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Ibovespa cai 0,60% com pressão externa e juros; Vale e Petrobras limitam perdas

Publicado 23/07/2026 • 18:06 | Atualizado há 8 horas

KEY POINTS

  • Ibovespa recuou 0,60%, aos 176.480,20 pontos.
  • Queda das ações de tecnologia no exterior e alta do petróleo pressionaram os mercados globais.
  • Fluxo estrangeiro para ações de maior peso ajudou a limitar as perdas no mercado brasileiro.

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (23), pressionado pela piora dos mercados no exterior, pela alta do petróleo e pelo avanço dos juros futuros. Ainda assim, o índice brasileiro teve desempenho menos negativo do que as principais bolsas internacionais.

O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,60%, aos 176.480,20 pontos.

A sessão foi marcada por perdas entre as grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos e pelo aumento das preocupações com a guerra no Oriente Médio. O petróleo acima de US$ 100 por barril reforçou o temor de novas pressões sobre a inflação global e de juros elevados por mais tempo.

Exterior reduz apetite por risco

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, afirmou que o ambiente internacional concentrou as atenções dos investidores.

Segundo ele, balanços de grandes empresas de tecnologia elevaram as dúvidas sobre o volume de recursos destinado à inteligência artificial e à construção de centros de dados. A forte queda de algumas ações do setor contaminou os índices americanos.

Corleta destacou que o cenário macroeconômico também piorou com as novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã e com a ampliação das tensões no Mar Vermelho.

O avanço do petróleo voltou a elevar as preocupações com os custos de energia e com a possibilidade de repasse aos consumidores.

“Com isso, maiores juros, menos apetite por ativos de risco e menos apetite também por mercados emergentes”, afirmou.

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Na bolsa brasileira, o avanço das ações da Vale e da Petrobras ajudou a amortecer as perdas do Ibovespa. A mineradora ganhou força mesmo em um pregão de maior cautela, enquanto a estatal acompanhou a valorização do petróleo no mercado internacional. Como as duas companhias têm peso relevante no índice, o desempenho positivo dos papéis impediu uma queda mais acentuada.

Juros futuros preocupam

Apesar da forte alta do Ibovespa na sessão anterior, Corleta chamou a atenção para o comportamento da curva de juros brasileira, que manteve trajetória de alta.

Na avaliação do analista, o movimento mostra que o mercado continua desconfiado da trajetória da dívida pública e do cenário fiscal, mesmo diante da valorização recente das ações e da queda do dólar.

Corleta afirmou que essa incerteza aparece com mais intensidade nos ativos de renda fixa do que no mercado acionário.

“O mercado não confia na trajetória da dívida, apesar de olhar com bons olhos para algumas ações que estão descontadas”, disse.

Estrangeiro limita perdas

O retorno gradual do investidor estrangeiro ajudou a evitar uma queda mais intensa do Ibovespa. Segundo Corleta, as compras externas permanecem concentradas nas ações de maior liquidez e peso no índice, especialmente bancos e empresas exportadoras de commodities.

Esse fluxo contribuiu para o descolamento do mercado brasileiro em relação ao exterior nos últimos pregões. Na quarta-feira (22), o Ibovespa havia registrado forte alta, mesmo diante de um ambiente internacional desfavorável.

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