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SAF do Bahia: presidente do clube revela desafios de conciliar gestão internacional e identidade
Publicado 13/08/2026 • 16:31 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 13/08/2026 • 16:31 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A transformação do Bahia após a criação da SAF e a entrada do City Football Group mudou não apenas a estrutura de gestão do futebol, mas também o papel do clube associativo. Desde 2023, o grupo internacional detém 90% da Bahia SAF, enquanto os 10% restantes permanecem com o Esporte Clube Bahia.
Em entrevista exclusiva ao Times Brasil – licenciado Exclusivo CNBC, Emerson Ferretti, presidente do Esporte Clube Bahia, explicou como funciona a divisão de responsabilidades entre o clube associativo e o investidor internacional e quais são os desafios para preservar a identidade do Bahia dentro de um modelo empresarial.
Historicamente, o futebol brasileiro foi estruturado em associações civis sem fins lucrativos, nas quais os sócios elegem os dirigentes responsáveis pela administração dos clubes. Com a criação das SAFs, esse modelo passou a permitir a entrada de investidores, que assumem o controle da operação do futebol.
Segundo Ferretti, essa mudança ainda gera resistência entre torcedores e integrantes dos clubes associativos porque representa a transferência de parte do poder de decisão para um investidor.
“Quando você cria uma SAF, acaba atraindo um parceiro, um investidor que vai estar investindo recursos e vai ser um sócio majoritário”.
No caso do Bahia, a estrutura ganhou características próprias. O clube havia encerrado outras atividades esportivas e sociais cerca de 15 anos antes da criação da SAF, concentrando sua estrutura no futebol. Com a transferência de 90% da SAF para o Grupo City, o clube associativo precisou redefinir sua atuação.
Ferretti explicou que sua gestão passou a ter entre as principais atribuições o acompanhamento dos compromissos assumidos pelo investidor. O presidente do clube associativo também ocupa uma cadeira no conselho de administração da SAF.
“Nós somos sócios minoritários. O presidente tem uma cadeira no conselho de administração da SAF e acompanha esse trabalho diariamente para preservar tudo que foi acordado”.
A fiscalização, no entanto, não significa participação direta nas decisões esportivas. A escolha de treinadores, contratações, investimentos no elenco e outras decisões relacionadas à operação do futebol ficam sob responsabilidade do Grupo City.
O clube associativo mantém, por outro lado, uma função considerada estratégica na preservação da identidade institucional do Bahia. Mudanças relacionadas ao escudo, às cores, ao hino e aos uniformes precisam passar pela associação e seguir os procedimentos previstos no estatuto.
“Nós não temos o poder de decisão dentro do futebol. Esse dia a dia do futebol é responsabilidade do Grupo City. O clube associativo participa fiscalizando e acompanhando o trabalho”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCA associação também passou a buscar novas frentes de atuação. Segundo o presidente, o Bahia trabalha para ampliar o número de modalidades esportivas e transformar novamente a entidade em uma referência esportiva no Nordeste.
O movimento inclui o desenvolvimento de novas modalidades e a tentativa de criar uma estrutura que vá além do futebol profissional.
“O Grupo City tem expertise e tem um caso de sucesso que é o Manchester City. Eles têm expertise para transformar a realidade do Bahia e também têm poderio financeiro para fazer isso”.
Segundo o presidente, o Bahia passou a frequentar as primeiras posições do Campeonato Brasileiro nos últimos três anos e conseguiu disputar a pré-Libertadores em duas oportunidades, algo que não acontecia havia mais de três décadas.
O clube também voltou a ter jogadores convocados para a Seleção Brasileira, outro marco que, de acordo com Ferretti, não ocorria havia mais de 30 anos.
A mudança de perspectiva também pode ser observada na relação com a torcida. Para o presidente, o nível de cobrança mudou conforme os resultados esportivos melhoraram.
“Hoje a torcida fica insatisfeita por não classificar diretamente para a Libertadores e não mais por se livrar do rebaixamento”.
Para Ferretti, o processo ainda exige ajustes e não está livre de críticas. A presença de um investidor internacional modifica a estrutura de poder do clube e exige uma nova relação entre associação, SAF, torcida e gestores.
Apesar dos desafios, o presidente considera que a parceria trouxe resultados positivos até o momento e elevou as expectativas em torno do futuro do Bahia.
“Já houve um avanço muito grande. É lógico que todo projeto precisa de ajustes o tempo todo, mas, de certa forma, o resultado está sendo bem positivo para o clube”, afirmou.
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