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Bolsa brasileira deve andar de lado até o fim do ano em meio à cautela eleitoral
Publicado 14/08/2026 • 23:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 14/08/2026 • 23:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A bolsa brasileira deve ter dificuldade para sustentar uma recuperação mais forte antes do fim do ano e tende a andar de lado enquanto investidores aguardam maior clareza sobre o cenário eleitoral e a política econômica de 2027. A avaliação é de Guilherme Barbosa, CEO da API Capital.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Barbosa afirmou que o investidor estrangeiro, responsável por boa parte do movimento de alta observado no primeiro semestre, passou a demonstrar maior cautela diante do aumento das incertezas internas e externas.
Segundo Barbosa, além da proximidade das eleições brasileiras, o mercado absorve fatores como as tensões no Oriente Médio e a continuidade do fluxo de investimentos para os Estados Unidos, especialmente para empresas ligadas à inteligência artificial.
“De fato, não foi uma semana muito positiva para o investidor brasileiro. Reflexo disso a gente vê tanto na bolsa quanto no dólar”, disse.
Perguntado sobre os possíveis gatilhos para uma recuperação dos ativos brasileiros, Barbosa afirmou que não espera uma mudança relevante no comportamento dos investidores locais no curto prazo.
Na avaliação dele, o mercado pode permanecer lateralizado pelo menos até que haja maior definição sobre o resultado eleitoral e sobre a condução econômica do próximo governo.
“Acho que a gente vai andar de lado mesmo”, afirmou.
Barbosa disse que um plano econômico considerado consistente pelo mercado poderia melhorar o apetite de fundos e investidores pessoas físicas, mas avaliou que ainda há pouca informação concreta sobre as propostas em discussão.
“A gente ainda não tem um plano de governo substancial para analisar”, afirmou.
Para o CEO da API Capital, o investidor estrangeiro continua sendo o agente com maior capacidade de provocar movimentos relevantes na bolsa brasileira no curto prazo.
“O mercado emergente para ele é uma posição relativamente pequena. Então, ele compra e vende com uma facilidade muito grande”, disse.
Barbosa destacou que investidores locais enfrentam incentivos diferentes. Fundos previdenciários, multimercados e outros institucionais encontram hoje alternativas de renda fixa com retornos reais elevados e menor volatilidade.
“Com juro real elevado, ele prefere a NTN-B, pagando risco soberano, com uma segurança para pagar essa aposentadoria no médio e longo prazo, sem volatilidade como a da bolsa”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCNesse ambiente, segundo ele, sobra menos demanda doméstica capaz de impulsionar as ações.
“Sobram poucas pessoas para poderem comprar bolsa”, disse.
O cenário de cautela também está refletido nas alocações da API Capital.
Barbosa afirmou que a casa mantém exposição estrutural reduzida à bolsa e tem priorizado investimentos pós-fixados no mercado doméstico.
“A gente está muito cético nas alocações para os clientes aqui do escritório. Está pouco otimista com a bolsa brasileira”, afirmou.
Segundo ele, os atuais níveis de juros reais permitem atingir objetivos de médio e longo prazo sem assumir a mesma volatilidade observada no mercado acionário.
“Qualquer cenário que você calcule um plano de aposentadoria de um cliente, um plano de um cliente que tem o objetivo de fazer algum grande investimento em três, quatro anos, com esse juro real, ele é muito favorável sem você precisar incorrer em risco, em volatilidade com bolsa”, disse.
A posição mais defensiva deve continuar em 2027, segundo o executivo.
“A nossa posição estrutural em bolsa está muito baixa para 2027 também”, afirmou.
Barbosa citou dois fatores principais que poderiam levar a API Capital a rever essa estratégia.
No exterior, seria necessário um ambiente mais favorável aos mercados emergentes, capaz de estimular nova entrada de capital estrangeiro no Brasil.
Internamente, o executivo apontou como condições importantes maior previsibilidade das contas públicas, controle da inflação e clareza sobre a trajetória dos gastos do governo.
“Seria um cenário externo mais benigno, que pudesse catalisar a entrada do estrangeiro, e um cenário interno olhando para contas públicas, melhor controle da inflação e maior previsibilidade da evolução das contas públicas e dos gastos”, afirmou.
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