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“Estreito de Ormuz continua bloqueado”: Irã contesta declarações de Trump enquanto tráfego cai para perto da mínima de três meses
Publicado 13/08/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 13/08/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 hora
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Rita Willaert / Flickr
Estreito de Ormuz
O impasse entre Estados Unidos e Irã não dá sinais de arrefecimento. Os dois países continuam em desacordo sobre os termos para encerrar a guerra, que já dura cinco meses, e divulgaram versões conflitantes sobre a situação do Estreito de Ormuz durante a noite.
Citando uma fonte que ocupa um cargo de alto escalão no governo iraniano, a Reuters informou nesta quarta-feira que não houve avanços nas negociações para revitalizar um acordo de paz provisório firmado em junho.
“Uma das questões que está sendo discutida por meio de mediadores é o retorno dos Estados Unidos ao acordo provisório e a definição de um prazo para a implementação de seus compromissos. Não houve absolutamente nenhum progresso nessa questão”, disse a fonte à Reuters.
“Não há nenhuma discussão sobre uma extensão porque os Estados Unidos violaram o acordo provisório 48 horas depois de ele ter sido firmado e se retiraram dele alguns dias mais tarde”, afirmou.
A entrevista ocorreu após uma reportagem da agência de notícias turca Anadolu afirmar que Estados Unidos e Irã haviam concordado em estender um cessar-fogo de 60 dias, citando fontes do governo paquistanês.
Os dois lados acusam um ao outro de violar os termos do Memorando de Entendimento desde que ele foi firmado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o acordo havia “acabado” durante a cúpula da Otan no mês passado.
Leia também: Trump afirma que os EUA manterão o ‘controle total’ sobre o Estreito de Ormuz
Os confrontos continuaram no Oriente Médio nas últimas semanas. As forças americanas lançaram uma série de ataques contra alvos iranianos em retaliação a ofensivas contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. Nesta semana, também foram registrados ataques mortais contra embarcações no Golfo de Omã e no Mar Vermelho.
Enquanto isso, autoridades iranianas contestaram as repetidas declarações de Trump de que Washington tem “controle total” sobre o Estreito de Ormuz.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou em uma publicação no X, nesta quarta-feira, que os Estados Unidos “há muito tempo fazem cálculos errados devido a falhas de inteligência”.
“Um exemplo disso é a guerra contra o Irã. Agora, há um erro de cálculo ainda maior sobre o Estreito de Ormuz”, afirmou.
Os comentários foram feitos depois que Trump declarou, em uma publicação anterior na Truth Social, que “os EUA têm controle total sobre o Estreito de Ormuz. ACHO QUE VAMOS MANTÊ-LO!”. A declaração reiterou a afirmação feita pelo presidente no início desta semana de que as forças americanas têm “100% de controle” sobre a via marítima, uma rota fundamental para o transporte internacional.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, do Irã, afirmou, por sua vez, em uma publicação no X, que “as declarações e publicações repetidas de autoridades americanas de que o Estreito de Ormuz não está mais bloqueado não mudam a realidade: o Estreito de Ormuz continua bloqueado e não será reaberto até que as condições do Irã sejam aceitas”.
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Siga o Times | CNBCEmbora os dois lados continuem apresentando versões contraditórias, dados da empresa de inteligência comercial Kpler mostram que o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz está próximo da mínima registrada em três meses.
O número de embarcações que atravessaram o Estreito ficou em uma média de cinco dias de cerca de 13 navios na terça-feira, próximo do menor nível desde 12 de maio, segundo uma análise da CNBC com base em dados da Kpler. O levantamento inclui embarcações de todos os tipos, de cargueiros a petroleiros.
O tráfego está cerca de 90% abaixo da média diária de 130 navios que passavam por Ormuz antes de Estados Unidos e Israel atacarem o Irã, em 28 de fevereiro.
Washington e Teerã também endureceram suas posições nas negociações e passaram a exigir “reparações” do outro lado, entre outras demandas.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã apresentou, no fim de semana, uma série de exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz, incluindo o fim do bloqueio naval americano, alívio das sanções, retirada das tropas dos Estados Unidos e reparações de guerra.
Leia também: Irã mantém Estreito de Ormuz fechado e condiciona reabertura a exigências aos EUA
Os acontecimentos ocorrem enquanto Mohammad Reza Naqdi, um dos principais assessores do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, afirmou em entrevista à PBS na terça-feira que “a vitória está do nosso lado” e que “também vimos como as forças militares americanas são mais fracas do que imaginávamos”.
Ele citou o que descreveu como uma mudança nos objetivos de Washington ao longo do conflito, incluindo a intenção de invadir a ilha de Kharg e reabrir o Estreito de Ormuz.
“Vimos confusão e perplexidade na América. Tornou-se uma guerra sem estratégia. A cada dois ou três dias, eles anunciavam um novo objetivo… Mobilizaram seus navios de guerra. Tudo o que tentaram, podemos mostrar como fomos vitoriosos.”
Questionado se o plano era prolongar o conflito até que Trump deixasse o cargo, Naqdi afirmou que o objetivo era fazer com que o Irã “alcançasse a dissuasão”.
Leia também: Petróleo fecha em alta de 1% com impasse sobre reabertura do Estreito de Ormuz
Segundo ele, uma das formas de alcançar esse objetivo seria prolongar o conflito e provocar desgaste, de modo que qualquer país que queira atacar o Irã saiba que haverá um custo.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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