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Irã se despede de Khamenei e enfrenta seu legado em meio a pedidos de ‘vingança’
Publicado 09/07/2026 • 13:55 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 09/07/2026 • 13:55 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
AFP
Funeral de Ali Khamenei,
“Todo mundo aqui quer vingança”, afirma um iraniano que, assim como milhares de compatriotas, viajou até Mashhad para o enterro do líder supremo Ali Khamenei em sua cidade natal.
O caixão chegou ao aeroporto da cidade, no nordeste do Irã, a bordo de um avião civil escoltado por um caça. Sob um calor sufocante, a multidão o aguardava para a etapa final de um funeral que foi tratado pelas autoridades como uma demonstração de força e unidade nacional.
Neto de um influente clérigo xiita, nascido em Qom – centro dos estudos religiosos no Irã – e criado em uma família tradicional que abraçou a teocracia, um profissional do setor de tecnologia conta que, ao fim de seus 20 anos, deixou de rezar e passou a rejeitar o governo clerical. Hoje, diz que mal consegue falar de política ou religião com o pai e os irmãos.
Agora na casa dos 30, ele afirma que a sociedade iraniana está profundamente dividida – inclusive entre opositores da República Islâmica – e atribui essa fratura a um homem: o aiatolá Ali Khamenei. O líder supremo, que comandou o Irã por mais de três décadas, foi sepultado nesta quinta-feira (09), após morrer no início da guerra deflagrada pelos Estado Unidos e por Israel.
Khamenei, que morreu aos 86 anos, será enterrado neste complexo majestoso, decorado com mosaicos de cerâmica multicoloridos e coroado por uma cúpula e um minarete dourados.
Seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, não aparece em público desde sua nomeação para o cargo de líder supremo, em março. Também não foi divulgada nenhuma declaração em seu nome desde o início das cerimônias, no sábado passado, em Teerã.
Leia também: EUA e Irã trocam novos ataques antes do funeral de Khamenei
Procissões com o caixão em Teerã e em outras cidades reuniram multidões de apoiadores, em uma demonstração de força de setores linha-dura do núcleo da República Islâmica, que o exaltaram como defensor do governo clerical e como alguém que enfrentou o Ocidente e Israel.
Por baixo, porém, persistem profundas camadas de insatisfação, alimentadas por décadas de repressão sangrenta, sanções internacionais e má gestão econômica – e intensificadas desde que as autoridades mataram milhares de manifestantes antigoverno em janeiro.
“Abriu-se uma fissura nos lares de todo o país que é realmente notável”, disse o profissional por telefone, de Teerã, onde vive atualmente. Como outros entrevistados pela Associated Press sobre o período de Khamenei no poder, ele falou sob anonimato por temer pela própria segurança.
A morte de Khamenei, em ataques israelenses em 28 de fevereiro, consolidou seu legado, aos olhos do establishment iraniano e de seus simpatizantes, como o de um mártir. Repetindo slogans de ultrarradicais contrários a conversas com Washington, alguns participantes do funeral pediram a morte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como vingança.
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Siga o Times | CNBC“Nosso objetivo é mostrar ao mundo que não nos submeteremos à opressão e à tirania e que vingaremos o sangue do nosso líder”, afirmou Hossein Akbari, um enlutado de 60 anos, em Teerã.
Khamenei assumiu a liderança em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, o ideólogo carismático que havia liderado, uma década antes, a derrubada do xá aliado dos EUA e mobilizado apoio em massa.
Sob a bandeira da resistência ao Ocidente, Khamenei desafiou sanções para avançar com o programa nuclear do país, expandir o arsenal de mísseis e fortalecer a rede de aliados armados na região.
No plano doméstico, consolidou a teocracia linha-dura ao neutralizar, em grande parte, o movimento reformista. Deu à Guarda Revolucionária amplo poder militar, político e econômico. Enquanto jovens iranianos buscavam maior abertura, ele tentou manter controle rígido sobre a vida privada e sobre os códigos de vestimenta.
Leia também: Retomada das tensões no Estreito de Ormuz pode redesenhar busca por rotas alternativas de energia
Um ponto de inflexão veio em 2009, quando o governo reprimiu os protestos motivados por denúncias de fraude na eleição presidencial daquele ano. Dezenas de pessoas morreram na primeira grande operação de força contra um movimento de contestação em massa.
Segundo um ativista iraniano e ex-presidiário político que escreve para uma revista de orientação reformista em Teerã, a repressão alimentou uma sensação generalizada de desesperança.
No mês passado, um importante assessor do presidente reformista, Masoud Pezeshkian, reconheceu que o Irã estava “severamente polarizado” entre os apoiadores mais fiéis da República Islâmica e os que defendem sua queda. Ali Rabiei, porém, argumentou que existe uma grande parcela da sociedade entre esses “dois polos”, na qual o governo poderia se apoiar para promover mudanças dentro do sistema. As declarações foram divulgadas pela agência estatal IRNA.
Não há pesquisas confiáveis no Irã, mas as eleições oferecem um retrato parcial do humor do país. A participação na última eleição presidencial caiu para um dos níveis mais baixos já registrados, o que foi interpretado como sinal de que milhões que esperavam mudanças deixaram de ver sentido no voto. Ainda assim, o candidato linha-dura obteve 13,5 milhões de votos, enquanto Pezeshkian recebeu 16,3 milhões.
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