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A Europa deve parar de tentar “apaziguar” Trump, aconselha chefe da Anistia Internacional
Publicado 19/01/2026 • 16:33 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 19/01/2026 • 16:33 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Denis Balibouse / Reuters
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard
A Europa deve parar de querer “apaziguar” o presidente americano Donald Trump e, em vez disso, resistir a ele e a outros “tiranos” determinados a destruir a ordem baseada em regras estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, aconselhou nesta segunda-feira (19) a chefe da Anistia Internacional.
“Precisamos de muito mais resistência”, afirmou a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, em entrevista à AFP durante o Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, nos Alpes suíços. Segundo ela, “a credibilidade da Europa está em jogo”.
Suas recomendações ocorrem após o presidente americano, Donald Trump, reafirmar no domingo que os Estados Unidos tomariam posse da Groenlândia “de uma forma ou de outra”.
Os americanos não deram sinais de apaziguamento em relação aos europeus nesta segunda-feira, alertando que “seria muito imprudente” responder às ameaças de sobretaxas alfandegárias feitas por Trump enquanto a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês, não estiver nas mãos dos Estados Unidos.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse no mesmo dia que deseja “evitar uma escalada alfandegária” e afirmou que pretende se encontrar com Donald Trump na quarta-feira em Davos.
Callamard exortou os governos a demonstrarem mais “coragem” e a saberem “dizer não”: “Que parem de acreditar que se pode negociar com tiranos, que deixem de pensar que se pode aceitar as regras de predadores sem se tornar, você mesmo, sua vítima. Isso deve parar”.
“Estamos atravessando uma fase de destruição da ordem baseada em regras”, denunciou ela, lamentando que existam “superpotências” globais e regionais que parecem “determinadas a destruir o que foi estabelecido” após a Segunda Guerra Mundial.
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, há um ano, ele tomou “toda uma série de decisões que levaram ao colapso de muitas regras no mundo”, enquanto a Rússia destrói o sistema ao “agredir a Ucrânia”, afirmou ela.
Nos últimos meses, as potências europeias têm se equilibrado em uma linha tênue em relação à Ucrânia, dependendo de Washington para tentar ajudar a resolver o conflito, ao mesmo tempo em que se opõem a condições excessivamente favoráveis a Moscou.
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Siga o Times | CNBCA ordem do pós-guerra “também está sendo destruída por Israel, que ignorou totalmente o direito internacional com o genocídio de palestinos em Gaza”, acrescentou Callamard.
A Anistia e outras organizações acusaram repetidamente Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza. Israel rejeita veementemente essas acusações, classificando-as como “mentirosas” e “antissemitas”.
O fato de a ordem mundial construída após a Segunda Guerra Mundial “estar sendo destruída hoje sem nenhum plano B, apenas pelo prazer de destruir as regras, deveria causar arrepios em todos nós”, alertou Callamard.
Se Davos, graças ao seu foco no diálogo este ano, “permitir a conscientização de que tal destruição só pode levar o mundo a afundar no abismo, será formidável”, avaliou ela, embora considere que “está muito claro que não há nenhuma evidência de diálogo até o momento” entre os “tomadores de decisão” globais.
Pelo contrário, observou: “Há evidências de intimidação. Há evidências de destruição. Há evidências de que países usam seu poder militar e seu poder econômico para coagir outros a aceitarem seus atos unilaterais”.
No último ano, a política seguida pelos líderes europeus tem sido a do “apaziguamento”, segundo ela.
“Tentamos apaziguar o tirano, o predador que vive em Washington, D.C. Aonde isso nos levou? A cada vez mais ataques. A cada vez mais ameaças”, julgou ela.
Lembrando que o projeto europeu não é apenas econômico, mas também envolve valores e o respeito ao Estado de Direito, Callamard disse esperar que os líderes europeus “vejam nos desafios atuais um meio de reafirmar o projeto europeu”.
“Isso exige o fim da política de apaziguamento”, que “simplesmente não funciona”, concluiu ela, convocando os europeus a “resistirem”.
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