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Ibovespa perde os 170 mil pontos e cai 1,06% com temor fiscal; dólar sobe a R$ 5,39
Publicado 29/10/2026 • 17:51 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 29/10/2026 • 17:51 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Ibovespa fechou em queda de 1,06% nesta quinta-feira (29), aos 169.186,42 pontos, perdendo o patamar dos 170 mil pontos em mais uma sessão de pessimismo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O dólar, por sua vez, avançou 0,89%, a R$ 5,3878, pressionado pelas preocupações com a política fiscal do próximo governo e pela falta de definições sobre quem comandará o Ministério da Fazenda.
O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 168.765,35 pontos e a máxima de 171.402,97 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 31 bilhões. Com o resultado, o Ibovespa acumulou quatro sessões consecutivas de queda desde o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
No câmbio, a moeda americana também apresentou forte volatilidade, negociada entre R$ 5,3434 e R$ 5,4290 durante a sessão.
A cautela dos investidores ganhou força após declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, contrárias a um ajuste fiscal baseado em cortes de programas sociais. Ao longo da tarde, informações sobre uma possível indicação do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para o Ministério da Fazenda ajudaram a reduzir parte da pressão sobre o dólar.
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Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brasil Wealth, afirmou que a sequência de quedas da bolsa brasileira está relacionada principalmente à desmontagem de posições assumidas por investidores antes do resultado das eleições.
Segundo o analista, parte expressiva dos participantes do mercado, tanto brasileiros quanto estrangeiros, estava posicionada para um resultado eleitoral diferente. Com a reeleição de Lula, esses investidores passaram a reduzir a exposição aos ativos domésticos, intensificando a pressão vendedora.
Corleta avaliou que a falta de sinalizações claras do governo sobre os próximos passos da política econômica tem dificultado uma recuperação mais consistente da bolsa.
“O mercado muitas vezes prefere a notícia ruim do que a não notícia”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a ausência de definições sobre a equipe econômica e as medidas fiscais mantém os investidores cautelosos, enquanto o mercado tenta encontrar um novo patamar de preços após a forte desvalorização registrada nesta semana.
O analista destacou que diversas ações brasileiras já são negociadas nas mínimas do ano, com perdas expressivas especialmente entre empresas mais endividadas e sensíveis à trajetória dos juros.
Segundo Corleta, companhias ligadas ao varejo, à construção civil e outros setores dependentes de crédito estão entre as mais vulneráveis ao cenário de juros elevados e incertezas fiscais.
Por outro lado, empresas exportadoras, como a WEG, podem apresentar maior resistência às turbulências domésticas, já que parte de suas receitas é beneficiada pela valorização do dólar.
O cenário fiscal voltou a concentrar as atenções dos investidores nesta quinta-feira após declarações de Guilherme Boulos nas redes sociais.
Em publicação no X, o ministro afirmou que a proposta de ajuste fiscal baseada em cortes de gastos sociais foi rejeitada nas urnas e defendeu a manutenção das prioridades econômicas apresentadas durante a campanha eleitoral.
As declarações ampliaram as dúvidas sobre a possibilidade de o próximo governo adotar medidas de contenção de despesas, em um momento em que investidores aguardam sinalizações sobre a trajetória da dívida pública.
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Siga o Times | CNBCDurante a entrevista, Corleta avaliou que as falas de Boulos não foram o principal fator responsável pela queda da bolsa, que reflete um movimento mais amplo de redução de posições em ativos brasileiros.
O analista também comentou as informações de que Lula poderia viajar ao Piauí na próxima semana para convidar o governador Rafael Fonteles a assumir o Ministério da Fazenda.
Segundo Corleta, embora Fonteles tenha experiência na área econômica, sua eventual indicação não seria suficiente, sozinha, para recuperar a confiança dos investidores no curto prazo.
Na avaliação do especialista, o mercado espera principalmente uma definição clara sobre as prioridades fiscais e a autonomia que será concedida à equipe econômica.
Enquanto o real perdeu valor frente ao dólar, a moeda americana apresentou recuo em relação às principais divisas internacionais.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,15%, aos 102,036 pontos.
O euro avançava 0,16%, a US$ 1,1172, enquanto a libra ganhava 0,36%, cotada a US$ 1,3375.
No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para novembro subia 0,84% às 17h08, negociado a R$ 5,3940.
A valorização da moeda americana no Brasil, na contramão do movimento observado no exterior, reforçou o peso das incertezas fiscais domésticas sobre as negociações.
Durante a sessão, o dólar chegou a testar a máxima de R$ 5,4290 após as declarações de Boulos. Perto do fechamento, porém, reduziu parte dos ganhos com as informações sobre a possível indicação de Rafael Fonteles para o Ministério da Fazenda.
Corleta destacou que a expectativa de manutenção dos juros brasileiros em patamares elevados pode funcionar como um fator de contenção para o câmbio, embora o cenário continue marcado pela volatilidade.
Segundo o analista, investidores passaram a considerar a possibilidade de interrupção do ciclo de cortes da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), diante do aumento das preocupações com a inflação e a política fiscal.
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No exterior, investidores acompanharam os resultados de grandes empresas de tecnologia, em uma temporada de balanços marcada por questionamentos sobre os investimentos elevados em inteligência artificial.
Corleta destacou a reação negativa do mercado aos resultados da Alphabet, controladora do Google, além dos balanços divulgados por Amazon e Intel.
Segundo o analista, os investidores estão mais exigentes com o retorno financeiro dos investimentos em infraestrutura para inteligência artificial, especialmente diante do aumento dos custos de financiamento dessas companhias.
Na avaliação de Corleta, uma eventual redução do interesse pelas grandes empresas de tecnologia pode estimular uma migração de recursos para setores mais tradicionais da economia, como indústria, bancos, saúde e empresas produtoras de commodities.
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