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EXCLUSIVO CNBC: Real Bedford aposta no Bitcoin para transformar clube inglês em marca global
Publicado 28/10/2026 • 15:45 | Atualizado há 25 minutos
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Publicado 28/10/2026 • 15:45 | Atualizado há 25 minutos
KEY POINTS
Um clube da sétima divisão do futebol inglês tenta transformar o Bitcoin em uma ferramenta para ampliar sua presença internacional e financiar seu crescimento. O Real Bedford, adquirido em 2022 pelo podcaster Peter McCormack, constrói um modelo de negócios que combina futebol, investimentos em criptomoedas e uma comunidade digital global.
Localizado a cerca de duas horas ao norte de Londres, o clube surgiu de uma ambição que vai além das competições locais. McCormack, natural de Bedford, queria criar uma equipe capaz de conquistar torcedores fora da cidade e aproveitar o alcance internacional do Bitcoin.
“Somos um clube de futebol antissistema”, afirma McCormack no documentário da CNBC americana. Para ele, o Bitcoin é um componente central dessa identidade, que também aparece nos patrocínios e na publicidade exibida nas instalações do clube.
Em 2024, os investidores Cameron e Tyler Winklevoss, fundadores bilionários da corretora de criptomoedas Gemini, passaram a apoiar o projeto. A empresa também se tornou patrocinadora da equipe, que busca converter o interesse pelo Bitcoin em uma fonte de visibilidade, capital e expansão.
A estratégia ajudou o Real Bedford a atrair uma comunidade que ultrapassa as fronteiras da cidade inglesa. Segundo estimativas do próprio clube, cerca de um quarto de sua base principal de torcedores vive fora de Bedford. No ambiente digital, esse público representa aproximadamente 40% da comunidade, de acordo com o material da CNBC.
Em dias de jogo, alguns torcedores viajam de outros países para acompanhar a equipe e participar de encontros que combinam futebol e conversas sobre Bitcoin.
O clube também permite que o público pague por ingressos, alimentos e produtos com a criptomoeda. A prática, porém, ainda é minoritária. Segundo Emma Furman, responsável pela operação cotidiana da equipe, menos de 20% dos pagamentos em dias de jogo são feitos em Bitcoin, com a proporção variando conforme o tipo de evento.
A criptomoeda também aparece na folha de pagamento: alguns jogadores recebem parte de sua remuneração dessa forma. Para a administração, a iniciativa reforça a identidade do clube e ajuda a diferenciá-lo de outras equipes do futebol inglês.
A presença do Bitcoin no projeto levanta uma questão central: até que ponto um ativo sujeito a grandes oscilações pode fazer parte da estratégia financeira de um clube de futebol?
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Siga o Times | CNBCMcCormack afirma que o Real Bedford não depende diretamente da valorização da criptomoeda para cobrir suas despesas operacionais. Segundo ele, as receitas vêm de patrocínios, venda de ingressos e gastos dos torcedores no estádio. O capital obtido com investidores é mantido em uma reserva para apoiar o desenvolvimento da equipe.
O proprietário compara o modelo ao financiamento de uma startup: o objetivo é captar recursos para acelerar o crescimento antes que as receitas próprias sejam suficientes para sustentar a expansão.
A estratégia, portanto, combina fontes tradicionais de receita do futebol com investimentos e uma comunidade mobilizada em torno do Bitcoin. Ainda assim, a exposição a um ativo volátil e a necessidade de novas rodadas de investimento tornam a sustentabilidade financeira uma questão importante para o futuro do projeto.
O Real Bedford não é o primeiro clube a tentar aproximar o futebol do mercado de ativos digitais. O Crawley Town, também da Inglaterra, passou por uma experiência que atraiu atenção internacional ao combinar investidores ligados ao universo cripto, NFTs e ambições de expansão global.
A iniciativa, no entanto, enfrentou dificuldades esportivas e uma primeira temporada turbulenta, marcada pela luta contra o rebaixamento. O caso ilustra os limites de um projeto que ganha notoriedade por sua ligação com a tecnologia, mas precisa entregar resultados dentro de campo.
A trajetória do Crawley Town também evidencia que a curiosidade inicial em torno das criptomoedas pode perder força quando o desempenho esportivo passa a dominar a atenção dos torcedores. No futebol, a construção de uma marca global precisa coexistir com a gestão diária, a confiança da comunidade local e o desenvolvimento da equipe.
Apesar da repercussão internacional, McCormack afirma que o principal objetivo não é apenas ampliar a conscientização sobre o Bitcoin. A ambição é levar o Real Bedford às ligas profissionais do futebol inglês, construir um novo estádio, desenvolver uma academia e formar jogadores da cidade, tanto homens quanto mulheres.
O clube ainda precisa demonstrar que consegue transformar a atenção internacional em crescimento esportivo e financeiro duradouro. Para isso, a comunidade global e o capital atraído pelo Bitcoin são instrumentos, não garantias de sucesso.
O experimento do Real Bedford coloca uma questão para o futebol: uma comunidade digital global pode oferecer a um clube pequeno acesso a investidores, patrocinadores e torcedores que antes estariam fora de seu alcance. Mas, para transformar essa vantagem em um projeto duradouro, a equipe terá de provar que consegue crescer sem depender apenas do entusiasmo em torno da criptomoeda.
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