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Carlo Pereira: 250 anos da Independência dos EUA e a possibilidade de uma nova ruptura
Publicado 01/07/2026 • 21:57 | Atualizado há 49 minutos
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Publicado 01/07/2026 • 21:57 | Atualizado há 49 minutos
KEY POINTS
A Independência dos Estados Unidos completa, no dia 04 de julho, 250 anos celebrando um marco histórico que remonta a uma ruptura política ousada contra a maior potência da época, a Inglaterra. Mas a data também reacende um debate estratégico relevante sobre o que pode ser visto como uma nova ruptura. Essa é a avaliação de Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
“O próprio Ray Dalio, grande investidor, estuda os impérios. Ele coloca 18 indicadores. Dois deles, por exemplo, são o endividamento, que está em mais de US$ 35 trilhões. E também a questão das reservas em dólar, que caiu para um momento de maior baixa da história. Então ele diz, por exemplo, assim como vários outros, que sim, a gente pode estar no momento de uma certa ruptura”, afirmou.
Pereira propõe um paralelo com uma startup que enfrenta um futuro incerto no início da trajetória. Ele aponta que os Estados Unidos nasceram como um verdadeiro experimento de risco elevado, um país continental sem precedentes de repúblicas duradouras, sem fundamentação religiosa ou monárquica. Para o Notável, essa origem é a raiz do que se convencionou chamar de “sonho americano”, um projeto que seguiu evoluindo mesmo diante de períodos de instabilidade interna, como no pós-Watergate e durante a Guerra do Vietnã.
Os números atuais reforçam a dimensão dessa liderança. Uma única companhia americana, a Nvidia, alcança hoje valor de mercado próximo de US$ 5 trilhões, um patamar que evidencia a escala do mercado acionário americano, responsável por cerca de metade de todo o valor de mercado das ações negociadas globalmente. O Notável usa o mercado brasileiro como referência da grandeza do americano, com um volume 70 vezes superior ao da Bolsa do Brasil.
Na corrida pela inteligência artificial, os Estados Unidos atraíram 286 bilhões de dólares em investimentos apenas em 2025, enquanto a China, principal concorrente no setor, recebeu cerca de 12 bilhões, uma distância que reforça a dianteira tecnológica americana. “O valor da Nvidia, e não só ela. Tem várias empresas com valor superior a US$ 2 trilhões. É um negócio muito gigantesco”, disse.
Apesar do domínio numérico, Carlo Pereira chama atenção para um fenômeno em que líderes de mercado tendem a resistir a novas tecnologias na tentativa de preservar o status quo. “A própria Kodak, ela tava muito bem financeiramente quando começou a ruir. Por isso que fica, assim, uma dúvida”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCOutro sinal relevante mencionado por Carlo Pereira é a leitura das três principais agências de classificação de risco — S&P, Fitch e Moody’s — que rebaixaram a nota de crédito soberana dos Estados Unidos nos últimos anos, com a Moody’s reduzindo a classificação de AA para AA- em 2025.
Para o Notável, esse movimento levanta questionamentos sobre a governança do país, especialmente considerando que a confiança internacional no dólar como moeda de reserva sempre foi um pilar central da hegemonia americana. Tendo a instabilidade nas políticas comerciais e tarifárias como fator de risco à previsibilidade.
Ao analisar o posicionamento brasileiro nesse cenário global, Carlo Pereira destaca que o verdadeiro diferencial americano não foi apenas o de “vender sonhos”, mas efetivamente construir o futuro como era necessário para o próprio desenvolvimento. “Eles foram sempre incríveis em soft power, foram incríveis em estabelecer o mundo como a gente conhece”, acrescentou.
Nesse contexto, o analista pondera que o Brasil tem diversificado parceiros comerciais, aproximando-se cada vez mais da China, mas alerta que o caminho estratégico para o Brasil está em deixar de apenas contribuir para a construção do futuro de outras potências.
“A gente está falando em aproximadamente 74% do que a gente exporta [para a China] está atrelado a commodity. Os Estados Unidos é o contrário, 80% em produtos de tecnologia, manufaturados”, finalizou.
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