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Ibovespa recua 0,17% com mercado digerindo debate; dólar cai a R$ 5,05 com atuação do BC
Publicado 19/10/2026 • 18:34 | Atualizado há 29 minutos
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Publicado 19/10/2026 • 18:34 | Atualizado há 29 minutos
KEY POINTS
O Ibovespa fechou praticamente estável nesta segunda-feira (19), com investidores digerindo o primeiro debate do segundo turno e novas sinalizações da reta final da campanha. O índice chegou a avançar durante o pregão, mas perdeu força com a pressão da Petrobras, enquanto ações ligadas à economia doméstica seguiram em alta.
O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,17%, aos 205.079,25 pontos, depois de oscilar entre 204.268,99 e 207.387,56 pontos. O volume financeiro somou R$ 21,6 bilhões.
No câmbio, o movimento foi mais definido. O dólar à vista caiu 0,50%, a R$ 5,0481, após variar entre R$ 5,0405 e R$ 5,0656.
O primeiro debate do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo pela Band, teve forte troca de acusações e pouco espaço para o detalhamento de propostas.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, avaliou que o encontro teve efeito limitado sobre os preços nesta segunda-feira.
“Em relação ao debate, foi um debate neutro. Acho que é consenso que foi um debate raso, baseado em acusações e muito menos no detalhamento de propostas”, afirmou.
Segundo ele, o mercado também recebeu novas pesquisas ao longo do dia, mas sem uma sinalização suficientemente clara para definir uma direção única para os ativos.
O resultado apareceu em um pregão de sinais mistos. Enquanto o Ibovespa terminou levemente negativo e os juros futuros subiram, ações de varejo, construção civil e outros setores ligados à economia doméstica avançaram.
A Petrobras esteve entre as principais pressões sobre o índice nesta segunda-feira, apesar de o petróleo seguir em patamar elevado.
Corleta avaliou que parte do movimento pode ser explicada por uma rotação de posições, com investidores reduzindo exposição a exportadoras e commodities para buscar empresas mais ligadas à economia brasileira.
“Você tem o mercado talvez saindo um pouquinho das exportadoras de commodities diante dessa queda do dólar e buscando mais pelas ações domésticas, que são um destaque de alta do pregão”, afirmou.
O movimento chamou atenção porque ocorreu mesmo com a curva de juros em alta — cenário que normalmente tende a pesar justamente sobre varejistas, construtoras e outras empresas sensíveis ao custo do crédito.
Para Corleta, essa aparente contradição mostra o peso que as expectativas para o segundo turno ainda exercem sobre esses papéis.
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Siga o Times | CNBCApesar da reação das ações domésticas, o analista afirmou que as expectativas de um ajuste fiscal mais profundo a partir de 2027 perderam parte da força nos últimos dias.
Segundo Corleta, propostas apresentadas durante a reta final da campanha aumentaram as dúvidas sobre quanto espaço haverá para cortes de despesas depois da eleição.
“A expectativa de que um grande ajuste fiscal venha ficou um pouco arranhada nesses últimos dias”, disse.
Ele citou como exemplo propostas relacionadas a programas sociais e afirmou que temas considerados mais difíceis, como cortes de despesas ou mudanças nas regras de benefícios, tendem a ter pouco espaço na reta final de uma eleição.
Na avaliação de Corleta, independentemente do vencedor, o próximo governo terá de enfrentar um cenário fiscal desafiador, com necessidade de controlar despesas ou elevar receitas para impedir uma deterioração maior da dívida pública.
No câmbio, o destaque do dia foi a retomada das operações do Banco Central.
O dólar à vista caiu 0,50%, a R$ 5,0481, e acelerou as perdas durante a tarde. O BC retomou os leilões de rolagem de swaps cambiais depois de as operações terem sido suspensas na semana passada por problemas técnicos.
A autoridade monetária vendeu todo o lote de 75 mil contratos, equivalente a US$ 3,75 bilhões, para a rolagem do vencimento de novembro.
O movimento ocorreu mesmo com a moeda americana avançando no exterior. O índice DXY subia 0,16%, aos 102,001 pontos. O euro recuava 0,22%, a US$ 1,1212, enquanto a libra perdia 0,19%, a US$ 1,3303.
Com o segundo turno marcado para o próximo domingo, Corleta espera uma semana de oscilações fortes.
Segundo ele, o mercado de opções já indica níveis elevados de volatilidade esperada em setores como varejo, construção, indústria e locação de veículos — justamente alguns dos segmentos mais sensíveis às expectativas sobre política econômica.
“É bem difícil projetar o que vai acontecer nos próximos dias”, afirmou.
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