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FIFA amplia torneios e receitas sob Infantino, mas enfrenta pressão política e cobranças por investimentos
Publicado 25/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 25/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: AFP
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou que a entidade vai organizar um Mundial Sub-15 com a participação das 211 federações filiadas à organização. A competição foi confirmada pelo dirigente em uma reunião realizada no último domingo (25), na República Dominicana. A primeira edição da Copa Juvenil será realizada de 22 a 31 de outubro de 2026, no Azerbaijão.
“Queremos fazer o futebol crescer em cada um dos nossos 211 países no mundo. Alguns, infelizmente, não precisam e não querem que outros cresçam, mas precisamos diminuir essa diferença entre os grandes países e todos os outros”, afirmou o italiano.
A proposta tem uma dimensão diferente dos tradicionais torneios de categorias de base justamente pelo número de possíveis participantes. Infantino falou em uma competição que pode reunir mais de quatro mil jovens jogadores.
Ao falar sobre o torneio, Infantino também relacionou projetos desse tamanho à necessidade de ampliar as receitas da FIFA para direcionar recursos ao desenvolvimento do futebol. O dirigente defendeu investimentos provenientes de patrocinadores, emissoras e outras fontes de receita da entidade e afirmou que a intenção é que a modalidade esteja presente em diferentes regiões do mundo.
O torneio não é a primeira aposta da FIFA em uma grande competição. A última Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, foi a edição com a maior receita e o maior lucro da história da FIFA. A arrecadação total do ciclo comercial ultrapassou a marca histórica de US$ 15 bilhões. O torneio superou com folga o recorde anterior da Copa do Catar, em 2022, que havia gerado cerca de US$ 7,6 bilhões.
O crescimento pode ser atribuído ao alto número de seleções que participaram do torneio. A Copa foi expandida para 48 seleções pela primeira vez, e o número total de partidas saltou de 64 para 104 jogos.
Já o Mundial de Clubes, com 32 equipes, foi o torneio de clubes com a maior receita da história do futebol. A arrecadação total atingiu US$ 2,126 bilhões, superando com folga o faturamento acumulado de todas as edições anteriores somadas.
O formato antigo do torneio contava com sete times e tinha uma receita estimada entre US$ 20 milhões e US$ 40 milhões anuais. Desse valor, US$ 16,5 milhões eram distribuídos aos clubes, e o campeão levava US$ 5 milhões em premiação. No novo formato, foram destinados US$ 1 bilhão para serem distribuídos entre os clubes participantes, e o campeão Chelsea faturou cerca de US$ 115 milhões.
Leia Também: CEO da Premier League acusa Infantino de provocar “autodestruição” com proposta de investimento privado na Copa
Cidades dos Estados Unidos que receberam jogos da Copa do Mundo de 2026 alegam que a FIFA ainda não repassou milhões de dólares prometidos para projetos sociais e esportivos, segundo reportagem publicada pela imprensa americana.
De acordo com o veículo, quatro executivos ligados às cidades-sede, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que dirigentes da FIFA prometeram o pagamento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) para cada cidade em recursos de “legado”. O dinheiro seria destinado à construção de minicampos de futebol e ao financiamento de projetos sociais.
Esse é o mesmo valor prometido às cidades que receberam partidas da Copa do Mundo de Clubes de 2025, compromisso anunciado publicamente pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino.
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Siga o Times | CNBCSegundo representantes das sedes do Mundial de 2026, a entidade foi questionada sobre a possibilidade de oferecer a mesma contribuição financeira e garantiu, em diversas ocasiões, que o repasse seria realizado. Diferentemente do torneio de clubes, porém, Infantino não fez um anúncio público sobre os recursos destinados às cidades da Copa do Mundo.
Nos Estados Unidos, as partidas do Mundial foram disputadas em Seattle, na região da Baía de São Francisco, Los Angeles, Dallas, Houston, Kansas City, Atlanta, Filadélfia, Nova York/Nova Jersey, Miami e Boston.
Procurada pela imprensa, a FIFA optou por não comentar o caso.
Os três mandatos de Gianni Infantino (2016-2027) deram continuidade à estratégia de expansão e diversificação de receitas. O faturamento total da FIFA aumentou para US$ 6,4 bilhões no ciclo 2015-2018 e depois para US$ 7,6 bilhões no ciclo 2019-2022. A FIFA projetava inicialmente um faturamento de US$ 11 bilhões para o ciclo 2023-2026, sendo US$ 9 bilhões com a Copa. Depois, elevou essa projeção para US$ 13 bilhões e anunciou que seu faturamento atingiu aproximadamente US$ 15 bilhões.
A FIFA planejou investir US$ 3,8 bilhões na organização da Copa de 2026. A previsão era de que os direitos de transmissão do megaevento renderiam quase US$ 4 bilhões; os direitos de marketing e licenciamento, quase US$ 2 bilhões; e a venda de ingressos e “hospitalidade” (matchday), mais de US$ 3 bilhões. Posteriormente, constatou-se um crescimento maior das receitas, principalmente por causa da publicidade na pausa para hidratação e da elevação dos preços dos ingressos.
O anúncio do novo Mundial Sub-15 aconteceu em meio ao momento de maior pressão política sobre Infantino desde que assumiu a presidência da FIFA. Infantino enfrentou forte oposição da Uefa e de outras confederações após anunciar um projeto para criar uma empresa responsável pela gestão de direitos comerciais de suas principais competições, com a possibilidade de participação de investidores privados.
A proposta foi abandonada pela entidade poucos dias depois, diante da reação de diferentes setores do futebol. A crise chegou a provocar pedidos para uma revisão da liderança de Infantino na FIFA. A Uefa afirmou ter perdido a confiança no dirigente, enquanto a Conmebol declarou apoio ao presidente.
Ao falar sobre o assunto, Infantino não entrou em detalhes sobre as críticas, mas reconheceu o momento de questionamentos e afirmou estar disposto a responder às perguntas.
Além da pressão política, o salário do dirigente também chama atenção. Segundo o mais recente relatório de transparência da FIFA, Infantino teve remuneração bruta de US$ 4,8 milhões referente ao exercício de 2025, valor equivalente a aproximadamente R$ 25 milhões na cotação atual.
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) é legalmente registrada na Suíça como uma associação de direito privado sem fins lucrativos. A entidade não tem acionistas ou donos particulares, sendo formada por 211 federações nacionais filiadas.
O dinheiro arrecadado em competições, como a Copa do Mundo da FIFA, teoricamente deve voltar para o desenvolvimento do esporte. Por esse formato jurídico, a instituição paga menos impostos do que uma multinacional comum.
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