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Irã usa ameaça de fechar Estreito de Ormuz para pressionar EUA, e solução para conflito segue distante
Publicado 01/06/2026 • 11:27 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 01/06/2026 • 11:27 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A decisão do Irã de interromper as negociações com os Estados Unidos e voltar a ameaçar o fechamento do Estreito de Ormuz demonstra que os principais obstáculos para um acordo continuam sem solução e podem prolongar a instabilidade no Oriente Médio. A avaliação é de Danilo Porfírio, professor de Direito e Relações Internacionais e pesquisador de política externa norte-americana e do Oriente Médio, que vê a movimentação iraniana como uma tentativa de ampliar sua capacidade de pressão nas negociações.
Segundo o especialista, a ameaça de bloquear a passagem marítima por onde circula uma parcela significativa da energia consumida globalmente faz parte da estratégia de Teerã para tentar obter concessões dos Estados Unidos em temas considerados inegociáveis. “Agora é o recurso iraniano, a chantagem do bloqueio novamente como forma de pressionar os americanos a ceder de alguma forma”, afirmou nesta segunda-feira (1), em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ao comentar as informações de que negociadores iranianos interromperam a troca de mensagens com autoridades americanas, Porfírio afirmou que o episódio reforça a existência de um impasse estrutural. “O que nós estamos lendo nessa notícia é aquilo que nós falamos anteriormente: um impasse sobre pontos sensíveis vinculados ao programa nuclear, vinculados à ação proxy, à manutenção da hegemonia regional iraniana e à pressão de Israel em relação a isso”, disse.
De acordo com o pesquisador, embora autoridades dos dois países tenham indicado em diferentes momentos que a maior parte da pauta estaria encaminhada, os temas remanescentes concentram justamente as divergências mais difíceis de superar.
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“Esses 5% da pauta são sensíveis. Se os 5% sensíveis não se resolvem, eu gostaria de saber dos outros 95”, afirmou. Segundo ele, a principal dificuldade não se limita ao programa nuclear iraniano, mas envolve também o destino das reservas de urânio já enriquecidas e o papel estratégico desempenhado por Teerã na região.
Porfírio destacou que a atuação iraniana por meio de grupos aliados também continua sendo motivo de divergência. “Outro ponto que os americanos levantam e os iranianos insistem em manter é a sua situação de ação proxy no Oriente Médio, que inclusive faz do Irã uma potência regional”, explicou.
O especialista citou ainda as relações com grupos como Hezbollah e Houthis, além das preocupações de segurança envolvendo Israel, como fatores que seguem dificultando uma solução definitiva para o conflito. “São pontos que são, até este momento, indissolúveis”, resumiu.
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Apesar das sucessivas declarações indicando aproximação entre as partes, Porfírio afirmou enxergar o cenário com cautela e considera prematuro falar em uma resolução próxima.
“É um impasse sensível que vejo com ceticismo a sua resolução”, afirmou ao comentar o estágio atual das negociações.
Na avaliação do professor, parte das dificuldades decorre de erros de cálculo feitos pelos próprios Estados Unidos e por Israel ao longo do conflito. Segundo ele, houve uma expectativa de que o governo iraniano apresentasse maior fragilidade interna diante da pressão militar.
“Os americanos e israelenses subestimaram a força defensiva iraniana”, afirmou. Porfírio destacou que a expectativa de uma mobilização popular contra o regime não se confirmou e que o conflito acabou produzindo um efeito oposto. “O que nós observamos é que a sociedade iraniana acaba se unindo em torno do inimigo comum”, declarou.
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Para o pesquisador, os impactos da guerra vão além das disputas entre Washington e Teerã e aceleram transformações mais amplas na ordem internacional.
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Seguir no GoogleSegundo ele, o conflito expôs divergências entre aliados históricos dos Estados Unidos e reforçou um movimento de reorganização das relações de poder no cenário global. “O redesenhar de uma nova ordem está encaminhado”, afirmou.
Na avaliação de Porfírio, as mudanças já vinham ocorrendo antes mesmo da guerra e foram aprofundadas pelas decisões adotadas pelo presidente americano. “Trump, ao longo da sua curta jornada do segundo governo, já mostra que a ordem antiga está sendo desmantelada, já não interessa mais”, disse.
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Ele acrescentou que o sistema internacional caminha para uma configuração centrada nas relações entre Estados Unidos, China e Rússia, enquanto instituições e mecanismos tradicionais de coordenação global tendem a passar por revisões. “Agora é a ordem da desconstrução. Depois nós vamos ver o que virá”, concluiu.
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