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Conflito no Oriente Médio aumenta riscos para inflação e reforça desafio energético do Brasil
Publicado 09/07/2026 • 13:25 | Atualizado há 46 minutos
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A retomada dos ataques entre EUA e Irã voltou a pressionar os mercados globais e reacendeu as preocupações com impactos da alta do petróleo.
A nova escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados globais e reacendeu as preocupações com os impactos da alta do petróleo sobre a inflação. Para o economista e professor da Faculdade do Comércio de São Paulo, Rodrigo Simões, o movimento representa um desafio para países em processo de redução das taxas de juros, como o Brasil, já que uma alta do petróleo funciona como um choque de oferta, podendo dificultar o controle inflacionário.
Segundo Simões, a alta recente do petróleo, que passou de cerca de US$ 71 para US$ 77 por barril, ainda é considerada um movimento pontual, provocado pelas incertezas em torno do conflito. O economista avalia que o comportamento da commodity dependerá dos próximos acontecimentos no Oriente Médio, especialmente após o rompimento do acordo de cessar-fogo.
Ele destaca, porém, que a dependência global do petróleo continua sendo um fator de vulnerabilidade para países que ainda não avançaram na transição energética. Na avaliação do especialista, economias desenvolvidas estão criando uma espécie de “seguro estrutural” ao acelerar a eletrificação, enquanto países da América Latina permanecem mais expostos às oscilações dos preços dos combustíveis.
No caso brasileiro, Simões afirma que a economia ainda depende fortemente de derivados de petróleo, como diesel, gasolina e fertilizantes. Para ele, medidas como subsídios podem aliviar temporariamente os efeitos da alta dos preços, mas acabam gerando pressão fiscal no longo prazo.
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“O Brasil precisa avançar de forma mais consistente na transição energética para reduzir essa vulnerabilidade”, afirmou.
Apesar da nova crise no Oriente Médio, o mercado não reagiu com a mesma intensidade observada em episódios anteriores, quando o petróleo chegou a ameaçar ultrapassar os US$ 120 por barril. Segundo Simões, um dos fatores que explicam essa reação mais moderada é o avanço das estratégias de eletrificação em diferentes países.
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Siga o Times | CNBCO economista cita projeções da Agência Internacional de Energia, segundo as quais o consumo global de petróleo deve atingir o pico por volta de 2030 e começar a recuar a partir dessa década, impulsionado pela expansão dos veículos elétricos e por investimentos em fontes alternativas de energia.
“Quanto mais o mundo eletrificar, não significa que o preço do petróleo vai cair automaticamente. Existe um custo de transição e uma necessidade de investimentos”, explicou.
Leia também: EUA e Irã trocam novos ataques antes do funeral de Khamenei
O economista também avaliou os impactos da volatilidade do petróleo sobre a economia brasileira e afirmou que empresas já estão considerando esse cenário em seus contratos e planejamentos.
Segundo ele, custos de transporte, frete, logística e importações já refletem as oscilações da commodity, contribuindo para uma inflação mais resistente e para revisões nas expectativas de juros.
Simões afirmou que o ambiente de incerteza internacional tem dificultado a queda das projeções inflacionárias e impactado as expectativas reunidas no Boletim Focus.
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