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Eleição em Israel mobiliza até 80 mil cidadãos que voltam ao país para votar em disputa apertada entre Netanyahu e Eisenkot

Publicado 27/10/2026 • 07:20 | Atualizado há 26 minutos

KEY POINTS

  • Até 80 mil israelenses que vivem no exterior devem voltar ao país para votar na eleição desta terça
  • Netanyahu, do Likud, enfrenta Gadi Eisenkot, do Yashar, em disputa com pesquisas muito apertadas
  • Participação pode chegar a 87%, ante pouco mais de 70% em 2022, segundo projeções de institutos de pesquisa
A medida ainda não foi confirmada oficialmente pelo governo brasileiro, e ocorre em um contexto de crescente tensão diplomática com Israel.

Photo by FOCKE STRANGMANN / AFP).

A medida ainda não foi confirmada oficialmente pelo governo brasileiro, e ocorre em um contexto de crescente tensão diplomática com Israel.

Voos lotados e passagens de até US$ 2.500 marcam a véspera da eleição em Israel, que ocorre nesta terça-feira (27) em meio a uma disputa extremamente apertada. Como o país não permite voto do exterior, exceto para quem atua em missões diplomáticas, cidadãos que vivem fora têm viajado para participar do pleito.

Segundo estimativas de um grupo que ajuda a organizar esses eleitores, até 80 mil israelenses residentes no exterior devem voltar para votar. Israel tem cerca de 7,3 milhões de eleitores aptos, de acordo com a Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES), com sede em Washington.

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Voto de retornados pode pesar no resultado

Embora represente uma parcela pequena do eleitorado, o grupo pode fazer diferença no resultado final. “Embora não seja um bloco grande, os 80 mil que podem voltar para participar poderiam fazer grande diferença na contagem final de uma eleição muito apertada”, afirmou Yael Shomer, professora de ciência política da Universidade de Tel Aviv.

Na primeira eleição desde 2022, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, que soma 18 anos no cargo em três períodos, enfrenta Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, que lidera o partido Yashar. Ambos devem precisar do apoio de aliados para formar maioria.

Guerra com o Irã e disputas internas dominam campanha

Além disso, a segurança, tema já decisivo para os israelenses, ganhou tensão adicional com a guerra com o Irã. A isenção de parte dos homens ultraortodoxos do serviço militar também divide a sociedade.

Ao mesmo tempo, Netanyahu ainda trabalha em um plano controverso que daria à coalizão governista mais controle sobre o Judiciário.

Participação deve superar patamar de 2022

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Para Shomer, a eleição trata de como os israelenses enxergam o futuro, e o comparecimento tende a ser alto. Em 2022, a participação ficou pouco acima de 70%, segundo a Comissão Central de Eleições de Israel. Pesquisadores projetam que o índice possa chegar a 87% desta vez.

Entre os funcionários do serviço exterior em embaixadas e consulados, a participação foi de 90%, segundo a mesma comissão, que aponta média próxima de 70% nessa categoria.

Organização ajuda eleitores a voltar

Para facilitar a viagem de quem mora fora, a organização Fly & Vote foi criada pela Coalizão Democrática Estados Unidos-Israel, grupo sediado nos EUA e fundado em 2023 para barrar a reforma do Judiciário proposta pelo Likud. A lei proíbe que entidades e partidos paguem o transporte dos eleitores, e cada passageiro arca com a própria passagem.

A Fly & Vote, financiada por doações privadas, fretou um voo para israelenses que vivem em Portugal e comprou blocos de assentos em voos a partir da região de Nova York. “Não assumimos posição política e não dizemos a ninguém como votar, apenas ajudamos a depositar o voto”, disse Ora Peled-Nakash, cofundadora do grupo.

Companhias retomam rotas para Israel

Quem prefere a via comercial encontra opções. A El Al operou sozinha por décadas as rotas entre EUA e Israel, mas a Arkia começou a voar no ano passado e a Israir, neste ano. A United e a Delta voltaram a operar após suspensão por causa da guerra com o Irã, a Lufthansa liga a Europa a Israel e a British Airways deve retomar os voos nesta semana.

Segundo Peled-Nakash, os preços seguem em linha com os de períodos normais. Levantamento da CNBC mostrou que, no domingo (25), ainda havia assentos em voos da El Al saindo dos aeroportos JFK e Newark, com tarifas de US$ 1.300 a US$ 2.500.

Após cinco eleições entre 2019 e 2022, o resultado desta terça pode definir os rumos políticos, de segurança e econômicos de Israel nos próximos anos. Alguns especialistas avaliam que, pela primeira vez, o país pode ter um governo minoritário logo após o pleito.

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