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Conflito no Oriente Médio

Recuos de Trump sobre Ormuz ampliam incerteza para economia global

Publicado 15/07/2026 • 11:50 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Trump mantém um "imposto da incerteza" ao mercado global, apesar de abandonar a proposta de pedágio no Estreito de Ormuz.
  • Para Antonio Gelis Filho, decisões do presidente americano respondem mais à política interna do que a uma estratégia geopolítica estruturada.
  • Especialista avalia que a indefinição da Casa Branca amplia a volatilidade e dificulta decisões de investimento em escala global.

A mudança de posição do presidente dos Estados Unidos sobre a cobrança de um pedágio de 20% sobre cargas que transitam pelo Estreito de Ormuz reforça a percepção de que a política externa americana tem sido conduzida de forma imprevisível, afirmou nesta quarta-feira (15) Antonio Gelis Filho, professor de Geopolítica da FGV-EAESP, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“Ele recuou dessa tarifa absolutamente estapafúrdia, mas não recuou de uma outra tarifa que está impondo ao mundo: a tarifa da incerteza permanente sobre a próxima ação da Casa Branca. Esse comportamento errático já se tornou um fator da política internacional e dos investimentos”, afirmou.

Política interna

Segundo Gelis Filho, o principal motivo para as mudanças frequentes de posição de Donald Trump é a ausência de uma política externa consistente, substituída por decisões voltadas aos interesses da política doméstica americana.

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Na avaliação do professor, o presidente utiliza temas internacionais para reforçar sua imagem junto ao eleitorado, sem considerar plenamente os impactos econômicos das medidas anunciadas.

“O Trump parece não ter propriamente uma política externa. Ele usa a política internacional como ferramenta de política interna e demonstra pouca percepção dos custos que está impondo não apenas aos Estados Unidos, mas também à economia global”, disse.

Para o especialista, a proposta inicial de cobrar pelo trânsito no estreito teve mais caráter simbólico do que estratégico. “Ele toma decisões como um balão de ensaio. Anuncia nas redes sociais, observa a reação e, quando percebe consequências negativas, recua. Mas o estrago já foi feito”, explicou.

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Efeitos econômicos

O professor afirmou que esse padrão de comportamento cria um ambiente permanente de incerteza, prejudicando empresas, investidores e governos.

Na visão dele, essa volatilidade funciona como uma espécie de custo adicional para a economia mundial. “Se a gente pensar que ele está impondo uma espécie de taxa global de incerteza, isso acaba colaborando para pressionar a inflação e também se torna um problema para o próprio mercado interno americano”, destacou.

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Para Gelis Filho, a situação também reflete as dificuldades enfrentadas por Trump após o agravamento do conflito envolvendo o Irã. “Me parece muito mais a demonstração de um presidente que não sabe como sair desse verdadeiro atoleiro geopolítico em que se colocou com a intervenção no Irã”, afirmou.

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Pressão iraniana

Na avaliação do especialista, Teerã tem adotado uma estratégia mais racional e paciente do que a dos Estados Unidos, especialmente diante da proximidade das eleições legislativas americanas.

Segundo ele, o governo iraniano sabe que o calendário político dos EUA aumenta a pressão sobre Trump e tende a explorar esse cenário. “O Irã sabe que Trump está entrando em um regime de campanha por causa das eleições de meio de mandato e joga com isso. Eu não vejo um recuo iraniano antes desse processo eleitoral. Quem paga essa conta é a economia global”, observou.

O professor acrescentou que o país evita medidas extremas e busca manter pressão constante sobre Washington sem provocar uma escalada descontrolada. “O Irã está jogando com mais estratégia e racionalidade geopolítica do que o Trump. Eles dão apenas os passos necessários para manter a pressão e recuperar influência regional”, ressaltou.

Leia também: Trump diz que acordo sobre Ormuz é melhor que pedágio e promete bilhões em investimentos nos EUA

Acordos futuros

Sobre a nova proposta da Casa Branca de substituir o pedágio por futuros acordos e investimentos de países do Golfo nos Estados Unidos, Gelis Filho disse ver poucas bases concretas para a iniciativa.

Na avaliação dele, o anúncio segue o padrão de declarações feitas sem detalhamento ou planejamento prévio.

“Tenho a impressão de que é mais uma solução verbal do Trump para um problema real. Minha sugestão é esperar pelo menos 72 horas para entender o que é apenas espuma e o que realmente tem base na realidade”, concluiu.

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