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Google muda estratégia na nuvem e recorre a parceiros para vender mais chips de IA

Publicado 28/10/2026 • 09:50 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • O Google começou a desenvolver seus próprios chips em 2013, mas só passou a vender suas unidades de processamento tensorial (TPUs) a clientes externos no segundo trimestre deste ano.
  • Agora, a empresa está recorrendo à infraestrutura de nuvem da Oracle como mais um canal de vendas de TPUs, em uma tentativa de ampliar a concorrência com a Nvidia no mercado de chips de inteligência artificial (IA).
  • Thomas Kurian, chefe da divisão de nuvem do Google, trabalhou por mais de 20 anos na Oracle antes de ingressar no Google, em 2018.
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Foto: Unsplash

O Google leva seus equipamentos para além de sua própria infraestrutura para alcançar mais clientes e ampliar os negócios com chips de IA.

O Google passou anos destacando aos clientes as vantagens de adquirir seus chips, modelos de inteligência artificial e serviços de computação em nuvem em um único lugar. A empresa oferece uma estrutura tecnológica integrada, estratégia que concorrentes como Amazon e Microsoft também tentaram reproduzir.

Agora, a companhia está levando seus equipamentos para além de sua própria infraestrutura para alcançar mais clientes e ampliar os negócios com chips de inteligência artificial, um mercado dominado pela Nvidia.

Um dia antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a Alphabet, controladora do Google, anunciou na terça-feira (27) que a Oracle oferecerá as unidades de processamento tensorial do Google, conhecidas como TPUs. São chips desenvolvidos pela gigante da internet desde 2013.

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É a primeira vez que clientes poderão acessar as TPUs fora da infraestrutura do Google. A iniciativa também indica que Thomas Kurian, responsável pela divisão de nuvem da empresa e ex-executivo da Oracle por mais de 20 anos, está buscando novas oportunidades de crescimento fora do ecossistema próprio do Google.

“Eles são um concorrente muito forte, e é bastante possível que, eventualmente, conquistem participação de mercado da Nvidia”, afirmou Chris Ballard, diretor-gerente da Check Capital Management, ao comentar a posição do Google no mercado de chips.

Kurian, que ingressou no Google no fim de 2018, atua em um momento favorável para a companhia. Analistas esperam que a receita do Google Cloud avance cerca de 90% em relação ao mesmo período do ano anterior, após crescer 82% no segundo trimestre. As TPUs contribuem para esse desempenho.

“O Google era muito bom em fazer as coisas por conta própria, mas nunca conseguia atender aos clientes”, afirmou Uday Cheruvu, gestor de portfólio da Harding Loevner, que possui ações da Alphabet. “Essa mentalidade mudou.”

O Google começou a disponibilizar suas TPUs para centros de dados externos no segundo trimestre, antes do anúncio desta semana envolvendo a Oracle.

As estimativas para os negócios com TPUs variam bastante, mas todas apontam para um crescimento expressivo. O TD Cowen projeta US$ 9,4 bilhões em vendas desses chips no segundo semestre deste ano e US$ 62,5 bilhões em 2027. Já o Wells Fargo estima vendas de aproximadamente US$ 9 bilhões no terceiro trimestre e US$ 99 bilhões no próximo ano.

A diretora financeira do Google, Anat Ashkenazi, afirmou na teleconferência de resultados de julho que apenas uma pequena parcela da receita com TPUs prevista nos contratos existentes será reconhecida neste ano. A “grande maioria”, segundo ela, ficará para 2027. Ashkenazi também disse que o Google planejava utilizar mais capacidade de infraestrutura de terceiros no terceiro trimestre, enquanto amplia suas próprias instalações.

Com receita de US$ 25 bilhões em serviços de nuvem no segundo trimestre, o Google ficou atrás da Amazon Web Services, que registrou US$ 42 bilhões, e do Microsoft Azure, com US$ 29 bilhões.

Ainda assim, o Google é a empresa que cresce mais rapidamente entre as três.

“É quase como se, quanto maior o mercado fica, mais rapidamente eles acelerassem sua expansão nele”, disse Ballard, cuja empresa detinha cerca de US$ 236 milhões em ações da Alphabet em 30 de junho.

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Otimizar toda a estrutura tecnológica

Ao buscar parceiros externos para ampliar a presença das TPUs no mercado, Kurian precisa equilibrar os benefícios da expansão da base de clientes com as necessidades tecnológicas da própria empresa.

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Em uma conferência do Goldman Sachs em setembro, Kurian afirmou que os servidores de inteligência artificial do Google se pagam em menos de dois anos. Já os servidores equipados com chips desenvolvidos pela própria companhia alcançam esse retorno em aproximadamente metade desse tempo.

“Isso acontece porque conseguimos otimizar toda essa estrutura”, afirmou Kurian.

A empresa de pesquisa do setor SemiAnalysis estima que a mais recente TPU do Google, a Ironwood, custa cerca de 44% menos para adquirir e operar do que um servidor GB200 da Nvidia.

A venda de TPUs para clientes externos também pode reduzir as margens de lucro. O TD Cowen estima uma margem operacional de 20% nas vendas desses chips, em comparação com uma margem de aproximadamente 35% registrada pelo negócio de nuvem como um todo no último trimestre.

Cheruvu afirmou não acreditar que a margem operacional da divisão de nuvem do Google possa avançar muito além da faixa intermediária dos 30%.

O Google não quis comentar.

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Concorrentes de IA também recorrem aos chips do Google

O maior cliente das TPUs do Google é também um de seus principais concorrentes no mercado de inteligência artificial.

A Anthropic, desenvolvedora dos modelos Claude, concorrentes do Gemini, concordou em outubro do ano passado em utilizar até 1 milhão de TPUs em um acordo avaliado em dezenas de bilhões de dólares.

Segundo o Mizuho, o contrato deve disponibilizar quase um gigawatt de capacidade computacional neste ano. O banco descreveu a relação como uma situação em que o Google está “armando seu concorrente mais próximo no desenvolvimento de modelos”.

A OpenAI também planeja comprar TPUs do Google, confirmou a CNBC após o site The Information noticiar, na terça-feira, os planos da empresa responsável pelo ChatGPT.

A Anthropic também conta com apoio externo para financiar o uso dos chips do Google. Nesta semana, a Broadcom, parceira do Google no desenvolvimento das TPUs, detalhou uma estrutura de financiamento de US$ 63 bilhões, apoiada pela Blackstone e por três grandes bancos.

O acordo prevê a compra de TPUs e equipamentos de rede da Broadcom, que serão alugados à Anthropic por cinco anos.

Segundo analistas do William Blair, o plano de financiamento cobre cerca de metade das necessidades da Anthropic para 2027, o que indica a possibilidade de novas operações de financiamento.

Em documentos apresentados na segunda-feira para uma possível oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), a Anthropic afirmou utilizar chips do Google, da Amazon, da Nvidia e da Advanced Micro Devices (AMD). Segundo a empresa, essa diversidade permite “selecionar chips com base na melhor relação entre preço, desempenho e eficiência para cada carga de trabalho”.

Sobre as parcerias com Google e Broadcom, a Anthropic afirmou que os acordos “nos proporcionam acesso à capacidade computacional alimentada pelas TPUs do Google em várias gerações da plataforma de TPUs”.

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