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Crédito de R$ 8 bilhões alivia caixa das aéreas, mas setor segue exposto a crises geopolíticas, alerta especialista
Publicado 03/08/2026 • 10:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/08/2026 • 10:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
O crédito deve ajudar o setor a atravessar o período de alta nos custos provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
O crédito de R$ 8 bilhões anunciado pelo governo federal para companhias aéreas deve ajudar o setor a atravessar o período de alta nos custos provocada pela valorização do petróleo durante o conflito no Oriente Médio. Apesar do alívio de curto prazo, a aviação brasileira continua vulnerável à volatilidade do câmbio, dos combustíveis e das tensões geopolíticas, avalia José Antônio Brasileiro, empresário e especialista em viagens e aviação.
Em entrevista ao Pré-Market, o especialista afirmou que o aumento do preço do querosene de aviação, mesmo após reduções promovidas pela Petrobras nos últimos meses, ainda pesa significativamente sobre as empresas. “O combustível representa entre 30% e 38% do custo operacional das companhias aéreas, chegando a até 45% em alguns casos. Isso impacta diretamente as operações, os custos e acaba refletindo no preço das passagens”, afirmou.
Segundo ele, a linha de crédito, disponibilizada por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e operacionalizada pelo BNDES, dará mais fôlego financeiro às empresas, principalmente às maiores companhias do país. “As maiores empresas, como Latam, Azul e Gol, devem acessar uma parcela maior desses recursos. As companhias menores também serão beneficiadas, o que facilita atravessar esse período com um pouco mais de tranquilidade”, disse.
Leia também: Reajuste do querosene de aviação causa impacto no setor aéreo
Apesar disso, o especialista destaca que o financiamento não resolve desafios estruturais da aviação brasileira. Para ele, o setor continuará sujeito às oscilações do mercado internacional enquanto permanecer dependente do petróleo e do dólar. “O custo da aviação é praticamente todo dolarizado, inclusive o combustível. Além disso, fatores políticos e geopolíticos influenciam diretamente o câmbio e o preço do petróleo, tornando muito difícil alcançar estabilidade”, explicou.
O especialista lembrou que operar uma companhia aérea sempre foi uma atividade de alta complexidade e citou o histórico da Varig como exemplo das dificuldades enfrentadas pelo setor no Brasil.
O especialista também comentou as contrapartidas previstas para o acesso ao crédito, entre elas a ampliação da oferta de voos para a Amazônia Legal e o Nordeste. Segundo ele, a medida pode fortalecer a conectividade regional, mas exige atenção à sustentabilidade financeira das operações.
“Essas regiões não possuem o mesmo fluxo de passageiros dos principais corredores do Centro-Sul. Existe o risco de algumas rotas operarem com menor ocupação, embora isso possa ser compensado por mecanismos de subsídio ou pelo equilíbrio da malha aérea”, afirmou.
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Na avaliação de Brasileiro, o principal caminho para reduzir a exposição da aviação às crises internacionais é acelerar o desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF). “O Brasil tem potencial para ser protagonista na produção de SAF. Se conseguirmos desenvolver essa indústria com apoio do governo e das companhias aéreas, ficaremos menos dependentes das oscilações provocadas por conflitos internacionais”, disse.
Segundo ele, embora o combustível sustentável ainda tenha custo superior ao querosene convencional, o investimento pode trazer ganhos no longo prazo. “Em um cenário de ampla adoção do SAF, os impactos de crises como a atual seriam menores e, no futuro, até poderíamos pensar em uma redução no preço das passagens”, avaliou.
Leia também: Setor aéreo vive pior crise desde a pandemia; ‘sem combustível, não há como voar’, diz CEO da United
Brasileiro também destacou os recentes investimentos das companhias brasileiras em aeronaves da Embraer para ampliar a malha regional. Na avaliação dele, a estratégia fortalece a integração do país e gera efeitos positivos sobre diversos setores da economia.
“A aviação regional desenvolve o turismo, melhora a logística e impulsiona a economia. Quanto maior a conectividade, maior o potencial de desenvolvimento do país”, concluiu.
Leia mais: Com passagens pressionadas, governo admite retração no setor aéreo e busca socorro emergencial
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