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Novo tarifaço dos EUA ameaça exportações brasileiras e força empresas a buscar novos mercados

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Trump mira canais comerciais do Irã em ‘Dia D econômico’; veja quais países estão mais expostos

Publicado 25/08/2026 • 09:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O governo Trump ameaçou excluir do sistema do dólar qualquer entidade que lave dinheiro para o Irã.
  • Se implementada, a medida poderá cortar significativamente a linha de sustentação econômica que manteve a economia de Teerã durante quase seis meses de guerra.
  • China, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Iraque e Índia estão entre os principais parceiros comerciais do Irã.
Novo tarifaço dos EUA ameaça exportações brasileiras e força empresas a buscar novos mercados

Foto: AFP

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (24) uma campanha de “Dia D econômico” para isolar o Irã da economia global.

Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira (24) uma campanha de “Dia D econômico” para isolar o Irã da economia global, ameaçando impor sanções a “facilitadores” que continuarem fazendo negócios com Teerã.

A medida faz parte da estratégia de Washington para cortar a linha de sustentação comercial que manteve a economia iraniana funcionando durante quase seis meses de guerra.

Embora os detalhes sobre a aplicação das medidas ainda sejam pouco claros, a ameaça pode colocar os Estados Unidos em rota de colisão com alguns dos principais parceiros comerciais de Teerã.

Leia também: Governo Trump anuncia plano global de sanções contra o Irã e indica que China não ficará isenta

China

A China é a maior compradora de petróleo iraniano e funciona como um elo fundamental entre Teerã e a economia global, respondendo por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, segundo o governo dos EUA.

A China registrou US$ 9,96 bilhões em comércio bilateral com o Irã em 2025, excluindo aproximadamente US$ 31,2 bilhões em exportações não declaradas de petróleo bruto iraniano para o país naquele ano, de acordo com a Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China.

Refinarias chinesas independentes absorvem a maior parte desse petróleo, muitas vezes comercializado novamente como petróleo bruto da Malásia ou da Indonésia e liquidado por meio de intermediários fora do sistema do dólar, segundo a Kpler.

O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou várias dessas refinarias neste ano por compras de petróleo iraniano, mas poupou instituições financeiras chinesas.

Pequim se opôs abertamente às sanções americanas contra o Irã, argumentando que a pressão econômica não resolverá as disputas. Em maio, a China ordenou que empresas domésticas ignorassem as sanções dos EUA contra cinco refinarias ligadas ao comércio de petróleo iraniano.

Embora Pequim provavelmente não confronte diretamente Washington em relação à ofensiva de sanções, o país deverá “aumentar discretamente o cumprimento das regras” entre bancos estatais e empresas petrolíferas para evitar ser atingido pelas medidas, afirmou Dan Wang, diretora para a China do Eurasia Group.

Ela apontou para uma “dicotomia entre a declaração oficial e a prática privada”.

“As autoridades chinesas se preocupam mais com o acesso ao dólar para financiamento e com a entrada no mercado americano”, disse.

Emirados Árabes Unidos

Os Emirados Árabes Unidos, localizados a apenas 80 quilômetros do Irã, do outro lado do Golfo Pérsico, há muito tempo são um importante centro comercial para o país.

O comércio bilateral somou cerca de US$ 28 bilhões em 2024, quando os Emirados eram a maior fonte de importações do Irã, respondendo por mais de 30% do total, segundo dados da Organização Mundial do Comércio.

Os Emirados também foram o terceiro maior destino das exportações iranianas, representando 12% dos embarques, que totalizaram mais de US$ 7 bilhões.

Essa relação sofreu um abalo na semana passada, quando os Emirados Árabes Unidos decidiram suspender todas as transações comerciais e financeiras com o Irã, após dois mísseis balísticos serem lançados em direção ao território emiradense. Um deles tinha como alvo navios-tanque pertencentes aos Emirados.

O Irã tem utilizado bancos e o sistema financeiro dos Emirados para acessar a economia mundial por meio de transações ilícitas e frequentemente pouco transparentes. Para cortar esse acesso, seriam necessárias ações mais firmes das autoridades emiradenses contra atividades financeiras e comerciais opacas, segundo o think tank americano The Washington Institute.

“A maioria das atividades de transbordo, contrabando e operações bancárias clandestinas do Irã ocorre em Dubai. Portanto, Washington precisa fazer o possível para ajudar os líderes nacionais dos Emirados, em Abu Dhabi, a convencer e pressionar os líderes de Dubai a cooperar”, escreveu Matthew Levitt, ex-funcionário do Tesouro dos EUA, em uma nota na segunda-feira.

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Turquia

A Turquia mantém importantes relações comerciais com Teerã, importando gás natural iraniano e exportando produtos manufaturados para o país.

O comércio bilateral entre Turquia e Irã chegou a US$ 5,7 bilhões em 2024, segundo o Ministério das Relações Exteriores turco. Ancara exporta principalmente máquinas e peças, produtos químicos e agrícolas, enquanto importa produtos energéticos do Irã.

Enquanto isso, sob um contrato de fornecimento de gás de 25 anos entre os dois países, que expirou no fim de julho, as importações turcas de gás iraniano dispararam neste ano. A participação do Irã no total das importações de gás natural da Turquia subiu para 18,6%, segundo a imprensa local.

Ancara tem buscado diversificar seus fornecedores, ampliando as importações por gasodutos do Azerbaijão e da Rússia. Até agora, porém, o país não sinalizou que pretende cortar relações comerciais com o Irã.

Iraque

O Iraque, dependente de eletricidade e gás iranianos, historicamente mantém bilhões de dólares em comércio com Teerã.

O Irã renovou, em março de 2024, um contrato de cinco anos para fornecer ao Iraque até quase 660 bilhões de pés cúbicos de gás natural por ano. As importações de eletricidade iraniana representaram mais de 30% da geração elétrica do Iraque em 2023, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA).

O comércio entre Iraque e Irã ultrapassou US$ 10 bilhões em 2025, segundo a Reuters, com Teerã exportando alimentos, bens de consumo e outros produtos para o mercado iraquiano.

O comércio diminuiu neste ano devido ao aumento dos riscos de segurança na região e a interrupções intermitentes nas passagens de fronteira desde o início da guerra, no fim de fevereiro.

O Iraque supostamente paga ao Irã entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões por ano pelo gás natural utilizado na geração de eletricidade. As novas sanções americanas podem limitar os pagamentos de Bagdá pela energia iraniana.

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Índia

A Índia, um dos cinco maiores parceiros comerciais do Irã, viu o comércio bilateral entre os dois países cair nos últimos anos, para cerca de US$ 1,6 bilhão no ano encerrado em março de 2026, segundo o Departamento de Comércio indiano.

O valor representa uma queda em relação aos US$ 2,3 bilhões registrados no período de 12 meses até março de 2023.

Nova Délhi exporta principalmente arroz, chá, açúcar e produtos farmacêuticos para o Irã e importa frutas secas e frescas do país.

Em abril, a Índia retomou as importações de petróleo bruto do Irã após uma interrupção de sete anos, depois que os Estados Unidos suspenderam temporariamente as sanções sobre as exportações iranianas de petróleo bruto.

Agora, porém, essas operações serão colocadas à prova caso Washington cumpra a ameaça de sancionar qualquer entidade, incluindo refinarias indianas, que tenha adquirido energia iraniana.

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