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Sobretaxa a dispositivos médicos brasileiros coloca em risco empregos e produção, alerta Abimed
Publicado 24/07/2026 • 21:26 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 24/07/2026 • 21:26 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A manutenção dos dispositivos médicos brasileiros fora da lista de exceções tarifárias dos Estados Unidos deve comprometer a competitividade da indústria nacional, afetar empregos qualificados e pressionar toda a cadeia da saúde, afirmou nesta sexta-feira (24) Fernando Silveira Filho, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia para Saúde (Abimed), ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“Nós também gostaríamos de saber por que o setor ficou de fora das exceções. Houve um grande esforço da indústria brasileira e da própria indústria americana para obter uma isenção, mas isso não foi aceito pelas autoridades dos Estados Unidos. Com isso, nossas exportações passam a enfrentar uma sobretaxa de 37,5%”, afirmou.
Segundo o executivo, a decisão surpreendeu o setor porque, ao longo das negociações, entidades brasileiras e norte-americanas defenderam que dispositivos e equipamentos médicos recebessem o mesmo tratamento concedido aos medicamentos e aos insumos farmacêuticos, que permaneceram isentos das novas tarifas.
Leia também: Dispositivos médicos brasileiros sofrem impacto da tarifa de 25% dos Estados Unidos
Ele destacou ainda que alguns equipamentos produzidos no Reino Unido também ficaram de fora da sobretaxa em razão de acordos comerciais firmados com os Estados Unidos, enquanto os produtos brasileiros não receberam o mesmo tratamento.
Silveira Filho explicou que os Estados Unidos são hoje o principal destino das exportações brasileiras de dispositivos médicos, concentrando cerca de 16% das vendas externas do setor.
Ao mesmo tempo, o país é o segundo maior fornecedor desses produtos ao Brasil, respondendo por aproximadamente 18% das importações, atrás apenas da China, que detém cerca de 30% desse mercado.
Leia também: ABIMO alerta para riscos de tarifa dos EUA sobre cadeia brasileira de dispositivos médicos
Na avaliação da entidade, o aumento dos custos de exportação também tende a afetar o abastecimento do próprio mercado americano, uma vez que diversas empresas multinacionais mantêm no Brasil linhas de produção integradas às suas cadeias globais.
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Siga o Times | CNBCO presidente da Abimed afirmou que a entidade defende o esgotamento das negociações diplomáticas e comerciais antes que o Brasil adote medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos.
Segundo ele, a indústria nacional depende fortemente da importação de equipamentos, componentes e tecnologias médicas produzidos no exterior, o que tornaria uma eventual retaliação prejudicial ao próprio sistema de saúde brasileiro.
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Ele alertou que o aumento dos custos de importação atingiria não apenas fabricantes nacionais, mas também hospitais, clínicas, operadoras de planos de saúde e, principalmente, o Sistema Único de Saúde (SUS).
Embora considere prematuro estimar os efeitos para cada empresa, Silveira Filho afirmou que a perda de competitividade pode reduzir a capacidade de exportação da indústria brasileira e comprometer investimentos, produção e geração de empregos.
Segundo ele, o segmento emprega profissionais altamente especializados em áreas como pesquisa, desenvolvimento, inovação, produção, instalação e assistência técnica, tornando qualquer retração especialmente sensível para o setor.
“Se perdermos competitividade e ainda houver medidas de reciprocidade, teremos aumento de custos e comprometimento da capacidade produtiva. Com isso, o nível de emprego também poderá ser afetado, principalmente em uma indústria formada por profissionais de alta qualificação técnica”, concluiu.
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