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Irã prioriza Estreito de Ormuz, ativos congelados e Líbano em possíveis negociações com os EUA
Publicado 30/06/2026 • 08:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 30/06/2026 • 08:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Pexels
A possibilidade de retomada do diálogo entre Irã e Estados Unidos voltou ao centro das atenções depois da troca de ataques entre os dois países no fim da semana passada. O presidente Donald Trump afirmou que as partes se reuniriam em Doha nesta terça-feira (30), mas o governo iraniano negou haver negociações técnicas programadas, dizendo manter apenas consultas com autoridades do Catar.
Segundo integrantes do governo iraniano, uma rodada de conversas prevista para domingo foi cancelada por divergências sobre o Estreito de Ormuz e outros pontos considerados essenciais por Teerã.
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Se o diálogo avançar, o tema central deve ser a implementação do memorando de entendimento assinado em 17 de junho, especialmente no que diz respeito ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.
Os ataques da semana passada foram a primeira ação militar entre os dois países desde a assinatura do acordo. O confronto começou depois que o Irã rejeitou uma rota de evacuação de embarcações apoiada pelos Estados Unidos.
Após ataques a um navio porta-contêineres e a um petroleiro, Washington bombardeou instalações iranianas no sul do país, e Teerã revidou com ataques a bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait.
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Os dois governos se acusam mutuamente de descumprir o memorando, que prevê que o Irã garanta, por 60 dias, a passagem segura de embarcações comerciais entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, sem cobrança de tarifas.
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Siga o Times | CNBCO chanceler Abbas Araghchi disse que outros países não devem interferir na gestão do Estreito de Ormuz e estimou que a via marítima levará pelo menos um mês para recuperar sua capacidade operacional plena. Autoridades iranianas também querem cobrar taxas de seguro e de serviços ambientais na região — proposta rejeitada pelos americanos.
Outro ponto sensível para Teerã é o desbloqueio de recursos iranianos retidos no exterior por conta das sanções dos EUA. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o país espera a liberação de ao menos US$ 6 bilhões hoje mantidos no Catar.
Pelo memorando, esses valores devem ficar totalmente disponíveis após a implementação do acordo, com os procedimentos de liberação definidos ao longo das negociações, e caberá aos Estados Unidos emitir as autorizações necessárias para viabilizar o acesso ao dinheiro.
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A lista de demandas iranianas não para por aí. Teerã também quer discutir o reconhecimento de sua soberania, a não interferência em assuntos internos, a redução da presença militar americana na região, a suspensão de novas sanções enquanto o acordo estiver em vigor, mecanismos formais para resolver disputas futuras e um pacote de reconstrução ou desenvolvimento econômico.
O Líbano deve entrar na pauta. O memorando prevê a interrupção permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o território libanês, mas um acordo fechado na última sexta-feira entre Israel e o governo do Líbano não obriga a retirada das tropas israelenses do sul do país nem o fim dos ataques, o que, na avaliação de Teerã, enfraquece o entendimento anterior.
No campo nuclear, o Irã mantém a posição de que seu programa de mísseis está fora de qualquer negociação, e setores mais conservadores do governo defendem que o programa nuclear também fique de fora das conversas com potências estrangeiras.
Autoridades iranianas já sinalizaram disposição para fazer concessões nessa frente, mas condicionam qualquer avanço a um cronograma claro que garanta ao país os benefícios econômicos da suspensão das sanções.
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