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Irã e Catar negociam em Ormuz enquanto bloqueio dos EUA agrava escassez de petróleo no país
Publicado 27/08/2026 • 16:50 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 27/08/2026 • 16:50 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, recebeu nesta quinta-feira, em Teerã, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani. O encontro ocorreu em meio às negociações sobre o futuro do estratégico Estreito de Ormuz e à pressão exercida pelo bloqueio naval dos Estados Unidos sobre o abastecimento de petróleo do Irã.
A visita de Al Thani acontece após uma semana marcada por intensa movimentação diplomática em Teerã. O Irã realizou reuniões com o principal diplomata de Omã e com altos funcionários do Paquistão em busca de alternativas para encerrar a guerra no Oriente Médio e encontrar caminhos para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, Washington ameaça ampliar as sanções secundárias contra países, bancos e empresas que mantêm relações comerciais com o Irã. A estratégia faz parte de uma campanha que os Estados Unidos classificam como uma política de “asfixia econômica”.
A televisão estatal iraniana confirmou o encontro entre Al Thani e Araghchi, mas não divulgou detalhes das conversas. Após a reunião, o primeiro-ministro catariano afirmou que o objetivo foi reduzir as tensões e reforçar a segurança regional.
“O Catar acredita que o diálogo e a diplomacia continuam sendo a melhor maneira de superar crises”, escreveu Al Thani no X.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar, os dois lados também discutiram a estrutura proposta para o Canal de Ormuz entre Irã e Omã. Al Thani destacou ainda a necessidade de garantir a liberdade de navegação no estreito de acordo com o direito internacional.
O Catar e o Paquistão tiveram papel importante nas negociações que levaram a um cessar-fogo em abril e a um acordo entre Irã e Estados Unidos em junho. Os entendimentos, porém, acabaram sendo rompidos posteriormente.
Desde o início da guerra com os Estados Unidos, em 28 de fevereiro, o Irã mantém controle rígido sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Em resposta, Washington estabeleceu um contra-bloqueio naval aos portos iranianos.
A medida vem afetando o abastecimento interno de combustíveis. Na quarta-feira, o vice-presidente iraniano Mohammad Jafar Ghaempanah afirmou que o bloqueio americano impediu o país de importar gasolina suficiente para compensar a produção doméstica.
“A produção de petróleo é insuficiente e, devido ao bloqueio naval dos EUA, não podemos importá-lo”, disse Ghaempanah, segundo a agência oficial IRNA.
Nos últimos dias, longas filas foram registradas em postos de gasolina no Irã. O chefe de gabinete da Presidência, Mohsen Haji-Mirzaei, afirmou que as cotas de gasolina seriam revistas, mas não apresentou detalhes sobre possíveis mudanças.
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Siga o Times | CNBCLeia mais: Guerra no Irã: Estreito de Ormuz segue fechado mesmo após acordo com Omã
O Irã está entre os maiores produtores de petróleo do mundo e mantém há anos uma política de forte subsídio à gasolina, o que torna qualquer alteração nos preços dos combustíveis uma questão politicamente sensível. Enquanto os Estados Unidos intensificam a pressão econômica, autoridades iranianas classificam as medidas como “políticas fracassadas” e afirmam que elas não farão Teerã mudar sua posição.
“O país está em plena guerra econômica”, declarou o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em comunicado divulgado pela imprensa local. “Veremos que o governo… derrotará o inimigo também neste campo”, acrescentou.
A pressão ocorre sobre uma economia que já enfrentava dificuldades antes do conflito. O Irã convive há décadas com sanções internacionais, inflação elevada e desvalorização da moeda.
O Irã mantém há semanas negociações com Omã sobre um acordo-quadro para o Estreito de Ormuz. A proposta prevê a criação de um “corredor temporário” para a navegação e a remoção de minas que, segundo Teerã, foram instaladas durante a guerra.
Na quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que os dois países haviam chegado a um entendimento sobre a divisão das águas e sobre as receitas obtidas com a administração da hidrovia.
Apesar dos avanços nas conversas com Omã, Teerã mantém exigências para permitir a reabertura do estreito. Entre elas estão o fim do bloqueio naval americano, o descongelamento de ativos iranianos mantidos no exterior e a retirada das sanções sobre o petróleo do país.
Desde o início da guerra, forças iranianas passaram a exigir autorização das embarcações para atravessar a hidrovia e atacaram navios que não cumpriram a determinação. Teerã também tentou estabelecer taxas de serviço para embarcações que utilizam o estreito, iniciativa que foi fortemente contestada pelos Estados Unidos e por países da região.
Na quinta-feira, a United Kingdom Maritime Trade Operations informou que um “projétil desconhecido” atingiu um navio-tanque no Estreito de Ormuz durante esta semana. O impacto provocou um incêndio, que posteriormente foi controlado.
O impasse em torno da hidrovia mantém o Estreito de Ormuz no centro das tensões regionais, enquanto Irã, Catar, Omã, Paquistão e Estados Unidos buscam diferentes caminhos diplomáticos para reduzir os impactos do conflito sobre a segurança e o fluxo global de energia.
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