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Fãs de esportes nos EUA gastam cerca de US$ 2.000 por ano com seus times favoritos e acabam endividados
Publicado 20/08/2026 • 17:01 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 20/08/2026 • 17:01 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
AFP
Os americanos adoram esportes, e muitos estão dispostos a gastar centenas ou até milhares de dólares por ano para acompanhar e apoiar seus times.
Quase dois terços (62%) dos americanos gastaram ou esperam gastar dinheiro com esportes em 2026, seja com ingressos, produtos oficiais ou apostas, segundo uma nova pesquisa com mais de 2 mil adultos realizada pela National Debt Relief (NDR), empresa especializada em negociação de dívidas. De acordo com o levantamento, os fãs de esportes gastam, em média, US$ 1.970 (R$ 10.303,10) por ano, valor que sobe para US$ 2.224 (R$ 11.631,52) entre os homens.
E, para muitos torcedores, o gasto vale a pena. A CNBC Make It conversou com vários fãs de futebol em julho que desembolsaram milhares de dólares para assistir à Copa do Mundo. Alguns disseram que fariam tudo de novo.
Mas há também quem esteja se endividando para acompanhar o time. Entre as pessoas que gastam dinheiro com esportes, 47% já contraíram dívidas para bancar essas despesas, segundo a NDR. Entre os fãs de 25 a 34 anos, o percentual é ainda maior: 62% já se endividaram, gastando, em média, US$ 2.627 (R$ 13.728,21) por ano.
Para muita gente, esse tipo de gasto “parece essencial”, mesmo quando pode colocar as finanças em uma situação complicada, afirma Cathleen Bell, vice-presidente de pesquisa e insights sobre clientes da National Debt Relief. Como os esportes envolvem um forte vínculo emocional e um senso de comunidade, gastar com o time muitas vezes “não parece um gasto supérfluo”.
Veja por que os americanos estão gastando cada vez mais com esportes, e o que especialistas em finanças recomendam fazer quando você percebe que está passando do limite com seu time favorito.
Muitos americanos consideram que algumas despesas discricionárias justificam até mesmo assumir dívidas, e os gastos relacionados aos esportes estão entre elas. A NDR descobriu que 20% dos adultos americanos estariam dispostos a se endividar por causa de sua paixão por esportes.
Em alguns casos, trata-se de uma oportunidade única na vida, como conseguir ingressos para os Jogos Olímpicos ou ver o New York Knicks disputar as finais da NBA, mesmo que os ingressos custem milhares de dólares.
“Há pessoas que estão fazendo essas apostas emocionais pelo seu time”, diz Bell.
E o custo de ser torcedor também aumentou para quem acompanha os esportes de forma mais casual. Para assistir a todos os jogos do seu time, por exemplo, pode ser necessário pagar centenas de dólares por temporada em diferentes serviços de streaming, categoria que apareceu como a mais popular entre os gastos esportivos na pesquisa da NDR.
“Acho que, 20 anos atrás, você podia ser fã de esportes e tudo o que precisava era de uma antena no telhado”, diz Bell.
Para quem vai além e gasta com camisas, ligas de fantasy e outros itens, essas despesas podem parecer justificáveis mesmo quando é preciso apertar o orçamento. Isso é especialmente comum entre pessoas que são “mais emocionais em relação à sua identidade e aos vínculos que criam”, afirma Bell.
Torcer por um time ao lado de outras pessoas pode proporcionar um sentimento de pertencimento, permitir que alguém expresse sua identidade e até ajudar a conhecer gente nova, diz Bell. Isso pode explicar, em parte, por que os adultos mais jovens gastam mais com esportes e são mais propensos a considerar que seus times favoritos valem o dinheiro — mesmo quando isso significa assumir dívidas.
Do ponto de vista da saúde financeira, é fácil pensar que a solução é simples: não gaste dinheiro que você não tem com algo que, tecnicamente, não é essencial, como esportes. Mas, na experiência de Bell, as pessoas não costumam chegar a níveis perigosos de endividamento apenas por causa desses gastos.
Com mais frequência, elas assumem dívidas que acreditam conseguir administrar e, depois, algo inesperado acontece, como uma demissão, uma despesa médica ou outra emergência cara.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“De repente, essa dívida começa a crescer rapidamente, e então fica muito difícil sair dela”, afirma.
De modo geral, planejadores financeiros dizem que gastar dinheiro com esportes (ou com qualquer hobby que seja importante para você) não é necessariamente um problema. O ponto é que o entretenimento não deve vir às custas de objetivos financeiros importantes, como quitar dívidas ou economizar para a aposentadoria, afirma Andrew Lendnal, chefe de bem-estar financeiro da Wealthspire, empresa de gestão de patrimônio.
“Quando você já estabeleceu suas prioridades financeiras, elas estão sendo atendidas e você tem dinheiro disponível para gastos discricionários, isso é uma parte saudável da vida financeira”, diz ele. “O problema surge quando o entretenimento começa a competir com os fundamentos da sua vida financeira.”
Uma maneira de controlar os gastos com esportes, segundo Lendnal, é definir um limite que faça sentido dentro do orçamento. O problema é que, quando a emoção de um jogo toma conta, muita gente tem dificuldade para respeitar esse limite.
Por isso, ele recomenda criar barreiras práticas para os gastos, como levar uma quantia determinada em dinheiro para uma partida ou usar um cartão com um limite específico para compras relacionadas aos esportes.
Também é importante manter alguma reserva de emergência, mesmo enquanto você trabalha para quitar dívidas, afirma Cassandra Rupp, consultora sênior de patrimônio e planejadora financeira certificada da Vanguard.
E, se você precisar usar suas economias por causa de uma emergência ou por qualquer outro motivo, a prioridade deve ser recompor essa reserva, diz ela.
Depois que você entra em uma espiral de dívidas, ela “tende a virar uma bola de neve”, afirma Rupp. Não só os juros continuam aumentando o valor devido, como também pode surgir a tentação de continuar gastando mesmo quando o orçamento já está no limite.
A situação pode ficar ainda mais complicada se surgir uma emergência que leve você a contrair novas dívidas.
Nesses casos, Rupp recomenda reduzir ou até pausar os gastos discricionários até ter um plano para recuperar o controle das finanças, recompor a reserva de emergência e quitar as dívidas.
Pode parecer uma boa ideia usar todo o dinheiro extra para pagar dívidas com juros altos, mas ela alerta contra sacrificar completamente a reserva de emergência para fazer isso. O ideal é equilibrar o pagamento das parcelas mínimas com a formação de uma reserva até que a situação financeira esteja estável o suficiente para permitir um foco maior na quitação das dívidas.
Embora muitos dos fãs entrevistados pela NDR tenham dito que seus times valem a pena mesmo quando isso significa assumir dívidas, Bell afirma que os clientes da empresa frequentemente relatam o estresse causado pelas dívidas em suas vidas.
Criar um plano e, quando necessário, buscar ajuda de um planejador financeiro ou de uma empresa especializada em negociação de dívidas pode ajudar a reduzir esse estresse e recuperar uma sensação real de tranquilidade, algo que, sejamos honestos, muitos torcedores não conseguem dizer sobre seus times favoritos em determinadas temporadas.
“As pessoas realmente se importam com esportes, isso está ligado à identidade delas, assim como viagens e presentes”, diz Bell. “Só não é muito divertido ou empolgante pensar: ‘Sabe o que é ótimo? Não ter saldo no cartão de crédito.’
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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