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CEO da Vinted vê mudança “fundamental” em consumo; empresa de produtos usados alcança US$ 9 bilhões

Publicado 09/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Vinted teve um crescimento explosivo nos últimos anos, impulsionado por consumidores que buscam cada vez mais economizar diante do aumento global do custo de vida.
  • A plataforma de consumidor para consumidor permite que clientes vendam itens usados, como roupas, eletrônicos e até móveis, e foi recentemente avaliada em mais de US$ 9 bilhões.
  • O rápido crescimento da Vinted e sua avaliação bilionária alimentaram especulações sobre uma possível grande abertura de capital (IPO).

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O aplicativo de revenda observou mudança estrutural no comportamento dos consumidores, à medida que a economia de segunda mão se consolida.

O aplicativo de revenda Vinted está observando uma mudança estrutural no comportamento dos consumidores, à medida que novos hábitos se consolidam em torno da economia de revenda, disse o executivo responsável pelo marketplace da empresa à CNBC na segunda-feira (08).

A Vinted, plataforma de consumidor para consumidor que permite aos usuários vender itens que não querem mais, como roupas, eletrônicos e até móveis, teve um rápido crescimento nos últimos anos, impulsionado pelo aumento da busca por preços mais baixos em meio ao avanço do custo de vida global.

O valor dos produtos vendidos na Vinted cresceu quase 50% no ano passado, à medida que a empresa expandiu sua operação para mais mercados europeus.

“É uma mudança fundamental no consumo em direção aos produtos de segunda mão, e acredito que isso veio para ficar”, disse Adam Jay, CEO da Vinted Marketplace, à CNBC. “A Vinted crescia bem antes das atuais dificuldades econômicas, da crise do custo de vida e da inflação, e continuou crescendo mesmo em períodos de dificuldade e pressão.”

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A declaração ocorre após a Vinted concluir, no fim de abril, uma operação secundária de ações no valor de 880 milhões de euros (US$ 1,02 bilhão), avaliando a startup lituana em mais de US$ 9 bilhões.

O rápido crescimento da Vinted e sua avaliação bilionária alimentaram fortes especulações sobre uma possível grande oferta pública inicial de ações (IPO).

A sólida situação financeira da empresa também indica que ela tem pouca pressão para abrir capital em breve, já que gera caixa e tem capacidade de levantar quase 1 bilhão de euros em capital privado.

Executivos da empresa já deram sinais de que um IPO pode acontecer, mas ainda não definiram um prazo. Jay afirmou estar satisfeito com os atuais investidores, mas não comentou sobre o momento ou o local de uma possível abertura de capital.

A operação secundária liderada pela EQT trouxe novos investidores, como Schroders Capital e BlackRock, e fez acionistas existentes, como a Baillie Gifford, aumentarem suas participações.

A transação trouxe “investidores institucionais de longo prazo, capazes de atuar tanto nos mercados privados quanto públicos, ao mesmo tempo em que ofereceu liquidez aos acionistas e funcionários existentes”, disse a Vinted na época. A empresa não levantou novo capital primário nessa operação.

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Expansão além da moda e da Europa

O mercado online de roupas de segunda mão está crescendo rapidamente, em um ritmo duas vezes maior que o mercado geral, segundo a empresa de pesquisa de mercado GlobalData.

O crescimento acelerado ocorre, em parte, porque o mercado de usados representa uma vantagem tanto para compradores quanto para vendedores, segundo Jay. “Você tem esse hábito sendo criado, tem um grande impacto social e ambiental, e essa combinação forma a equação da Vinted.”

A Vinted criou o termo “matemática Vinted”, usado para descrever consumidores que veem produtos usados como uma opção mais simples e barata, além de considerarem o valor de revenda ao comprar itens novos.

Os usuários da Vinted economizaram 21,6 bilhões de euros em roupas em 2025, em comparação aos preços do varejo, pagando em média 72% menos do que o valor original, segundo o relatório de impacto da empresa de 2025.

Agora, a Vinted tenta levar esse modelo para além do Atlântico e também para novas categorias de produtos.

“Demoramos bastante até decidir ir além da moda, e precisávamos ter confiança de que nosso marketplace de roupas funcionava bem em toda a Europa”, disse Jay.

“Estávamos receosos porque muitas coisas que nossos usuários dizem gostar na Vinted são a simplicidade, a facilidade de uso e o fato de ser muito claro como funciona. Tínhamos medo de perder isso ao adicionar novas categorias.”

No fim, a empresa encontrou sinais suficientes para avançar, incluindo o comportamento dos próprios usuários, que já vendiam itens não relacionados à moda antes mesmo de a Vinted expandir oficialmente suas categorias.

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A Vinted está atualmente presente em 26 países, com França e Reino Unido como seus maiores mercados. A empresa está nos Estados Unidos desde 2013, mas só começou no início deste ano a investir mais em marketing e no crescimento dessa operação.

Existe uma “enorme oportunidade” nos EUA, mas o sucesso pode levar “semanas, meses e talvez anos”, afirmou Jay.

Historicamente, tem sido difícil para empresas europeias de tecnologia e consumo levar seus modelos de negócio com sucesso para o mercado americano.

Um dos principais desafios para entrar nos EUA são os altos custos de envio, disse Jay.

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A Vinted também está desenvolvendo sua infraestrutura de logística e pagamentos por meio da Vinted Go e da Vinted Pay. A expansão para logística, infraestrutura financeira e novos mercados tem afetado os resultados da empresa.

O lucro líquido caiu 19% em 2025 na comparação com o ano anterior, mesmo com a receita crescendo 38%, para 1,1 bilhão de euros. O valor bruto das mercadorias vendidas (GMV) disparou 47%, chegando a 10,8 bilhões de euros.

A plataforma ainda tem um longo caminho antes de competir com empresas como o eBay, que registrou GMV de US$ 79,6 bilhões em 2025. O eBay também anunciou recentemente que pretende comprar o marketplace de moda Depop, da Etsy, por cerca de US$ 1,2 bilhão, para fortalecer sua oferta no segmento de moda e atrair consumidores mais jovens.

“Estamos aqui para o longo prazo”, disse Jay ao responder se uma expansão acelerada é a melhor forma de usar capital para uma empresa que avalia entrar na bolsa. “Estamos tentando fazer os investimentos necessários. É o trabalho menos glamouroso: fazer os investimentos que vão tornar a segunda mão a primeira escolha no mundo todo.”

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