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Nasdaq busca recuperação após pior onda de vendas em 19 meses, enquanto investidores voltam a comprar ações de empresas ligadas à IA

Publicado 06/11/2026 • 18:52 | Atualizado há 19 horas

KEY POINTS

  • Nasdaq avançava 1,5% nesta sexta-feira, impulsionado pela recuperação das ações de semicondutores após forte onda de vendas que levou o índice a entrar em território de correção.
  • Nvidia e Micron registravam altas de 2% e 3%, respectivamente, recuperando parte das perdas expressivas do pregão anterior, quando as Sete Magníficas perderam US$ 1 trilhão em valor de mercado.
  • Apesar da recuperação, Nasdaq e S&P 500 caminhavam para encerrar a semana com perdas de 3% e 2%, em meio a preocupações com data centers, inteligência artificial e dados de emprego dos EUA.

Foto: Getty Images

O Nasdaq Composite se recuperou nesta sexta-feira, com investidores aproveitando a queda recente para comprar ações de empresas do setor de semicondutores. O movimento veio após uma forte onda de vendas que levou o índice a entrar em território de correção.

O Nasdaq, que reúne principalmente empresas de tecnologia, avançava 1,5%. O S&P 500 subia 0,8%, enquanto o Dow Jones Industrial Average operava praticamente estável.

Na quinta-feira, os mercados americanos foram fortemente pressionados por preocupações de que as recentes vitórias expressivas dos democratas na Câmara dos Representantes, no Senado e em disputas importantes para governos estaduais possam dificultar a expansão dos data centers.

A onda de vendas levou os três principais índices de ações dos Estados Unidos a registrar suas maiores perdas em um único pregão desde abril de 2025. O Nasdaq Composite despencou 5,5% e encerrou o dia mais de 10% abaixo de seu recorde mais recente, entrando oficialmente em território de correção. Já o S&P 500 caiu 4,4%, enquanto o Dow Jones perdeu mais de 1.800 pontos, uma queda de 3,4%.

Todos os 11 setores do S&P 500 fecharam em baixa, mas as maiores perdas ficaram concentradas nas empresas que se beneficiam diretamente dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA).

Na sexta-feira, as ações da Micron Technology subiam 3%, depois de terem despencado 17% no pregão anterior. A Nvidia avançava 2%, recuperando parte da queda de 9% registrada na quinta-feira e voltando a acumular valorização no ano.

“A magnitude das perdas registradas por algumas das maiores empresas do mercado tem sido impressionante. Ao mesmo tempo, esse movimento deixa evidente o risco de concentração que se acumulou no mercado acionário americano”, afirmou Stuart Clark, gestor de portfólio da Quilter, em comentário enviado por e-mail.

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“Como uma parcela cada vez maior do mercado está concentrada em um grupo relativamente pequeno de empresas de tecnologia e semicondutores, qualquer enfraquecimento dessas ações acaba provocando quedas expressivas no Nasdaq e no S&P 500.”

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Juntas, as empresas do grupo conhecido como “Sete Magníficas” (Magnificent Seven) perderam US$ 1 trilhão (R$ 5,5 trilhões) em valor de mercado apenas na quinta-feira. Na sexta-feira, além da Nvidia, as ações da Tesla, da Meta Platforms e da Alphabet também operavam em alta.

Desde a expressiva vitória eleitoral dos democratas, algumas das principais lideranças do partido vêm defendendo medidas para frear a expansão dos data centers. A governadora eleita do Texas, Gina Hinojosa, afirmou em entrevista à CNN na noite de quinta-feira que pretende adotar medidas para proteger a população do estado, um dos principais polos de data centers dos Estados Unidos.

“Vamos aprovar leis para proteger os texanos. Até que essas medidas estejam em vigor, precisamos suspender o que está sendo feito em relação aos data centers”, declarou.

Para Chris Grisanti, da MAI Capital Management, a preocupação dos investidores deve continuar nos próximos meses, já que Hinojosa e outros políticos eleitos só assumirão seus cargos em janeiro. Ainda assim, o estrategista-chefe de mercado mantém uma visão positiva sobre o futuro da inteligência artificial. Na avaliação dele, os projetos e contratos ligados à expansão dessa infraestrutura devem sair do papel.

“É claro que as eleições criaram um obstáculo adicional, mas estamos diante de uma revolução industrial comparável à que vimos com as ferrovias e, mais tarde, com a internet. Esse movimento não vai parar”, afirmou. “Não acredito que já tenhamos chegado ao fundo do poço, mas acho que estamos começando a enxergá-lo.”

O otimismo observado na sexta-feira perdeu força depois que pessoas familiarizadas com o assunto disseram à CNBC que a Microsoft planeja reduzir o número de parceiros de neocloud.

Os investidores também repercutiam a divulgação dos dados mais recentes do mercado de trabalho americano. O relatório de emprego fora do setor agrícola (Nonfarm Payrolls) mostrou a criação de 165 mil vagas em outubro, bem acima das 59 mil esperadas pelos economistas consultados pela Dow Jones. A taxa de desemprego também surpreendeu positivamente ao cair para 4,1%, enquanto a expectativa era de estabilidade em 4,2%.

Apesar da recuperação de sexta-feira, os três principais índices americanos caminhavam para fechar a semana no vermelho, mesmo após a forte alta registrada na quarta-feira, na esteira do resultado das eleições. O Nasdaq acumulava queda de 3% na semana, seguido pelo S&P 500, com recuo de 2%. O Dow Jones, formado por 30 grandes empresas americanas, apresentava o melhor desempenho relativo, com perda inferior a 1%.

Historicamente, após uma correção do Nasdaq, as ações de tecnologia costumam encontrar um ponto de estabilização nos três a seis meses seguintes. Isso não significa, porém, que a volatilidade esteja perto do fim: no curto prazo, o mercado ainda pode enfrentar fortes oscilações.

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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