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Casos de Nipah na Índia acendem alerta sanitário e entram no radar do Brasil

Publicado 27/01/2026 • 12:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Índia registra surto do vírus Nipah, com profissionais de saúde infectados e dezenas em quarentena.
  • Especialistas avaliam risco baixo de pandemia, mas defendem monitoramento internacional.
  • OMS classifica o Nipah como doença prioritária para pesquisa, por potencial epidêmico.
Mocergo pendurado em uma árvore

Freepik

Morcego raposa-voadora (Pteropus vampyrus), uma das espécies de morcego gigante classificado como hospedeira natural do vírus Nipah

A Índia acompanha nos últimos dias um surto do vírus Nipah, que já infectou pelo menos cinco profissionais de saúde em um hospital no estado de Bengala Ocidental e levou cerca de 100 pessoas à quarentena. Altamente letal e sem vacina ou tratamento específico, o microrganismo é monitorado por autoridades sanitárias internacionais.

O avanço do surto reacendeu dúvidas sobre a possibilidade de o vírus chegar ao Brasil ou provocar uma nova pandemia. Especialistas afirmam que o risco existe, mas é considerado baixo.

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O Nipah pode virar uma pandemia?

Segundo conversa do infectologista Benedito Fonseca, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, com a agência Brasil, a probabilidade de disseminação global é limitada. Classificado como um vírus zoonótico, o Nipah é transmitido principalmente de animais para humanos, seja por contato direto ou por alimentos contaminados.

O reservatório natural é o morcego do gênero Pteropus, presente em regiões da Ásia, Oceania e África, mas inexistente nas Américas. Porcos e cavalos também podem atuar como hospedeiros intermediários.

De acordo com o especialista, os morcegos costumam contaminar frutas com saliva, fezes ou urina. Esses alimentos podem ser ingeridos por outros animais ou humanos, facilitando a transmissão.

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O vírus Nipah pode chegar ao Brasil?

Para o especialista, a ausência do morcego hospedeiro no território brasileiro reduz significativamente o risco de grandes surtos no país. Ainda assim, a possibilidade não é nula.

O vírus também pode ser transmitido por alimentos contaminados ou pelo contato próximo com pessoas infectadas. Em países como Índia e Bangladesh, casos costumam estar ligados ao consumo de seiva fresca de tamareira, bebida que pode ser contaminada por morcegos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda evitar frutas mordidas por animais e higienizar adequadamente alimentos antes do consumo.

Transmissão entre pessoas preocupa, mas é limitada

Embora haja registro de transmissão por secreções humanas, o potencial de espalhamento é menor do que o de vírus respiratórios altamente contagiosos, como os da Covid-19 ou do sarampo.

Ainda assim, ele alerta que o tempo de incubação – em média quatro dias – permite que pessoas infectadas realizem viagens longas antes do surgimento dos sintomas, o que exige vigilância internacional.

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O que é o vírus Nipah?

Identificado pela primeira vez em 1998, após um surto entre suínos na Malásia, o vírus recebeu o nome da localidade onde foi detectado. Apesar de raras, as epidemias são levadas a sério: a OMS classifica o Nipah como uma das doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de ebola, zika e Covid-19.

O vírus é transmitido principalmente por morcegos do gênero Pteropus, conhecidos por se alimentarem de frutas. Esses animais eliminam o patógeno por meio de fezes, urina e saliva, contaminando alimentos ou superfícies. A infecção pode ocorrer quando humanos ou outros animais entram em contato direto com esses resíduos ou consomem frutas e líquidos contaminados.

Há prevenção pra o Nipah?

A principal forma de prevenção contra o vírus Nipah é evitar o contato com animais que possam ser hospedeiros, especialmente morcegos e outros mamíferos silvestres, desafio que vem aumentando com o desmatamento e a expansão urbana sobre áreas naturais.

Em casos suspeitos, especialistas recomendam reduzir o contato com pessoas sintomáticas e procurar atendimento médico imediatamente.

Atualmente, não existe vacina aprovada contra o vírus. O tratamento é basicamente de suporte, podendo incluir hidratação, oxigenação e, nos casos mais graves, internação em unidades de terapia intensiva (UTI).

Há ainda antivirais em fase experimental, mas sem comprovação definitiva de eficácia até o momento.

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