por cabos de fibra óptica entre data centers. A FCC, responsável pela supervisão do setor de telecomunicações, não respondeu a um pedido de comentário, e a Casa Branca não comentou os relatos.
Embora eventuais restrições às empresas chinesas de tecnologia óptica possam beneficiar companhias americanas como Lumentum e Coherent — ambas receberam US$ 2 bilhões em investimentos da Nvidia em março —, analistas alertam que ampliar a produção para atender à nova demanda pode trazer desafios.
“Concorrentes ocidentais como Coherent e Lumentum possuem projetos fotônicos avançados, mas atualmente não têm capacidade de salas limpas, infraestrutura de empacotamento automatizado e escala de rendimento necessárias para absorver o volume da Innolight e da Eoptolink em um horizonte de 12 a 24 meses”, afirmou Neil Shah, vice-presidente de pesquisa da Counterpoint, em um relatório publicado em agosto.
Uma proibição aos transceptores ópticos faria com que as grandes empresas de tecnologia dos EUA precisassem buscar alternativas produzidas no mercado doméstico, potencialmente elevando os custos, afirmou Iyer, do The Economist Group.
Transformadores de potência e subestações já apresentam uma escassez estimada de 15% e 8%, respectivamente, em 2026, e restrições ao uso de unidades fabricadas na China devem agravar ainda mais os desafios da cadeia de suprimentos, segundo uma pesquisa da Wood Mackenzie.
“A maior parte do impacto estará concentrada nos data centers que vêm utilizando unidades chinesas para reduzir os prazos de entrega”, disse Boucher, da Wood Mackenzie, em uma publicação de agosto.
“O segmento de 100 MVA ou mais é onde a escassez já é mais grave, e é justamente nesse segmento que os data centers têm recorrido aos fabricantes chineses para administrar os prazos de entrega”, acrescentou.
No entanto, a disposição política em Washington para reduzir a dependência da China na infraestrutura de energia está crescendo, afirmou Iyer.
“O governo dos EUA parece determinado a reduzir os riscos de sua infraestrutura de I.A antes que a tecnologia chinesa esteja totalmente incorporada a ela, de maneira semelhante ao que ocorreu com a implementação do 5G, quando a retirada posterior dos equipamentos chineses de telecomunicações provocou atrasos na expansão das redes e aumento dos custos para as empresas do setor”, disse.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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