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Risco de nova escalada no Oriente Médio mantém pressão sobre mercado de energia
Publicado 10/07/2026 • 08:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 10/07/2026 • 08:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A tentativa do Irã de ampliar o controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz aumenta o risco de uma nova escalada militar e pode prolongar as incertezas sobre o abastecimento global de energia. A avaliação é de Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador da Universidade Harvard, em entrevista nesta quinta-feira (9) ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
“O memorando de entendimento não está funcionando e a guerra pode voltar ao ritmo que tinha antes do cessar-fogo”, afirmou.
Segundo o especialista, a estratégia iraniana busca ampliar sua influência sobre uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos globalmente.
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De acordo com Brustolin, o Irã tenta obrigar embarcações comerciais a navegarem mais próximas de seu litoral, o que abriria espaço para a cobrança de taxas, prática vedada pelo direito internacional para estreitos naturais.
“Pela Convenção de Montego Bay, de 1982, não há possibilidade de cobrança de tarifas pela passagem em estreitos naturais. Isso só ocorre em canais artificiais, como os do Panamá e de Suez”, explicou.
Segundo ele, foi justamente essa tentativa de controle que motivou os recentes ataques americanos contra equipamentos militares iranianos utilizados para ameaçar a navegação na região.
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“Os Estados Unidos já realizaram esse tipo de operação anteriormente, mas o Irã continua dispondo de drones, mísseis e até minas navais capazes de atingir embarcações”, disse.
Na avaliação do pesquisador, a reação relativamente moderada do mercado ao retorno das hostilidades decorre do excesso de confiança na eficácia do memorando de entendimento firmado entre as partes.
“O mercado foi muito otimista ao acreditar que o memorando resolveria o conflito. Na prática, as violações ao cessar-fogo ocorreram desde o início e envolveram todos os lados”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCEle alertou que um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz poderá gerar impactos muito mais severos do que os observados até agora.
“As reservas estratégicas utilizadas pelos países para manter o abastecimento têm prazo limitado. Se o bloqueio persistir, o mercado internacional terá dificuldades para absorver esse choque”, destacou.
Segundo Brustolin, países como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos seguem evitando um envolvimento militar direto e apostam na retomada das negociações.
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“Esses países temem que os Estados Unidos reduzam sua presença militar na região e acabem deixando para os aliados o custo de uma guerra prolongada”, afirmou.
Ele acrescentou que, apesar das declarações mais duras de Israel, uma ofensiva de maior escala ainda enfrenta limitações operacionais.
“Israel tem capacidade para retomar ataques, mas enfrenta limitações no estoque de mísseis e hoje concentra parte de seus esforços no sul do Líbano”, observou.
Para o pesquisador, os principais sinais a serem monitorados nas próximas semanas envolvem uma eventual tentativa dos Estados Unidos de reforçar o bloqueio naval na região e a possibilidade de novas ações contra a ilha iraniana de Kharg, principal ponto de escoamento do petróleo do país.
“Esse continua sendo um cenário extremamente delicado. Qualquer ataque isolado contra embarcações comerciais pode voltar a comprometer a navegação e elevar rapidamente a tensão na região”, concluiu.
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