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Economia Brasileira

Departamento do Tesouro Americano bloqueia bens de empresários brasileiros nos EUA por ligação com PCC

Publicado 01/07/2026 • 12:23 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • Desde o dia 5 junho o PCC é considerado organização terrorista pelo governo americano.
  • O esquema funcionava em duas frentes integradas. Enquanto o braço nos EUA operava na Flórida, a liderança logística ficava baseada em São Paulo.
  • Considerado o elo entre os traficantes paulistanos e operadores na Florida, Victor Henrique de Oliveira Shimada é acusado de participar da operação de desvio de dinheiro na negociação do Corinthians com a VaideBet
Bandeira Brasil e EUA

Foto: Canva

Em uma ação conjunta de segurança nacional, o governo dos Estados Unidos anunciou o bloqueio de bens e a aplicação de sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros e quatro empresas, sendo três no Brasil e uma em Portugal. O grupo é acusado de integrar uma rede criminosa voltada para a lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A medida foi coordenada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro americano. Segundo as investigações, a rede operava um esquema sofisticado que unia transações em Miami e na capital paulista, movimentando milhões de dólares por meio de criptomoedas e esquemas comerciais complexos.

Como resultado da ação, todos os bens e interesses em bens das pessoas designadas ou bloqueadas descritas acima, que estejam nos Estados Unidos ou em posse ou sob o controle de pessoas dos EUA, estão bloqueados e devem ser comunicados ao OFAC. As sanções também proíbem que empresas e bancos americanos façam qualquer tipo de negócio com os investigados, sob o risco de severas punições civis e criminais.

Desde o dia 5 junho o PCC é considerado organização terrorista pelo governo americano.

O núcleo do esquema

O esquema desmontado pelas autoridades americanas funcionava em duas frentes integradas. Enquanto o braço nos EUA operava na Flórida, a liderança logística ficava baseada em São Paulo.

  • Victor Henrique de Oliveira Shimada: Apontado como o líder da parte paulista e o elo principal entre os traficantes estrangeiros e os operadores na Flórida. Shimada é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões utilizando criptomoedas para enviar os valores de volta ao Brasil a mando do PCC.
  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: Parente e secretária de Shimada, Stella atuava como intermediária na coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie e cuidava da logística essencial do grupo.

O Tesouro americano destacou que Shimada já havia sido colocado em prisão domiciliar no Brasil, em janeiro de 2025, após uma de suas empresas ser utilizada para lavar dinheiro desviado na negociação do Corinthians com a VaideBet.

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As Empresas Utilizadas pela Rede

Para ocultar a origem do dinheiro e evitar a detecção do sistema bancário tradicional, o grupo controlava quatro empresas que agora foram completamente bloqueadas pelos EUA:

  • Victory Trading (São Paulo) – Serviços financeiros.
  • Wave Construções Inteligentes (São Paulo) – Serviços financeiros.
  • Pixwave Soluções de Pagamentos (São Paulo) – Setor de construção.
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal (Lisboa, Portugal) – Transporte e armazenamento.

Uso de plataformas chinesas

O Departamento do Tesouro alertou que o PCC se consolidou como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, expandindo tentáculos para o Reino Unido, Turquia e Japão.

Investigações recentes de autoridades brasileiras, citadas no relatório americano, revelaram que a facção também utilizava uma rede de distribuição de eletrônicos e uma plataforma de e-commerce da China para realizar a lavagem de dinheiro baseada no comércio. Por esse método específico, mais de US$ 190 milhões foram movimentados em apenas sete meses.

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