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Crise no Estreito de Ormuz: o que isso significa para o transporte marítimo global?
Publicado 02/03/2026 • 10:43 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 02/03/2026 • 10:43 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
FADEL SENNA / AFP
A escalada da guerra no Oriente Médio aumentou os temores de uma interrupção prolongada do comércio global por corredores marítimos estratégicos como o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb.
Gigantes do transporte de contêineres suspenderam operações pelo estrategicamente vital Estreito de Ormuz e redirecionaram embarcações pelo extremo sul da África após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de semana.
A empresa dinamarquesa de transporte marítimo Maersk informou em comunicado que suspenderá todas as travessias de navios pelo Estreito de Ormuz até novo aviso, alertando que serviços com escala em portos do Golfo Árabe podem sofrer atrasos.
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Localizado entre Omã e Irã, o Estreito de Ormuz é reconhecido como um dos gargalos petrolíferos mais importantes do mundo. Em 2023, o fluxo de petróleo pela via marítima teve média de 20,9 milhões de barris por dia, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, o equivalente a cerca de 20% do consumo global de líquidos petrolíferos.
A Maersk, amplamente considerada um termômetro do comércio mundial, afirmou que a situação no Oriente Médio também a levou a suspender futuras viagens trans-Suez pelo Estreito de Bab el-Mandeb até novo aviso.
Essa passagem é um estreito ponto de estrangulamento marítimo situado entre o Chifre da África e o Oriente Médio, conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico. Estima-se que o Estreito de Bab el-Mandeb tenha respondido por 12% do comércio marítimo de petróleo e 8% do comércio de gás natural liquefeito (GNL) no primeiro semestre de 2023.
A Maersk disse que todas as viagens nos serviços Oriente Médio-Índia para o Mediterrâneo e Oriente Médio-Índia para a costa leste dos EUA serão redirecionadas pelo Cabo da Boa Esperança.
Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, afirmou que tarifas mais altas de frete de contêineres devem ser consideradas para a região do Oriente Médio pelo menos enquanto o conflito persistir, acrescentando que não há “alternativa real” ao transporte marítimo.
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“O risco geopolítico mostrou sua face mais feia com maior frequência e severidade nos últimos anos do que nunca antes”, disse Sand ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, na segunda-feira.
“Acho justo dizer também que há um certo cansaço no setor, porque você elabora dez planos de contingência apenas para descartá-los quando surge uma nova reviravolta e um novo ângulo”, acrescentou.
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Mesmo que petroleiros sejam bloqueados apenas temporariamente no Estreito de Ormuz, isso pode elevar os preços globais de energia, aumentar custos de transporte e gerar atrasos significativos na oferta.
O Estreito de Ormuz também é crucial para o comércio global de contêineres. Portos da região, como Jebel Ali e Khor Fakkan, são centros de transbordo que funcionam como pontos intermediários em redes globais.
Além da Maersk, a empresa alemã de transporte de contêineres Hapag-Lloyd afirmou no fim de semana que suspenderia todas as embarcações em trânsito pelo Estreito de Ormuz, citando a segurança de suas tripulações.
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A francesa CMA CGM informou no sábado que instruiu todos os navios dentro do Golfo e com destino à região a se dirigirem a áreas de abrigo. A passagem pelo Canal de Suez também foi suspensa até novo aviso, disse a empresa, com embarcações redirecionadas pela África via Cabo da Boa Esperança.
A MSC, maior companhia de transporte de contêineres do mundo, afirmou na segunda-feira que ordenou que todos os navios que operam na região do Golfo se desloquem para áreas seguras designadas, acrescentando que monitorará de perto novos desdobramentos.
Amrita Sen, fundadora e diretora de inteligência de mercado da Energy Aspects, disse na segunda-feira que a principal questão é o que acontecerá com o Estreito de Ormuz.
Ela estimou que aproximadamente 15 milhões de barris de petróleo e cerca de 80 milhões de toneladas de GNL atravessaram a via marítima no ano passado.
“Não achamos que isso seja muito provável”, disse Sen ao programa “Europe Early Edition”, da CNBC, ao ser questionada se o Irã tentaria fechar completamente o estreito. “Os EUA e Israel simplesmente eliminariam isso muito, muito rapidamente. Os EUA têm poder militar muito superior para neutralizar qualquer capacidade do Irã de fazer isso”, afirmou.
“Embora não estejamos dizendo que o estreito vai ser fechado, o que os EUA não conseguirão fazer é controlar esses ataques isolados a petroleiros — e isso já é suficiente para tornar o mercado extremamente cauteloso ao enviar embarcações para lá. E é isso que cria as interrupções”, acrescentou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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