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Acordo entre EUA e Irã reduz pressão do petróleo, mas não altera expectativas para a Superquarta

Publicado 16/06/2026 • 21:34 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • O mercado já precifica o fim das hostilidades, porém a normalização da oferta global de petróleo depende da reabertura gradual do Estreito de Ormuz, processo que pode levar cerca de 45 dias para recuperar até 85% do fluxo anterior ao conflito.
  • A queda do petróleo ainda deve demorar para chegar aos combustíveis. Segundo especialistas, uma redução mais consistente nos preços do diesel é esperada apenas no quarto trimestre.
  • No Brasil, as preocupações com o cenário fiscal e a deterioração das expectativas de inflação seguem pesando mais sobre os juros futuros do que o alívio provocado pela queda do petróleo. O mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas vê pouco espaço para reduções adicionais nos próximos meses.

A expectativa dos mercados para a Super Quarta ganhou um novo componente com o avanço do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. A queda recente dos preços do petróleo reduziu parte das preocupações com a inflação global, mas analistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, avaliam que os efeitos sobre as decisões de política monetária do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve devem ser limitados no curto prazo.

Nos EUA, a expectativa é que o Fed mantenha os juros inalterados, mas os investidores devem permanecer atentos às sinalizações da autoridade monetária sobre os próximos passos da política monetária de lá. A queda do petróleo é vista como um fator que ajuda a aliviar pressões inflacionárias futuras, especialmente após meses de preocupação com os impactos do conflito sobre os custos de energia e transporte.

O movimento foi impulsionado pelo anúncio de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, cuja assinatura está prevista para a próxima sexta-feira (19). Desde o início da semana, os contratos futuros do petróleo mergulharam, refletindo a avaliação dos investidores de que os riscos de interrupção prolongada da oferta global de petróleo diminuíram.

Apesar disso, o consenso do mercado aponta que os efeitos econômicos do acordo não serão imediatos. Segundo Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria, o mercado futuro já passou a precificar o fim das hostilidades, mas a normalização do fluxo físico de petróleo dependerá da reabertura gradual do Estreito de Ormuz.

“A interpretação que o mercado está dando é que esse conflito realmente vai terminar. Por isso essa queda rápida”, afirmou.

Semanas de negociação, semanas de normalização

De acordo com ele, o processo deve ocorrer em etapas. Inicialmente, será necessário reorganizar centenas de embarcações que permanecem na região e garantir condições seguras de navegação. A expectativa é que sejam necessários cerca de 20 dias para estabilizar o fluxo marítimo e aproximadamente 45 dias para que o volume transportado volte a atingir entre 80% e 85% dos níveis anteriores ao conflito.

Essa dinâmica faz com que os efeitos sobre a inflação ocorram de forma mais lenta do que a reação observada nos mercados financeiros. Delia destaca que os preços do diesel permanecem pressionados por mais alguns meses. “A gente está imaginando essa queda do preço do diesel lá no quarto trimestre do ano”, afirmou. “Por enquanto, esse spread continua pressionado e o preço do diesel continua alto.”

No Brasil, o cenário internacional favorável chega em um momento particularmente importante para o Copom. Parte do mercado espera que o Banco Central realize um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas as discussões se concentram principalmente na comunicação da autoridade monetária sobre os próximos encontros.

Para Marcos Breda, economista-chefe da AORIS Partners, o comportamento recente dos juros futuros mostra que o mercado doméstico tem reagido cada vez menos às oscilações do petróleo e cada vez mais às preocupações com o quadro fiscal brasileiro. Segundo ele, uma correlação que vinha sendo observada entre os preços da commodity e as taxas de juros perdeu força nas últimas semanas.

Na avaliação do economista, mesmo com a queda do petróleo decorrente das perspectivas de paz no Oriente Médio, os contratos de juros de longo prazo seguem em patamares elevados porque os investidores passaram a incorporar riscos relacionados às contas públicas e às expectativas para a política econômica após 2026.

Breda afirma que os modelos de inflação do Banco Central e as projeções de mercado continuam indicando deterioração das expectativas para horizontes mais longos. Por isso, embora a expectativa da consultoria seja de uma redução de 0,25 ponto na Selic, para 14,25% ao ano, ele considera improvável que o Copom sinalize espaço amplo para novos cortes nos próximos meses.

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“Acho que ele não fecha a porta, mas tem como sinalizar que a barra vai ficar bem mais alta”, afirma.
Segundo o economista, o comitê deve reconhecer que a queda do petróleo ajuda a reduzir alguns riscos inflacionários, mas continuará destacando fatores domésticos que permanecem pressionando os preços, como a atividade econômica resiliente, os estímulos fiscais e a piora das expectativas de inflação.

Outro ponto acompanhado pelos investidores é a possibilidade de o Fed incorporar em suas projeções o impacto da redução dos preços da energia sobre a inflação americana. Embora o alívio recente seja considerado positivo, a autoridade monetária dos Estados Unidos também deve observar os efeitos secundários do conflito sobre cadeias de suprimentos, custos logísticos e expectativas dos consumidores, fatores que continuam influenciando o cenário econômico global.

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