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Falta de integração de dados limita potencial de receita dos clubes brasileiros, diz Raphael Ozawa

Publicado 20/08/2026 • 14:10 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Sistemas de ingressos, sócio-torcedor e biometria ainda operam de forma fragmentada em clubes brasileiros, segundo Raphael Ozawa, CTO da FutebolCard.
  • A integração desses dados pode ampliar oportunidades de receita com ingressos, produtos, experiências e ofertas personalizadas aos torcedores.
  • Ozawa afirma que a tecnologia para integrar as plataformas já existe e que o principal entrave passou a ser administrativo.

Os clubes brasileiros ainda operam com sistemas fragmentados de venda de ingressos, sócio-torcedor e biometria e, segundo Raphael Ozawa, CTO da FutebolCard, deixam de aproveitar parte do potencial comercial dos dados dos torcedores. Em entrevista ao Times | CNBC Sports nesta quinta-feira (20), o executivo afirmou que a tecnologia para integrar essas informações já existe e que o principal entrave passou a ser administrativo.

Com os dados reunidos, os clubes conseguem identificar hábitos como a frequência aos estádios, o momento da compra e o perfil de consumo, informações que podem ser usadas para direcionar ofertas de ingressos, produtos e experiências aos torcedores.

“A tecnologia já chegou ao estado da arte que permite que elas estejam integradas. Agora é mais uma decisão administrativa do que tecnológica”, afirmou Ozawa.

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Ingresso passa a gerar dados de consumo

Segundo Ozawa, a adoção de biometria e de novos controles tecnológicos ampliou a capacidade de identificar quem frequenta os estádios e como esse público se comporta.

Antes, afirmou, o ingresso funcionava essencialmente como um tíquete ao portador, em papel ou por QR Code. Com a identificação do torcedor, tornou-se possível observar padrões como quando ele compra, quando comparece ao estádio e se possui dependentes vinculados à compra.

“Agora, com a identificação, a gente consegue ser hiperpersonalizado. Eu consigo prever os hábitos e o que o torcedor deseja”, disse.

Ozawa ressaltou que o tratamento dessas informações exige cuidado com privacidade. Segundo ele, dados biométricos não precisam ser utilizados de forma permanente para a análise comercial: a identificação facial pode confirmar a entrada do torcedor, enquanto outros dados e padrões de comportamento podem ser analisados posteriormente.

Venda agregada amplia oportunidade de receita

Como exemplo de monetização, Ozawa citou uma partida entre Brasil e Panamá no Maracanã. Ao analisar os dados relacionados ao evento, a empresa identificou uma oportunidade de oferecer camisas da Seleção Brasileira durante o próprio processo de compra do ingresso.

“A gente percebe que perdeu até uma oportunidade de, durante a venda dos ingressos, monetizar fazendo uma venda de camisa da Seleção Brasileira”, afirmou.

Segundo o executivo, conhecer melhor o perfil do consumidor permite combinar a venda de ingressos com outros produtos e serviços relacionados ao evento.

A lógica também pode ser aplicada à frequência no estádio. Ozawa afirmou que dados históricos permitem identificar torcedores que compraram ingressos, mas deixaram de comparecer, e direcionar comunicações específicas para estimular o retorno.

Ele citou como exemplo uma campanha que relacionasse a presença do torcedor aos resultados do clube em partidas anteriores, utilizando esse histórico para incentivar uma nova compra.

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Sistemas ainda operam de forma fragmentada

O avanço da monetização esbarra, segundo Ozawa, na fragmentação dos fornecedores utilizados pelos clubes.

Um mesmo torcedor pode passar por diferentes empresas durante sua relação com a equipe: uma responsável pelos ingressos, outra pela gestão do programa de sócio-torcedor e uma terceira pela biometria e pelo controle de acesso.

“Infelizmente, não é uma sensação, é uma realidade. Elas têm planos de evolução que muitas vezes não se conversam”, afirmou.

Para Ozawa, a capacidade técnica de integrar esses sistemas já existe. A decisão de conectar as diferentes plataformas e organizar o uso dessas informações depende, agora, principalmente da gestão dos clubes e de seus fornecedores.

Na avaliação do executivo, o Brasil avançou nesse processo, mas o mercado ainda está atrás do futebol europeu tanto em tecnologia quanto em gestão. Ele citou Milan e Real Madrid como exemplos de clubes mais maduros na exploração do relacionamento com seus torcedores.

No Brasil, Ozawa mencionou Corinthians, Flamengo e Fluminense entre os clubes que vêm desenvolvendo experiências ligadas à torcida também fora das partidas.

IA pode personalizar venda de ingressos

A inteligência artificial é apontada por Ozawa como uma nova etapa dessa estratégia comercial. Segundo ele, a tecnologia está deixando de atuar apenas por meio de chatbots e avançando para agentes capazes de executar tarefas e de antecipar as preferências dos consumidores.

No futebol, esses sistemas poderiam reunir informações sobre os hábitos do torcedor e oferecer diretamente ingressos ou experiências compatíveis com seu perfil.

Ozawa citou como exemplo um sistema capaz de identificar qual setor ou camarote o consumidor costuma escolher e até suas preferências dentro do estádio.

A compra também poderia ser feita fora dos aplicativos tradicionais. Segundo o executivo, um agente de inteligência artificial integrado ao WhatsApp poderia reconhecer as preferências do torcedor e apresentar diretamente as opções mais adequadas.

“Então a gente passa a ser proativo ao invés de passivo”, afirmou.

Para Ozawa, o avanço da tecnologia abre espaço para que os clubes deixem de tratar o ingresso como uma transação isolada e utilizem os dados gerados pela relação com o torcedor para ampliar as possibilidades de consumo.

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