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Ouro a US$ 6 mil: o metal vai continuar subindo ou é voo de galinha?
Publicado 30/01/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 30/01/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 semanas
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Barras de ouro
A sequência recente de altas do ouro, em meio a forte volatilidade e tensões geopolíticas, reacendeu entre analistas a discussão sobre até quando dura o rali do metal. Após renovar máximas históricas, a questão central deixou de ser apenas o que impulsiona os preços e passou a ser até quando esse movimento pode se sustentar, e se ainda faz sentido investir no ativo.
Para especialistas consultados pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a valorização do ouro não é um fenômeno de curto prazo ou fruto exclusivo do fluxo do mercado, mas reflexo de um ambiente econômico e político marcado por maior instabilidade estrutural.
“É importante entender que a alta do ouro não é um movimento pontual nem puramente especulativo, mas o reflexo de um ambiente econômico e político que segue deteriorando as âncoras tradicionais de confiança global”, afirma Patricia Palomo, economista da Arau Consultoria. Segundo ela, dólar enfraquecido, tensões geopolíticas, riscos fiscais nos Estados Unidos e compras recorrentes de bancos centrais têm intensificado a demanda por proteção.
Leia também: Ações de mineradoras despencam após ouro e prata recuarem dos recordes
Na avaliação de Patricia, o ouro vem deixando gradualmente de ser apenas um hedge tático (proteção) para ocupar um espaço mais permanente na alocação global. “Enquanto o mundo seguir fragmentado, com disputas comerciais, conflitos regionais e erosão da previsibilidade institucional, o ouro tende a manter sua trajetória de valorização, ainda que com movimentos naturais de realização no caminho”, diz.
Essa leitura é compartilhada por Danilo Moreno, analista da Investo, que destaca o pano de fundo macroeconômico por trás da valorização recente do metal. Para ele, o enfraquecimento das moedas fiduciárias, especialmente do dólar, em um contexto de expansão fiscal, endividamento elevado e maior incerteza sobre a ordem econômica global, devolveu protagonismo ao ouro como alternativa de reserva de valor.
Moreno pondera, no entanto, que o ritmo recente de alta dificulta estimar até onde os preços podem avançar no curto prazo. Correções são vistas como naturais após valorizações expressivas, sobretudo com investidores mais especulativos realizando lucros. Ainda assim, ele avalia que os fatores estruturais que sustentam a demanda permanecem presentes, o que mantém uma leitura favorável para o médio prazo, ainda que com maior volatilidade.
Na visão de Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o movimento tende a se prolongar justamente pela atuação dos bancos centrais. “A tendência é que essa trajetória de alta perdure por um bom tempo, pois os bancos centrais de vários países estão trocando reservas em dólar por ouro”, afirma. Para ele, o metal combina preservação de valor com retorno acumulado relevante nos últimos anos, em um ambiente de incerteza prolongada.
O papel do ouro como instrumento de proteção também é destacado por Renato Nobile, gestor e sócio da Buena Vista Capital. “O ouro, ele até tem que ser considerado como se fosse um seguro da carteira de investimentos”, afirma. Segundo o especialista, o metal ganha relevância em momentos de maior instabilidade política e macroeconômica, quando outros ativos perdem previsibilidade.
Nobile chama atenção para a mudança recente no comportamento dos tradicionais portos seguros. “Quando a gente pensa em ativos de segurança para o investidor global, ele normalmente recorre ao dólar ou para títulos do Tesouro americano. Mas é muito difícil para o mercado entender qual vai ser a postura do governo americano amanhã, daqui um mês ou daqui um ano”, diz. Nesse contexto, completa: “O que sobra em termos de ativo de segurança para o investidor acaba sendo o ouro”.
Apesar da trajetória recente de valorização, os especialistas alertam que o caminho do metal não deve ser linear. Flavio Vegas, especialista de produto da Global X, avalia que o curto prazo pode trazer ajustes, embora a tendência de fundo siga favorável. “No curto prazo é um pouco difícil dizer, pode haver alguma correção no mercado”, afirma.
Segundo Vegas, três fatores ajudam a sustentar a tese do ouro: a atuação dos bancos centrais, as preocupações com a dívida americana e o nível ainda baixo de alocação do metal em carteiras institucionais. “Apesar da alta do ouro ainda, a gente vê muito investidor institucional que ainda têm pouco ouro em carteira”, diz. Para ele, isso abre espaço para manutenção da tendência de alta do metal nos próximos meses. “No médio a longo prazo, a gente acredita que a tendência de alta deve persistir”.
Leia também: Ouro tem 8ª alta seguida, em dia marcado por volatilidade e tensões
Quando o assunto é investimento, o consenso entre os analistas é que o ouro não deve ser encarado como um ativo de ganho rápido. O metal não gera renda recorrente e seu papel principal é atuar como instrumento de diversificação e proteção patrimonial, especialmente em cenários de estresse, inflação ou crise de confiança.
Para o investidor brasileiro, Patricia Palomo aponta que ETFs (fundos de índice) e BDRs (recibos de ações) negociados na B3 oferecem simplicidade e liquidez para acessar o ouro, enquanto ETFs no exterior atendem quem busca maior eficiência e diversificação. Moreno reforça que os ETFs são hoje a forma mais prática de exposição ao metal para a pessoa física.
Vegas acrescenta que, além da exposição direta ao ouro, investidores também podem acessar a tese via empresas mineradoras, o que altera o perfil de risco e retorno. “Quando você investe em mineradoras, você tem outro tipo de risco, mas também pode ter fluxo de caixa e dividendos”, afirma. Um exemplo disso seria a Aura Minerals, mineradora de ouro que tem suas ações listadas na Nasdaq e seus BDRs na B3, sob o código AURA33. Além de oportunidades de valorização dos papéis, a companhia paga dividendos trimestrais.
A discussão sobre até onde o rali do ouro pode ir também envolve diferentes cenários para os próximos anos. Para Eduardo Tellechea Cairoli, CEO da Privatto Multi Family Office, o caminho mais provável até 2026 é de valorização com volatilidade, sem movimentos lineares.
“Quando a gente olha para o ouro com horizonte até 2026, eu vejo três possibilidades. No cenário mais provável, que é de continuidade com volatilidade, o ouro tende a seguir bem suportado, mas alternando períodos de alta com correções”, afirma. Segundo ele, estudos do World Gold Council apontam para uma faixa de valorização entre 5% e 15% em 2026 em um ambiente de juros mais baixos, dólar enfraquecido e maior aversão a risco.
Cairoli avalia que choques geopolíticos ou financeiros poderiam levar o metal a novas máximas, enquanto uma correção mais técnica não eliminaria a tese estrutural do ouro como proteção. “Na prática, para alocação em portfólio, o ouro segue cumprindo bem o papel de proteção e diversificação”, diz, acrescentando que entradas escalonadas ajudam a reduzir o risco de comprar no pico do movimento.
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Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.
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