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Fitch projeta sobreoferta de petróleo em 2027 e alta no gás à revelia de acordo de paz no Irã
Publicado 23/09/2026 • 16:33 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 23/09/2026 • 16:33 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A Fitch Ratings revisou para cima suas estimativas para o preço do barril de petróleo em 2027 e aumentou as projeções para o gás natural europeu Dutch TTF (referência para o continente) referente a 2026 e 2027, impulsionada pelas tensões com o Irã e seus reflexos nas rotas logísticas de energia. Em relatório divulgado na terça-feira, 22, a agência reforçou que o mercado global de petróleo deve entrar em um ciclo de excesso de oferta a partir do quarto trimestre de 2026, culminando em um “superávit material” em 2027, cenário que tende a pressionar as cotações para baixo, embora um prêmio de risco geopolítico continue embutido nas análises.
Para 2026, a Fitch manteve a previsão do Brent em US$ 87 (R$ 465,45) por barril, alinhada às expectativas anteriores. A instituição recordou que os preços chegaram a recuar para a faixa de US$ 70 (R$ 374,50) em meados de junho, após Estados Unidos e Irã firmarem um memorando de entendimento para encerrar as hostilidades, permitindo que o tráfego pelo Estreito de Ormuz recuperasse 75% dos volumes normais. Contudo, em setembro, a retomada dos conflitos e a paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita — principal via alternativa que contorna o estreito — empurraram a média do Brent de volta para cerca de US$ 100 (R$ 535,00) por barril no mês. A expectativa é de alívio nos preços assim que essa rota saudita voltar a funcionar.
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Mesmo projetando um mercado superavitário no final de 2026, a Fitch elevou de US$ 65 (R$ 347,75) para US$ 70 (R$ 374,50) a projeção do Brent para 2027, incorporando o fator de risco geopolítico. O novo modelo considera que uma solução definitiva entre Teerã e Washington só ocorra no primeiro trimestre do próximo ano, mantendo o alerta para eventuais escaladas de menor intensidade.
Segundo a agência, o escoamento contínuo de 10 milhões de barris diários por Ormuz permanece viável mesmo sem um tratado de paz oficial. Combinada a oleodutos terrestres na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, essa capacidade alternativa preserva cerca de 90% do fluxo pré-guerra. Dados da Opep mostram que, em agosto, a produção emiradense atingiu 111% do patamar anterior ao conflito, enquanto a oferta saudita ficou em 75%. Nações sem rotas alternativas, como Kuwait e Iraque, retomaram 76% e 87% de suas produções, respectivamente. A Fitch destaca ainda que os Emirados estão construindo um segundo oleoduto para desviar de Ormuz, com previsão de duplicar a capacidade de exportação alternativa até meados de 2027.
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Siga o Times | CNBCCaso haja um aperto severo no Estreito de Bab al-Mandeb, a Fitch avalia que os impactos podem ser amenizados com o desvio de cargas pelo Canal de Suez e pelo oleoduto SUMED. Para 2027, o excedente de oferta é dado como certo “independentemente” de um pacto de paz (embora um acordo pudesse ampliar o superávit), apoiado pela expansão produtiva fora do Oriente Médio, liderada por EUA, Canadá, Brasil, Argentina e Guiana , que deve crescer 1,5 milhão de barris por dia em 2026 e mais 1 milhão em 2027.
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No lado da demanda, a agência calculou uma “destruição” de consumo de aproximadamente 5 milhões de barris diários no segundo trimestre de 2026, com a Ásia respondendo por quase dois terços do recuo e a indústria petroquímica por cerca de metade. A China registrou a maior baixa individual, de 1,5 milhão de barris por dia no período, embora a Fitch espere uma recuperação gradual da demanda global até o final do ano.
No segmento de gás natural, as projeções para o Dutch TTF foram elevadas em resposta às interrupções nos carregamentos de GNL via Ormuz, rota que respondia por 20% do abastecimento mundial antes do conflito. A agência observa que os inventários de gás da União Europeia estão em dois terços da capacidade total: um volume seguro para passar o inverno no Hemisfério Norte, mas inferior à faixa de 80% a 90% registrada no mesmo período entre 2022 e 2025. Já a estimativa para o Henry Hub permaneceu inalterada, devido à restrição de capacidade ociosa de liquefação nos Estados Unidos.
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