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Ações da Intel despencam 20% após empresa projetar trimestre fraco com desaceleração dos PCs

Publicado 29/10/2026 • 17:34 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Intel prevê receita abaixo do esperado no quarto trimestre e atribui projeção à fraqueza persistente do mercado de computadores.
  • Diretor financeiro diz que desaceleração dos PCs deve continuar pelo menos até o primeiro semestre de 2027.
  • Ações da fabricante acumulavam forte valorização em 2026, mas recuaram em outubro em meio a dúvidas sobre investimentos em IA.

As ações da Intel despencaram 20% nas negociações após o fechamento do mercado nesta quinta-feira (29), depois que a fabricante de chips divulgou uma projeção fraca para o quarto trimestre, citando a persistente desaceleração do mercado mundial de computadores pessoais (PCs).

Veja como a companhia se saiu no terceiro trimestre, em comparação com as estimativas de analistas consultados pela LSEG:

  • Lucro por ação: US$ 0,52 ajustado, ante US$ 0,40 esperado.
  • Receita: US$ 16,51 bilhões (R$ 89,5 bilhões), ante US$ 16,5 bilhões esperados.

A receita cresceu 21%, ante US$ 13,7 bilhões (R$ 74,3 bilhões) um ano antes, informou a companhia em comunicado.

Leia também: Intel avança em fábrica de chips em Ohio, atrasada em pelo menos cinco anos

No entanto, a receita da divisão de computação para clientes e inteligência artificial física caiu 5% na comparação anual, para US$ 8,1 bilhões (R$ 43,9 bilhões), abaixo das estimativas, enquanto a receita de data centers e IA saltou 78%, para US$ 7,3 bilhões (R$ 39,6 bilhões).

As remessas globais de PCs recuaram 4% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, devido à disparada dos custos de memória e de outros componentes, segundo a Counterpoint Research.

Para o trimestre atual, a Intel prevê lucro ajustado de US$ 0,25 por ação e receita entre US$ 15 bilhões (R$ 81,3 bilhões) e US$ 16 bilhões (R$ 86,7 bilhões). Analistas esperavam receita de US$ 17,1 bilhões (R$ 92,7 bilhões) e lucro de US$ 0,43 por ação, segundo a LSEG.

Mercado de PCs e demanda por inteligência artificial

“Vemos a desaceleração do mercado de PCs continuar pelo menos durante o primeiro semestre do próximo ano, mas seguimos otimistas com as oportunidades em nosso portfólio mais amplo”, afirmou David Zinsner, diretor financeiro da Intel, no comunicado. “Continuaremos fazendo investimentos disciplinados em capacidade e capital de giro para ampliar a oferta e sustentar o crescimento futuro.”

As ações da Intel acumulavam alta de cerca de 150% em 2026, mas recuavam aproximadamente 23% em outubro, à medida que surgiam preocupações com a dimensão dos investimentos na expansão da inteligência artificial.

Conhecida principalmente por suas unidades centrais de processamento (CPUs), a Intel se beneficiou da ascensão da IA agêntica. Enquanto chatbots e grandes modelos dependem fortemente de processadores gráficos da Nvidia e da Advanced Micro Devices (AMD), aplicações agênticas como o Muse, da Meta, e o Dots, da OpenAI, utilizam CPUs para coordenar tarefas e dados em computadores que operam na nuvem.

Leia também: CEOs da Intel e da Broadcom alertam que falta de capital pode limitar avanço da IA

“Apesar dos obstáculos de curto prazo que afetam o setor mais amplo de PCs, continuamos vendo uma demanda robusta por CPUs e, de forma mais abrangente, por todas as nossas plataformas de computação no longo prazo”, afirmou Lip-Bu Tan, CEO da Intel, no comunicado.

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A Nvidia, que se tornou a empresa mais valiosa do mundo graças ao domínio no mercado de GPUs, tem divulgação de resultados prevista para meados de novembro. A AMD apresenta seus números na próxima semana.

Fábricas de chips e busca por novos clientes

Enquanto isso, o negócio de fabricação de chips para terceiros, a Intel Foundry, ainda enfrenta dificuldades para se firmar.

A Intel é a única fabricante sediada nos Estados Unidos de chips lógicos avançados e já produz em grande escala seu processo mais avançado, o 18A, em sua nova fábrica no Arizona, oferecendo uma alternativa à Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC).

Embora a Intel continue sendo a única grande cliente dessa tecnologia, analistas afirmam que uma importante empresa de chips sem fábricas próprias poderá optar pelo próximo processo da companhia, o 14A.

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“As empresas querem uma segunda fonte de fornecimento para poder pressionar a TSMC e garantir que ela mantenha preços competitivos”, afirmou Dan Hutcheson, analista da TechInsights. “Todas as grandes empresas estão fazendo testes lá.”

O governo de Donald Trump adquiriu uma participação de 10% na Intel no ano passado, depois que a companhia ficou para trás nas tecnologias de 7 e 10 nanômetros. A Nvidia e o SoftBank também investiram bilhões de dólares na fabricante em 2025.

Tan adotou uma postura mais cautelosa em relação aos gastos com fábricas do que seu antecessor, Pat Gelsinger, responsável por lançar um ambicioso plano de recuperação da operação de fabricação de chips.

Na semana passada, a Intel informou que equipes instalaram a primeira treliça estrutural de sua gigantesca fábrica em Ohio, originalmente prevista para começar a entregar chips em 2025. A próxima fábrica da empresa no Arizona deve iniciar as operações até o fim de 2028.

Leia também: Intel inicia produção do seu chip mais avançado e aproxima-se de um possível acordo com a Apple

A Oracle anunciou nesta semana a ampliação de um acordo com a Intel. Durante sua conferência anual de IA, a empresa informou que adotará a próxima geração de processadores Xeon para servidores, além dos sistemas mais recentes da Nvidia e da AMD, enquanto continua expandindo a capacidade de seus data centers.

A Intel concluiu uma oferta de ações de US$ 23 bilhões (R$ 124,7 bilhões) em agosto. Nos últimos anos, gigantes da tecnologia investiram trilhões de dólares para atender à demanda intensa por IA e pela infraestrutura necessária para sustentá-la.

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