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África deve superar ritmo de crescimento da Ásia pela primeira vez; entenda como
Publicado 03/02/2026 • 11:16 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 03/02/2026 • 11:16 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
African Development Bank Group
Pela primeira vez, a África Subsaariana (região situada ao sul do Deserto do Saara) deve superar o ritmo de crescimento econômico da Ásia, com uma expansão média projetada em 4,6% contra 4,1% do bloco asiático. Segundo dados recentes do FMI, o salto africano é liderado por países como a Guiné, que preveem crescimento de dois dígitos.
Analistas alertam que o sucesso desse fenômeno depende da capacidade do continente de converter seu “boom” populacional jovem em ativos econômicos por meio de investimentos. Até 2050, uma em cada quatro pessoas no mundo será africana, de acordo com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o banco de desenvolvimento da França.
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O mais recente balanço da AFD destaca a África como um celeiro de inovação impulsionado por uma mão de obra jovem em crescimento. O cenário diverge do declínio populacional de gigantes econômicos: a Europa deve perder 20% de seus trabalhadores até 2050, enquanto a China já lida com o menor número de nascimentos de sua história recente, reforçando o deslocamento do eixo demográfico e produtivo para o continente africano.
A dinâmica populacional da África revela um continente em diferentes estágios: enquanto o Norte e o Sul, liderados por Marrocos e África do Sul, já avançam na transição demográfica com queda na natalidade, o Leste africano mantém ritmos acelerados de crescimento em países como Etiópia, Quênia e Uganda. O cenário mais extremo, contudo, concentra-se na África Ocidental e na região do Sahel, que detêm hoje as maiores taxas de fertilidade do planeta.
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Ruanda e Malawi tornaram-se referências no controle da natalidade como estratégia de fortalecimento econômico. Ao implementarem políticas de planejamento familiar, os dois países baixaram suas taxas de fecundidade para 3,6 filhos por mulher. A medida, destacada pela AFD, visa evitar que o crescimento populacional descontrolado comprometa os recursos e o progresso das nações.
O chamado ‘dividendo econômico’ ocorre quando a queda na natalidade cria uma janela em que a população ativa supera a de dependentes, reduzindo os custos sociais. Segundo a AFD, para que a África aproveite esse cenário, é imperativo converter o potencial dos jovens em produtividade real, o que exige investimentos massivos em educação e a transição da economia informal para a criação de empregos dignos e estáveis.
A estabilidade econômica da África é vista como vital para o futuro da Europa, mas o apoio financeiro caminha na direção oposta. Segundo a AFD, embora os países europeus tenham interesses diretos na saúde dos mercados africanos, a ajuda pública ao desenvolvimento enfrenta uma retração severa. O exemplo mais recente vem da França, cujo projeto de orçamento para 2026 prevê novos cortes nos fundos destinados ao continente.
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