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Conflito no Oriente Médio

Sanções dos EUA atingem aviação do Irã e provocam cancelamentos internacionais

Publicado 23/09/2026 • 21:54 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Companhias iranianas cancelaram parte dos voos internacionais após o endurecimento das sanções dos Estados Unidos contra o setor aéreo.
  • Geórgia e Azerbaijão confirmaram a suspensão das conexões, enquanto rotas para destinos como China ainda permaneciam em operação.
  • Teerã ameaçou responder aos países que aderirem às medidas americanas e impedirem a chegada de voos iranianos.

Foto: Wikimedia Commons

O endurecimento das sanções dos Estados Unidos contra a aviação iraniana começou a afetar nesta quarta-feira (23) as conexões do país com o exterior, levando companhias a cancelar parte dos voos internacionais. Geórgia e Azerbaijão confirmaram oficialmente a suspensão das operações, enquanto um agente de viagens em Teerã relatou interrupções também nas rotas para Bagdá, Mascate e Catar.

O impacto, porém, ainda não é uniforme. Voos para outros destinos continuaram disponíveis, inclusive para a China, enquanto algumas ligações com Istambul foram mantidas e outras canceladas.

As novas medidas foram anunciadas na segunda-feira pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, como parte da ameaça anterior de impor um “Dia D econômico” ao Irã. A estratégia busca aumentar a pressão sobre Teerã após quase sete meses de guerra.

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Estamos pressionando os iranianos como eles nunca viram”, disse Bessent à Fox News nesta quarta-feira. Segundo ele, “provavelmente mais de 80% ou 90%” dos voos internacionais que partem do Irã foram interrompidos.

Bessent também mencionou a presença da delegação iraniana na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. “Não tenho certeza de como os representantes iranianos na ONU vão voltar para casa”, afirmou.

Irã reage e promete resistência

O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, que integra a delegação presente na Assembleia Geral da ONU, reagiu à nova pressão americana e adotou um discurso de enfrentamento às sanções.

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A resistência do povo iraniano só vai se intensificar diante das sanções, da crescente pressão e da intimidação cada vez maior” dos Estados Unidos, declarou.

Embora as novas medidas tenham ampliado as restrições, a aviação iraniana já convive há anos com sanções internacionais, e ainda não está claro quantos países decidirão aderir ao novo movimento de Washington.

Teerã, por sua vez, ameaçou responder. Mohsen Rezaei, chefe do principal órgão de segurança nacional do Irã, advertiu os países vizinhos contra a aplicação das medidas americanas. “Se um país cooperar ou embarcar em aventuras com os Estados Unidos, seus aeroportos não poderão mais operar voos” para o Irã, disse Rezaei à televisão estatal.

China mantém conexão com Teerã

Apesar da entrada em vigor das novas sanções nesta quarta-feira, uma aeronave da Mahan Air, uma das maiores companhias aéreas iranianas, partiu de Teerã e pousou em Guangzhou, na China, segundo dados de rastreamento do FlightRadar24.

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Pequim havia declarado na terça-feira que se opõe às sanções americanas e as considera ilegais. Outro voo com destino a Xangai também estava previsto para deixar o aeroporto internacional de Teerã nesta quarta-feira.

A situação permanecia mais incerta em outras rotas. Segundo um agente de viagens ouvido pela AFP, alguns voos para Istambul continuavam programados, enquanto outros haviam sido cancelados. “A situação está instável e, por enquanto, não estamos mais vendendo passagens por medo de cancelamentos”, relatou o agente, que pediu anonimato.

Também estava prevista a chegada a Teerã de um voo da Mahan vindo de Cabul. Conexões com Turquia e Armênia permaneciam disponíveis por meio de companhias iranianas menores, entre elas a Varesh. Voos para Najaf, no Iraque, e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também apareciam na programação.

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Iraque vira ponto de incerteza

A possibilidade de interrupção das conexões com o Iraque ganhou atenção especial devido ao fluxo de peregrinos religiosos iranianos para o país. A agência iraniana Tasnim informou na terça-feira, citando um porta-voz da aviação civil, que os aeroportos de Bagdá e Mascate deixariam de aceitar voos provenientes do Irã.

Segundo a agência, porém, outras operações internacionais, incluindo as destinadas a Istambul, seguiriam normalmente. Autoridades iranianas também negociavam a transferência dos voos destinados a Bagdá para Najaf, importante destino de peregrinação religiosa.

Nesta quarta-feira, a Tasnim informou que as operações iranianas para Najaf estavam ocorrendo normalmente. Uma fonte no aeroporto afirmou à agência que nenhuma ordem das autoridades iraquianas para interromper os voos havia sido recebida.

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O governo do Iraque não anunciou oficialmente que aplicará a restrição, mas fontes ouvidas pela AFP, incluindo um alto funcionário do governo, disseram que Bagdá cumprirá as medidas americanas.

A perspectiva de suspensão das conexões já preocupa empresas de turismo iraquianas. Haidar Shamaa, agente de viagens em Najaf, afirmou que a maior parte das empresas do setor na cidade depende das reservas de voos para aeroportos iranianos.

Agências também relataram receber ligações de clientes preocupados em busca de informações sobre os voos. Alguns passageiros já consideravam substituir as viagens aéreas por trajetos terrestres, alternativa que aumentaria significativamente o tempo de deslocamento.

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